terça-feira, setembro 12, 2006

"as folhas longo tempo revestindo"

Ruy Belo e Duas Quintas 2004

Paraiso

Esporão.2003.Torrado.Amor.Salmão. Alface. 1 segundo. 0:12

quarta-feira, setembro 06, 2006

sábado, agosto 05, 2006

Últimas intenções de voto

Algumas breves observações sobre a última sondagem da Sic/Expresso:

- Apesar da borrada nos exames o PS continua com maioria clara (44,6%), tal como a esquerda que apesar da ligeira queda do Bloco (6,5%) e da CDU (7,7%) mantém-se maioritária.

- A direita fica-se pelos 37,5%. Pouco... muito pouco... se atendermos que consideram que este governo tem tido uma actuação péssima, e que é esta a opinião popular.

– Ao nível do desempenho individual o consensual cargo do presidente assim se mantém, apesar de valores inferiores aos dos presidentes anteriores.

– O caso de Sócrates é interessantíssimo. Mantém-se com valores muito bons, perto dos 60%. Bastante superiores aos do governo, que rondam os 38%.

- Na oposição Louçã, e Marques Mendes são os líderes com as melhores actuações, mesmo assim abaixo da do governo.

- Conclusão a tirar, e que se manterá certamente após as férias, mesmo com alguns erros recentes, e com as alterações ministeriais a acção governativa tem sido compreendida e aceite. Sendo a figura de Sócrates, por vezes muito contestada no vox populi de café, um dos pilares para tal facto.

Mas atenção... uma eventual tomada de posição no conflito do Líbano que se aproxime muito da corrente de opinião do eixo americano-britânico poderá claramente por estes resultados em causa.

quinta-feira, julho 13, 2006

WHAT IS THE WORD

folly -
folly for to -
for to -
what is the word -
folly from this -
all this -
folly from all this -
given -
folly given all this -
seeing -
folly seeing all this -
this -
what is the word -
this this -
this this here -
all this this here -
folly given all this -
seeing -
folly seeing all this this here -
for to -
what is the word -
see -
glimpse -
seem to glimpse -
need to seem to glimpse -
folly for to need to seem to glimpse -
what -
what is the word -
and where -
folly for to need to seem to glimpse what where -
where -
what is the word -
there -
over there -
away over there -
afar -
afar away over there -
afaint -
afaint afar away over there what -
what -
what is the word -
seeing all this -
all this this -
all this this here -
folly for to see what -
glimpse -
seem to glimpse -
need to seem to glimpse -
afaint afar away over there what -
folly for to need to seem to glimpse afaint afar away over there what -
what -
what is the word

Samuel Beckett

terça-feira, julho 11, 2006

Porque quem fala verdade não merece castigo

«Não é verdade! Não o chamei terrorista islâmico. Aliás, nem sei bem o que essas palavras significam», afirmou Materazzi.

sábado, junho 03, 2006

Murphy

- Este amor com uma função faz-me doer os tomates...

- E os pés, não?

- Quem é que tu amas? - continuou Murphy. - Eu, tal como sou. Podes desejar o que não existe, não podes amá-lo. - Nada mal, para um Murphy. - Se assim é, porque diabo te esforças tanto para me modificar? Para poderes deixar de me amar - aqui, a voz subiu e atingiu uma nota bastante honrosa - para deixares de estar condenada a amar-me, para seres dispensada de me amar. - Queria ser claro. - Com as mulheres, é sempre a mesma cantiga: vocês não sabem amar, não são capazes de aguentar, o único sentimento que vocês suportam é serem apalpadas, não podem amar durante cinco minutos sem quererem transformar logo tudo numa mistela incrível de fedelhos e lixos domésticos. Merda, como eu detesto as Vénus domésticas e o seu Eros de história da carochicha. - Fazia questão em ser distinto.

- Evitar o esgotamento pelas palavras.

- Por acaso quis modificar-te? Insisti, por acaso, para te obrigar a fazer coisas que não te competem e deixares de fazer as que te competem? Quero lá saber do que tu FAZES!

- Eu sou o que faço.

- Não - disse Murphy. - Tu és o que és, fazes uma fracção do que és, consentes uma pequena parte do teu ser se venha a fazer. - Imitou o gemido de uma criança. «Não posso fazer, Maaaaamã.» Este tipo de fazer. Inevitável e vergonhoso.

quinta-feira, junho 01, 2006

KLEIN

improviso à chuva

O cigarro queimava lento. Sem pressas.
Tinha ainda tempo até ao próximo.
As portadas iam batendo com força... ah, se fazia vento lá fora.
E até mesmo aquela chuva chata.
Que os carros parados à sua porta recebiam.
Uma travagem molhada. Mas sem cheiro a pneu. Que a janela não se sabia aberta. Não conseguia olhar. Estava na outra esquina. O carro, e ele.
A porta discreta abria. A da rua.
E ele ia ouvindo os passos. De timbale. A subir os degraus tortos.
Quem seria?
Já não sabia esperar alguém. Preparar-se... e... Receber.
Os degraus continuavam mexidos. E ele sentado.
O relógio batia os segundos. E ele sentado. E os degraus mexidos.
O relógio. Ele. Degraus. Ele. O relógio. Os degraus. Degraus. O ele. Degraus. Relógio. O relógio. O. Os. Ele. Relógio. Degraus. Ele. Ele, o relógio degraus. Mexidos, sentados continuados.
Suava já.
tic tac tic tac tic tac tic tac. Caíam as gotas sobre as pernas imóveis. tic tac tic tac.
tic tac tic tac tic. Caíam as gotas tic tac tic tac tic nos carros parados.
tic tac tic. Caíam os passos nos degraus tic tac tic tac cansados. tic tac tic tac tic tac tic tac.
tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac. O relógio. Que não parava.
Atirou o relógio lá para o fundo do quarto, ou da sala. O que interessa isso.
E não parou a chuva, nem o relógio tic tac tic tac tic tac nem os passos, nem o coração.
Partiu a janela.
E não parou a chuva, nem o relógio tic tac tic tac tic tac, nem os passos, nem o coração.
Agora chovia dentro de casa. Muito. Os pés estavam empapados.
Em breve momentos. tic tac tic tac. Ou seria mais tempo?
Quanto tempo?
Devia ter contado o tempo. Os segundos. Se calhar até contou.
Só que os passos... Os passos? Quais passos? Não se ouve nada lá fora. Nem os passos! Mas havia passos, não havia?
Ou era a chuva?
Lembrava-se de um tic tac tic tac... mas podia ser daquele relógio antigo que a mãe lhe colocava ao lado quando dormia a sesta.
Tinha os pés empapados. Por causa do suor. A mãe punha muitos cobertores. Nunca gostou disso.
Mas havia os passos, não havia?

waiting for godot








  

VLADIMIR: 
That passed the time. 
ESTRAGON: 
It would have passed in any case.

9 segundos depois

entrou.
- Quero água!
saíu.
não disse mais nada.
e todos o ficaram a comentar.
porque de pequenino se torce o pepino, diziam.

terça-feira, maio 23, 2006

Silêncio


Preciso dum silêncio. Longo. Completo.
Que não cesse. Me encha os ouvidos, a cabeça, o pensamento.
Sem música, luz, cor, dor, memória.

Preciso duma aragem que me soe a vendaval,
um por de sol que me encandeie,
um aroma de verão que me corte a respiração.

Preciso de calar o mundo.
Interditar. as Palavras. Todas.
Sem excepção.

E ouvir apenas o meu bater de coração,
e a tua respiração
junto a mim... breve e serena.

Sabes, hoje estou um pouco mais cansado,
um pouco mais velho,
hoje está a custar um pouco mais os silêncios preenchidos.

sábado, maio 13, 2006

A holandesa e os 3 putos subnutridos

Era uma vez... uma bela dame blanche que vinda das frias terras holandesas fascinou três jovens subnutridos que passeavam o seu rebanho num belo país à beira mar plantado.

- Que formosa aquela senhora! -dizia um.
- Que divinal! - dizia outro.
- Estou tão fraca, e cheia de fome! - rematava a terceira.

E assim seguiram os três jovens fascinados e esfomeados pelos campos abaixo. Maravilhados com o que lhes acontecera e ansiosos por partilharem a sua história com quem os ouvisse.

in Relatos Privados de Eleutério Pinto, velho alcoólico de Fátima

quarta-feira, maio 03, 2006

terça-feira, abril 25, 2006

25 Abril, Sempre!

Abril de 1506 por um povo de brandos costumes

(...) "Confesse, leitor, que desconhecia o massacre de muitos judeus (e não judeus) de Lisboa neste mês de Abril, mas de 1506, que algumas dezenas de cidadãos homenagearam na quarta-feira passada. Diga-se em abono da verdade que também desconhece que a repressão do rei D. Manuel aos incitadores e actores do massacre foi severa, com frades dominicanos queimados e outras iguarias da época.

(...) Bem vistas as coisas, raramente acontece a um português levar remoques acusatórios sobre a sua História e mesmo o passado colonial é no geral desculpabilizado perante as desgraças pós-coloniais. Mas de vez em quando acontece.

Há alguns anos, no estrangeiro, um colega meu, menos versado em passado, perguntava com ar simpático a um professor holandês de apelido Oliveira se já tinha visitado Portugal, levando um não delicado como resposta. Perante a insistência, percebeu rapidamente que os seus antepassados tinham sido expulsos deste canto nem sempre ameno. Curiosamente, ele conhecia esta data esquecida."

António Costa Pinto, DN, 22 Abril 2006

quarta-feira, abril 19, 2006

"ruas principais secundárias"

Paul Klee


Por vezes temos que tomar atalhos, andar para trás, mesmo parar... Pensar... e só depois acreditar que vamos conseguir! Há dias mais complicados...

sábado, abril 15, 2006

Pensamento mindinho II

Não quero alcançar a imortalidade através do meu trabalho.
Quero atingi-la não morrendo.

Woody Allen

terça-feira, abril 11, 2006

Pensamento mindinho

Jesus: Merda do livre arbítrio! ... Eu sei lá onde são os arredores de Loures.

domingo, abril 09, 2006

Gaivota



“Na tua vida, também não dás a atenção bastante aos seres humanos reais, à verdade, ao que se passa à tua volta?” Tchekov está na origem desta questão impiedosa, brutal, dirigida a cada um de nós. E para suscitar esta questão ele rompeu rigorosamente com todas as convenções teatrais e dramatúrgicas.
Peter Stein


A Gaivota de Tchekov presente na Cornucópia é, acima de tudo, uma excelente possibilidade de observar e admirar Luis Miguel Cintra em palco. Apesar do seu papel secundário, o avó tem uma presença intensa e marcante tanto em termos de interpretação, como na narrativa, para o próprio Kostia. Aliás, nesta peça são os papéis secundários que mais se destacam e que mais se aproximam das caracteristicas que Stein aponta como basilares na dramatugia do escritor russo. Apesar da duração da peça ser significativa, para cima de 3 horas, não é de todo considerada excessiva em termos narrativos, apenas em termos físicos pois aquelas cadeiras...

Se a crítica de Prado Coelho prometia uma peça neo-modernista a desilusão nesse âmbito foi total, pelo menos em termos cenográficos. Sobra a sensação de uma peça coerente na estética tchekoviana... sobra-me também o desejo de ver Strindberg em palco...

O modelo francês está em falência?

A entrevista ao historiador Jacques Marseille presente no Público, de 06/04/06, sobre as recentes manifestações em Paris apresenta uma visão que ultrapassa em muito a da observação dos factos recentes.

O director do IHES faz parte dos, apesar de tudo, happy baby-boomers que fizeram o Maio de 68, em vez daqueles que José Manuel Fernandes define num artigo do mesmo dia como os baby-losers. Não é por isso de estranhar que hoje Marseille se encontre do outro lado da barricada, pois o que está em causa na situação recente de Paris mais do que um desejo de ruptura da ordem social vigente é a ambição de uma real igualdade de oportunidades.

"As elites já não representam nada. É a falência do modelo francês" - afirma como resposta pronta à questão de se tratar esta agitação social de uma proto-guerra civil, e da perca da representatividade popular nos seus eleitos. Esta opinião é todavia bastante discutivel quando são tidos em conta recentes trabalhos sobre as novas formas de participação cívica. A comunicação de Tiago Fernandes, apresentada na Gulbenkian no recente congresso da APCP, aponta exactamente no sentido, também defendido por outros politólogos, de a qualidade da democracia poder ser verificada também na variedade e qualidade do associativismo e outras formas de participação cívica e não apenas na vertente da participação eleitoral e da militância partidária.

"Este país é fundamentalmente bonapartista: gosta de alguém que emana do povo e exerce um poder central forte. (...) Os franceses adoram o poder solitário de um homem, e são automaticamente atraídos para um poder autoritário e carismático." - Esta crítica é apenas mais uma das diversas que atravessam da direita à esquerda sobre o anacronismo deste regime . Jack Lang na obra Un nouveau régime politique pour la France indicava o mesmo, baseado no facto deste regime ser herdeiro da IV république de De Gaulle onde a balança de poder se encontrava manifestamente desquilibrada pelo excessivo poder do presidente. O "neo-bonapartismo" definido por Lang prolonga-se nas presidências de Miterrand e Chirac. E é este que tem que ser alterado com o propósito de legitimar e explicitar sem dúvidas o papel do governo. Esta ideia é retomada, de uma forma extremista, por Marseille durante a entrevista ao afirmar que "Decerto que as liberdades fundamentais estão garantidas. Mas uma democracia verdadeira exige um regime claro: ou é presidencial ou é parlamentar." O exagero da sua opinião pode facilmente ser questionado com a eficácia dos modelos semi-presidencial ou semi-parlamentar.

Villepin, e não tomando posição sobre o CPE, é por isso também refém de uma confusa e abstrata distribuição institucional, mas acima de tudo da "guerrilha interna" de Sarkozy.
E isso leva-nos ao preocupante facto de Sarkozy ser um caso evidente do politico populista. Se o populismo e o carreirismo político são por Marseille apontados como perigosos e génese do afastamento e descrédito, ao mesmo tempo vê nele, e apesar do ministro do Interior ser um paradigma desta tipologia, um salvador que possa desbloquear a situação actual em França.

Também Hitler ou Salazar surgiram como salvadores providenciais em crises das suas democracias. Não querendo colocar Sarkozy ao mesmo nível destes dois ditadores a verdade é que a elite intelectual tende em impressionar-se, mais facilmente até do que as classes populares, com o carisma e espírito de liderança de alguns políticos o que cria por vezes poderosas e importantes correntes de opinião pública.

quinta-feira, abril 06, 2006

Montagens

"Os jovens num beco"

"(...) Temos pois uma juventude enfiada num beco sem saída ou cuja saída é ir para o estrangeiro. É o que já faz um quinto (repito: um quinto) daqueles em que o Estado português investiu fortunas para que estudassem, se licenciassem ou se doutorassem. (...) Ora isto sucede porque protegemos de mais os que estão empregados e desprotegemos em absoluto os que aspiram ao primeiro emprego."

José Manuel Fernandes, in Público, 06/o4/06

Recado

ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte

vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite

deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me

que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite

não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço

Al Berto, in Horto de Incêndio, 1997

segunda-feira, abril 03, 2006

Nem vale a pena dizer mais nada...

Empresários e capitalistas

1. Embora muitas vezes confundidos, não são o mesmo. Empresário é aquele agente económico que cria e/ou desenvolve empresas. Ou seja, é alguém cujos ganhos resultam de uma actividade empreendedora que cria mais riqueza do que aquela que reverte para o próprio. Capitalista é aquele que ganha com a propriedade das empresas, sobretudo quando, financiando a actividade empresarial, ganha com os resultados dos ganhos dessa actividade que lhe é externa. Os empresários são, entre os dois, os que ganham liderando a criação de riqueza. Por isso, porque da actividade empresarial resulta criação social de riqueza, a palavra “empresário” foi ganhando, com o tempo, uma conotação socialmente positiva.
Em alguns casos as funções empresarial e capitalista combinam-se numa mesma pessoa: o empresário-capitalista ou o capitalista-empresário.

2. Em Portugal, Belmiro de Azevedo é o exemplo típico do empresário que se transformou num empresário-capitalista. Goste-se ou não do personagem e da sua actividade, é indiscutível que se destacou e ganhou porque soube criar e desenvolver empresas, não porque jogou acertadamente (e com sorte) na Bolsa.
Mas por que chamam “empresário” a Berardo?

Rui Pena Pires, in O Canhoto, 30 Março 2006

Do mais simplex

Por uma vez... tenho que concordar com ele.

A ler... a crónica de hoje de Luis Delgado sobre a forma de fazer política de Sócrates.

Raridades...

David Beckham confessa que sofre de uma desordem obsesso-compulsiva, durante uma entrevista à cadeia de Televisão ITV, revela hoje o diário britânico The Independent.

Na entrevista, o «internacional» inglês fala pela primeira vez da sua obsessão por colocar em ordem nos quartos dos hotéis em que se aloja as garrafas de bebidas não alcoólicas para que tudo pareça perfeito.

«Sofro de uma obsessão que me obriga a pôr os objectos em linha recta ou aos pares. Assim, meto no frigorífico as garrafas de Pepsi e se me parece que há uma a mais logo a coloco num qualquer armário», confessa o jogador do Real Madrid e «capitão» da selecção inglesa.

«Quando entro no quarto do hotel, antes de me pôr à vontade, tenho que fazer desaparecer todos os papéis e livros e metê-los no caixote do lixo. Tudo tem que estar perfeito», acrescenta.

Beckham confessa na entrevista outra questão, a das tatuagens, que justifica em parte por certo masoquismo.

O jogador diz que sua esposa, Victoria, o considera um tipo «raro» por essa condição de que sofre.

quinta-feira, março 30, 2006

e eu digo 6














- Eu digo 6.
- Não. Se 4 tenho eu. 4 mais 2 tuas, e 1 dele. São 7.
- 4...
- 2...
- Pois é... mas são 8. Qu'aqui 'tão mais duas.
- Todos os cães têm sorte.
- Vá... e vão 3.
- Nã... são 5.
- Isso é muuuito. 4.

Abre as mãos...

- São mesmo 5.
- 'Tás a ver isto. Vê lá se no trabalho te saem destas. É vê-las...
- Isso dizes tu aqui, agora, olha que tu também... 2.
- 2? 3 acredito.
- 1.
- Mas 'tás a jogar com medo?
- Não só que não tenho nenhuma... nem tu... sobra a dele.

Uma de cobre.

- Só com essas pequenas...
- Não, ia ser c'as outras. Olha que já tenho muito tempo disto.
- E eu não sei não...

quarta-feira, março 22, 2006

Part I - Part II C

Um presente rejeitado transformou-se numa das minhas melhores companhias recentemente...

O aclamado e constantemente ouvido chez moi Keith Jarrett tem em The Köln Concert (1975) um dos melhores albuns, talvez a par do Paris Concert e do mais recente Bye Bye Blackbird, com quase uma hora de um improviso brilhante. Com diversas variações sobre um tema desliza por ritmos frenéticos de um jazz pujante e cheio de energia, oiça-se entre os 4 e os 8 minutos da Parte II A.

Que saudades dos seus gemidos... Do seu levantar da cadeira em direcção ao piano...
Um cd a reter... na ECM.

Desculpa-me...

Estive mais tempo fora do que o devido...
Mais escritas longe do que o prometido...
E reencontrar-me aqui... com tanto por escrever... já perdido nos presentes passados...

Vamos retomar!

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Faltam-me palavras...

Passaram mil dias, milhares de horas, milhões de segundos, e tu sempre na minha cabeça, tu sempre a meu lado... acordando nos meus braços cansados de sonhar.

Hoje as coisas estão diferentes, um aperto na garganta faz-me chorar, e levanto-me para atender o telefone. Tu. Sempre a chorar do outro lado. Tu. Sempre a sofrer. Tu. Sempre dorida. Eu. Resignadamente aceitando o destino. Tanto no mal, como no bem, sempre acomodado, quando te amei, e quando te perdi... triste o fado...

Eu. Lutei contra os meus maiores estigmas e defeitos. Mas cheguei atrasado à batalha... Vi-a. Ao longe por entre duas folhas caídas.

A beleza das coisas reside em transformar o fundo do mar num calmo lago, banhado pelas verdes árvores da manhã de Setembro...

Va, vis et deviens


Schlomo viens ici... prés de moi

Apetece dizer ao pequeno Moshe, ao maior Mosche, e ao já Dr. Sirak... porque as vidas confundem-se... e a dor do pequeno silencioso tem as palavras por dizer de muitos... que não chegam nunca à terra prometida

Prometida a muitos, dada a demasiados poucos... encardida do sangue dos que lutam pela sua terra... que é de todos... e de ninguém... no escorrer destes lugares comuns soube Radu Mihaileanu não o filmar... de Israel, a Paris, onde a terra não mata, e a água corre sem fim, ao duro Sudão, pedras meias com a irmã Etiópia. Onde os pretos são mais Pretos, e a cor é menos cor... ou não fossem todos vermelhos... da cor de Deus, da cor do Amor... do sangue...

A beleza deste fime reside nos seus planos vulgares mas não muito, em locais invulgares mas não muito... E se traçássemos um paralelo com o Fiel Jardineiro... em tudo ganha o Va, Vis e Deviens. Porque há... um constante sentimento de perca, de solidão, de incompreensão, de inadaptação, de falta de palavras na terra de sonho... no olhar do pequeno Shlomo... há um olhar de África... porque por uma vez não são os escravos, mas sim homens livres, crentes libertos... e contudo... o que os recebe... é um país demasiado em guerra (sobre si mesmo)... um país perdido... porque é de todos...

Porque se eu plantei esta oliveira que te protege, tu plantaste a outra que tem em si os belos pássaros que me encantam.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

A gente vai continuar

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso. O que lá vai já deu o que tinha a dar. Quem ganhou, ganhou e usou-se disso. Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar. E enquanto alguns fazem figura. Outros sucumbem à batota. Chega aonde tu quiseres. Mas goza bem a tua rota.
Enquanto houver estrada para andar. A gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar. A gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar.
Todos nós pagamos por tudo o que usamos. O sistema é antigo e não poupa ninguém, não. Somos todos escravos do que precisamos. Reduz as necessidades se queres passar bem. Que a dependência é uma besta. Que dá cabo do desejo. E a liberdade é uma maluca. Que sabe quanto vale um beijo.
Enquanto houver estrada para andar. A gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar . Enquanto houver ventos e mar. A gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar.
Enquanto houver estrada para andar. A gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar. A gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar.
Jorge Palma

Walk Away

oh no here comes that sun again that means another day without you my friend and it hurts me to look into the mirror at myself and it hurts even more to have to be with somebody else and it's so hard to do and so easy to say but sometimes sometimes you just have to walk away walk away with so many people to love in my life why do i worry about one but you put the happy in my ness you put the good times into my fun and it's so hard to do and so easy to say but sometimes sometimes you just have to walk away walk away and head for the door we've tried the goodbye so many days we walk in the same direction so that we could never stray they say if you love somebody than you have got to set them free but i would rather be locked to you than live in this pain and misery they say time will make all this go away but it's time that has taken my tomorrows and turned them into yesterdays and once again that rising sun is droppin' on down and once again you my friend are nowhere to be found and it's so hard to do and so easy to say but sometimes sometimes you just have to walk away walk away and head for the door you just walk away walk away

Ben Harper

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Pinceladas de saudade em cores quentes

Passou quase um mês... E como escreveu António Machado...

O caminho faz-se caminhando.

Liberdade de expressão - expressão curiosa a de Liberdade

"Do ponto de vista epistemológico, se levarmos até ao extremo a ideia de relatividade das culturas, isto é, da sua radical diferença e originalidade, isso conduz-nos a admitir a impossibilidade absoluta de uma compreensão mútua entre culturas diferentes. Do ponto de vista político, ao relativismo cultural (mesmo na versão mais mitigada) pode opor-se a seguinte crítica: ele fornece um pretexto teórico ao não-intervencionismo. Isto é, face a uma agressão de que é vítima uma minoria devemos respeitar a atitude do agressor ou do agredido, tendo em conta a sua relatividade, isto é, a sua equivalência?"

Fernando Gandra, in CUCHE, Denys, A noção de cultura nas ciências sociais, Fim de século, Lisboa, 2003

Entre caricaturas, religiões e liberdades, às voltas na leitura deste livro encontrei umas ideias que muito se aproximam à minha posição em relação à recente polémica "dinamarquesa". Na realidade, a meu ver, toda esta polémica está intrinsecamente ligada ao relativismo cultural, e à aceitação do Outro.

Ultrapassando o chavão da liberdade de cada um terminar onde começa a do outro, a realidade obriga-me a reconhecer, que apesar do ateísmo fanático de que padeço, há que permitir a cada indivíduo tomar as suas escolhas religiosas.

O fim da história está claramente mais longe do que Fukuyama preconizava, e a actualidade espelha um choque de civilizações violento e sem fim previsível. Mais do que choque entre religiões ou dicotomia ocidente/oriente temos hoje um confronto ideológico sobre a conceitualização da Liberdade. É a definição dos limites e contornos desta que se esconde debaixo da bomba de Maomé, e é esta ideia que não tem sido suficiente e imparcialmente discutida.

É alarmante verificar-se que a liberdade de expressão, agnóstica e ateia, europeia que muito prezo, permitiu a movimentos religiosos católicos e judaicos, bem como políticos da extrema-esquerda à extrema-direita se associarem nesta "cruzada" pelo direito à livre expressão. Mas esta união entre grupos de opinião, tão diversos e opostos, é contra-natura e só um acordo tácito entre estes permite a sua existência. E traçando um paralelismo "enviesado", vem-me à memória as dificuldades do processo de adesão turco...

Só a mais pura falta de conhecimento teológico, se formos cândidos e ingénuos, ou um interesse sórdido na degradação das ligações entre ocidente e "mundo muçulmano", se formos pragmáticos, explica a publicação daqueles cartoons, e sobretudo do editorial que as acompanhava.

A questão da representação de ícones e referencias religiosos foi igualmente tema de discussão, embora numa escala bem menos global, na história da religião católica, e só o tempo, e acima de tudo o conhecimento e a informação dos crentes permitiu a aceitação iconográfica de alguns desses símbolos religiosos.

Se observarmos os milhares de crentes muçulmanos, que um pouco por todo o mundo saem à rua, poderemos ver na sua crença acima de tudo desconhecimento, e é essa lacuna que deveria ser colmatada pelos que hoje os atacam. O método e ferocidade das suas críticas é atiçado pelos seus líderes religiosos, cegos de poder, e embora não pareça, o seu alvo não é o Ocidente em geral, nem a Dinamarca em específico, mas antes o direito à escolha... sem crítica.

A minha posição neste assunto ultrapassa, portanto, o âmbito do direito à publicação de umas caricaturas, porque se é mais do que unânime que há o direito a esta, a realidade pressupõe e implica consequências que tem que ser consideradas em toda a sua plenitude. Isto significa que em tempos de "dificuldades de cooperação" com os "recentes" líderes políticos do mundo muçulmano teria que ser pesar melhor as acções e gestos que pudessem ferir susceptibilidades destes políticos, muitos deles, como Mahmoud Ahmadinejad, ansiosos por se legitimarem internamente. A longa e sinuosa história politica do Ocidente obrigava a uma mais pragmática e pensada política internacional...

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

[em modo suspenso]


Peço-me desculpa por estes tempos sem tempo para escrever algo mais...

Mas... não encontro as chaves de regresso à calmaria...

Por umas horas mais... por uns dias mais...

Até ter tempo para encontrar o tempo perdido...

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Cada um tem o que Deus lhe dá...

A atriz Charlize Theron disse que muitas vezes perde papéis em filmes de acção porque os seus seios são muito pequenos, informou o jornal britânico The Sun.

Segundo a publicação, ela afirmou que muitos directores não a colocam no elenco de seus filmes por não poderem filmar com ela cenas de acção com os seus seios balançando.

Eu sempre soube que não poderia filmar aquelas cenas de lutas e corridas que as actrizes com seios grandes costumam fazer", disse a actriz.

sábado, janeiro 28, 2006

Algures nos ante-ontens...

Frágil, porque é tudo tão frágil? Porque é tudo tão sereno? Porque é tudo tão frágil? Mr. Ballack look out the door... And nothing looks the same… O dia amanhece e a noite desaparece com ela esvai-se os últimos sopros de sonho. O sol madrugador já canta e bichos correm por todos os lados.... de repente a cidade deserta enche-se de animais e sou só mais um entre muitos. Tal como entre humanos as diferenças acentuam-se com os receios infundados. Ao longe, no cais, o barco atraca e o rio expande-se muito além do horizonte, se ele fosse mil léguas, eu seria profundidade. O telefone toca, o bit adormecido liga-se àquele ritmo binário de quem não se decide! O telefone toca e não atendo. Era ela, a mulher-dilema, aquela que não dorme e jamais acorda. As palavras emergem ao toque das teclas, e o marinar dos cozinhados parece mais harmonioso. Nunca o banho-maria foi tão célere quanto o beijo de despedida, e contudo os olhares trocam cumplicidades inconscientes. Aí meu amor o que já sonhei por ti, para sempre, para sempre gostar de ti! O poeta descreve o humano sente. Mas a tristeza subsiste e o altar divino distancia-se e nem Apolo lhe telefona. Beijos, meu caro! Tudo bem? Pergunta ele, e a dúvida mantém-se por toda a conversa. Um adeus melancólico não disfarça a triste dúvida existencial, quem sou? Um mais, um menos...Zero!No tempo dos cavaleiros era bem mais fácil... nascia-se casado e vivia-se apaixonado. Hoje lutas para amar e morres de casar. Valente susto, dizia aquele! Não desminto – apregoa o pedinte. Raio de conversa a dos matutinos, e a tarde ainda não raiou. Frágil! Não abre antes das 22h, e a sede aumenta, os santos chamam e a noite prolonga-se por toda a cidade. Às páginas tantas, o arroz doce caiu na canela e a história estragou-se na sopa de letras.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Os passos em volta


Era uma vez um lugar com um pequeno inferno e um pequeno paraíso, e as pessoas andavam de um lado para outro, e encontravam-nos, a eles, ao inferno e ao paraíso, e tomavam-nos como seus, e eles eram seus de verdade. As pessoas eram pequenas, mas faziam ruído. E diziam: é o meu inferno, é o meu paraíso.


Herberto Helder, in Os passos em volta, Assírio & Alvim, Lisboa, 1994

That doG be with you...


aMOR, de noites presentes

As pessoas não se substituem.
Desculpa.
Não procuro em ti a outra. O antes.
Prendeste o cabelo como ela. Não gostei.
Tirei o elástico à pressa. Antes que ficasse.
E a visse, novamente, à minha frente.
Não percebes.
É que tu és tu... Não uma recriação animada pelo passar do tempo.
Não és a actriz de uma peça quem mal sabe as deixas... Porque não és actriz.
Larga o papel, que o fato não te serve. Os olhares tímidos de outros olhos.
Sentaste-te como ela fazia. E eu levantei-me, e fui à cozinha. Bebi por um trago o fugaz olhar de relance. E, ela, de mão no meu ombro dizendo: - "Descansa, eu 'tou sempre aqui."
Virei-me. Eras tu. Não ela.
Aqui. Como sempre.
Subimos, entre beijos, aos degraus acima. Na cama, de lençóis de outras noites. Outros sonhos, sentimentos e desejos. Apertei-te contra mim. Quente!
TRIM! trim! TRIM! trim! TRIM! - estridente... Toca lá em baixo. No canto do eco da sala. Da TV. Garantes que é a outra. Duvido.
- "É sempre assim."
- "O quê? A chuva lá fora?" Eu gozo-lhe o ar. Com a chuva que não cai. E molha os com ar de tolos.
Reviro-te. Na cama.
E tu garantes que acabou tudo... ao último toque.
Eu sorrio...
Será que não vês que é sempre assim... E, contudo, insistes sempre em acender a lareira.
Eu sorrio...
E fecho-te os olhos. Devagar. Como uma brisa, na praia daquele verão.

domingo, janeiro 22, 2006

Nas ruas de Fernando Lemos



Não mereces esta cidade não mereces
esta roda de naúsea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser.

Alexandre O'Neill, in Poesias Completas

quarta-feira, janeiro 18, 2006

O silêncio é d'Ouro...

Onde quer que Cavaco passe, só se ouve:

"Vai-se embora e não fala com a gente? Fale lá", pediam, sem sucesso, alguns.

Introdução ao clientelismo...

Derrapo rapidamente para uma secção de apoiantes vindos do mundo do skate. Humm.... Um deles, António Boavida, diz: «Desde sempre que o Prof. Cavaco Silva é uma pessoa que me inspira confiança, daí a minha simpatia por ele». Identifico-me: é exactamente o que sinto pela minha mãe, pelo meu companheiro, pelos meus amigos. Pena que não se candidatem. Mas adiante. O site de Cavaco dá provas de acreditar sinceramente no mercado: «Quais as notáveis marcas que te apoiam? A. B.: Neste momento as marcas que orgulhosamente represento são: a Adio, a Mada, a Fidelity, a Eastpak e a Bana.» Algumas das marcas têm direito a link para os seus sites publicitários (eu retirei os ditos...).

Mas isto, como diriam os mais snobs, são coisas de putos. Interessante mesmo - marcas mesmo - é a lista de nomes da Comissão de Honra: Américo Corticeira Amorim, Diogo Somague Vaz Guedes, Fernando BPI Ulrich, Francisco CIP Van Zeller, Ludgero AIP Marques, e Cª Lda. O site de Cavaco é um grande centro comercial, animado aqui e ali por actrizes de novela e revista, uma escritora pomposa e apresentadores de concursos.

in valedealmeida.blogspot.com

Diferenças entre Socialismo e Comunismo

"Preferia morrer apunhalado no metro de Nova Iorque a viver na segurança medíocre e opressiva das ruas de Moscovo." - Felipe Gonzalez, 1975

in SEMPRÚN, Jorge, O adeus de Federico Sanchez, Asa, Lisboa, 1995

sábado, janeiro 14, 2006

Sete Rios-Benfica

Agora há uma nova. É 1800 e tal. - com barba, cerveja na mão, e sem óculos.

Média? - sem barba, sem cerveja na mão, e com óculos.

São sempre. - com barba, cerveja na mão, e sem óculos. - eu não gosto. Parece que enchem mais que as min's.

Pah, mas se beberes duas, bebes mais e pagas menos do que três médias. Ah, pois é... Eu é certo, antes do trabalho. E depois também. - sem barba, sem cerveja na mão, e com óculos.

Eu gosto muito da preta. Mas não há de lata. Teve que ser esta. - com barba, cerveja na mão, e sem óculos.

Pois! - sem barba, sem cerveja na mão, e com óculos.

Arroios-Alameda

Acho que o suicído é atraente, porque é proibido. - jovem, mulher, sem óculos.

Eu acho que não, que é sobretudo um gesto de libertação contra esta sociedade que persegue os estranhos. - andrógena, mas viril, óculos pretos de massa.

E depois há a cena da religião. O povo acredita bué nisso. - jovem, mulher, sem óculos. - Qué que pensas disto?

Não sei, não sei mesmo. - amorfa, cabelo escorregadio, pessoa ao de leve.

Ai, pá! Tu às vezes, também, parece que estás sempre na tua. - andrógena, mas viril, óculos pretos de massa.

A sério! É estranho, o que pode levar alguém a matar-se... - jovem, mulher, sem óculos. - sussurra enquanto limpa os seus belos ténis de 40 contos...

terça-feira, janeiro 10, 2006

"Dificuldades" em fazer sondagens nos dias de hoje...

Maria Barroso falava para apoiantes na sede de candidatura de Mário Soares, admitindo que "alguns estão desanimados porque as sondagens são feitas para desanimar as pessoas".
A mulher do candidato decidiu partilhar com a plateia um caso que disse ter ocorrido há três dias quando uma amiga, professora de Filosofia em Coimbra, lhe telefonou a contar uma "história que parece anedota, mas que é verdadeira".
Segundo Maria Barroso, "telefonaram para casa dela a perguntar se havia alguém na faixa etária entre os 30 e os 45 anos".
"Ela mandou a funcionária ao telefone e perguntaram-lhe assim: então em quem é que vai votar? Eu vou votar no dr. Mário Soares, que é em quem eu votei sempre. E eles disseram de lá: desculpe, foi engano", contou.

Adopção de palavras...

"Vital Moreira desmonta hoje [03/01/06], no Público, a metáfora do Presidente-treinador usada por Cavaco como descrição do seu entendimento das funções presidenciais. Outras metáforas futebolísticas podem ser usadas para caracterizar as restantes candidaturas presidenciais.
Mário Soares, o árbitro (como compete ao PR: “Acima de tudo, [o PR] é o moderador e o árbitro do sistema. ”).
Cavaco Silva, o treinador (que quer mandar na equipa governamental, como o próprio argumentou: “Às vezes, a equipa não é má, mas precisa de um novo treinador. ”).
Manuel Alegre, o presidente do clube (adepto das chicotadas psicológicas, como já o anunciou publicamente, a propósito da dissolução da AR: “os poderes presidenciais são para exercer .”).
Jerónimo de Sousa, o jogador (integrado no colectivo, pois quem manda é o Partido: “Não sou […] decisor. O meu partido tem regras e estatutos. ”).
Francisco Louça, o suplente (aproveita a oportunidade para tentar ser chamado à equipa principal: “As pessoas sabem o que está em disputa e sabem que o crescimento da votação na minha candidatura é a expressão de uma alternativa. ”).

Ora, a escolha é fácil."

Rui Pena Pires, in ocanhoto.blogspot.com

Auto-análise em 30 perguntas...

Parece que eu sou isto...

segunda-feira, janeiro 09, 2006

"Sous le pavés la plage"


Enquanto leio o "Que reste-t-il de Mai 68?", de Henri Weber, penso nos resultados 37 anos depois da maior e mais pura "batalha" social do século XX.O autor realça que, apesar dos propósitos humanistas do Maio de 68, a realidade actual é, em grande parte, resultado destas mesmas lutas e batalhas. E que o capitalismo, imperialismo, globalização são filhos bastardos do Maio 68.
Se pensarmos no caso das eleições presidenciais portuguesas de 2006, o Maio de 68 encontra-se também presente. Porque não há uma nova geração de políticos, em Portugal? É uma pergunta, e ao mesmo tempo a sua própria resposta.
Faltam duas semanas para as eleições, e tal como no futebol as surpresas são quase sempre raras. Assim aproxima-se no espectro político português uma surpresa, um Presidente de direita. Após o dia 22, e a confirmar-se esta situação convém à esquerda reflectir sobre essa situação. O exemplo do PC italiano é paradigmático, é necessário parar e pensar nos tempos modernos, compreender que o modelo capitalista triunfou, mas que é possível humaniza-lo... Que "Um outro mundo é possível" e que a alter-globalização tem bases para triunfar para além de Porto Alegre.
E, é por essa compreensão dos tempos modernos que alguns dos candidatos destas presidenciais merecem respeito...
E, é por essa falta de compreensão da direita que alguns dos candidatos não podem ser Presidente dum país que fez uma revolução apenas há 31 anos.

PJ procura droga nos estúdios dos Delfins

No seguimento de uma das maiores apreensões de droga em Viseu, José Manuel Bicho, de 17 anos, foi detido com um amigo no Parque do Fontelo, zona referenciada pela pelas autoridades policiais como sendo frequentada por consumidores e traficantes de estupefacientes. O nome que além de estranho, é para muitos desconhecido, é o do vocalista dos muito consagrados Fingertips.
A confirmar-se que os 7,60 gramas de haxixe em sua posse não eram para venda mas para consumo, está explicada a qualidade da banda portuguesa.
Inúmeros estudos de várias universidades americanas desconhecidas foram imediatamente publicados na Reader’s Digests com o objectivo de confirmar os perigos das drogas na qualidade da produção artística.
Foi, portanto, com naturalidade que a PJ de Cascais anunciou que tem em sua posse um mandato para a fiscalização do consumo e tráfico de droga no estúdio dos Delfins. Chega assim, ao fim de mais de 20 anos de pesadelo, a justificação para os constantes atentados ao rock e ao pop em Portugal.
Fonte anónima confirma que Miguel Ângelo encontra-se já a monte, numa das praias da linha.

"Cavaco promete não ficar calado contra clientelismo"

um Adeus à palavra


Um adeus atrasado e sem palavras... a quem nunca faltaram palavras... e a quem esteve sempre, em todo o mundo.

um Adeus da minha criança

"Gosto de observar Teresa a corrigir os cadernos escolares à luz do candeeiro. Sempre que os disparatados erros dos seus pequenos alunos a fazem sorrir, ela inclina a cabeça sobre o ombro, as pálpebras descem-se-lhe ligeiramente e o rosto ganha uma graça meiga e quente. Talvez no conceito geral Teresa não seja uma mulher bonita:
tem feições pouco regulares, a boca muito carnuda, o nariz comprido demais e quando lhe estremecem as narinas faz lembrar um coelhinho. Mas tudo isso se harmoniza com o corpo esbelto de porte direito, com o pescoço alto, a cabeça estreita, o cabelo dum negro brilhante e espesso que ultimamente junta num puxo arrepanhado na nuca. "
in "Sob céus estranhos"
... também Ilse Losa não era uma mulher bonita, mas tinha um carinho nos olhos, e um amor nas palavras que, felizmente, se manterá eternamente nos seus livros, e nas leituras que pequenos ouvimos antes de adormecer.
Obrigado!

Da "Campanha na TV" à Campanha no Público

Hoje enquanto lia o Público fiquei "fascinado" pelo artigo de Inês Nadais. No seguimento de outro escrito na mesma coluna, na semana anterior, é feita uma apologia à campanha do professor Cavaco Silva e à qualidade da "chuva de estrelas" que o seguem. Perante esta situação, e apesar da minha falta de hábito para comentar e criticar "oficialmente" o trabalho de outros decidi enviar um e-mail ao director do Público, indicando a minha preplexidade perante esta situação. Abaixo encontra-se o dito mail:
O jornal Público tem primado nos seus 16 anos de vida por uma salutar isenção dos seus artigos. Excepção feita ao Espaço Público, onde o seu objectivo é exactamente o de disponibilizar as opiniões e posições dos seus autores. E é por isso que este jornal tem mantido, apesar das mudanças editoriais, um registo e uma qualidade impares em Portugal, ao nível dos jornais diários.
Contudo, com o aproximar da campanha presidencial de 2006 e com a necessidade editorial de "encher" a secção Presidenciais 2006, foram "convidados" jornalistas de outras secções a escreverem artigos n'"A Campanha na TV". Esta situação merece alguma reflexão editorial, ou pelo menos alguma crítica da parte dos leitores. Para uma avaliação do desempenho dos candidatos, ou da qualidade da cobertura televisiva convém que seja alguém minimamente enquadrado na área, e com conhecimentos de marketing televisivo, da importância dos critérios editoriais, e outros aspectos que estão por detrás do já apelidado "4º poder". Concordando, ou não, com as opiniões de Eduardo Cintra Torres o conhecimento e qualidade das suas análises são indiscutíveis. Bem mais discutíveis encontram-se os artigos facciosos de Inês Nadais, se os artigos no destacável Y tinham já uma qualidade inferior aos demais, os seus recentes artigos "Soares vs SIC", de 04/01/06, e "Jorge Gabriel is watching you", de 09/01/06 demonstram uma clara falta de isenção. Se a autora tem uma intenção de voto, o que num país com elevados valores de abstenção é positivo, não é numa coluna "supostamente" descritiva do acompanhamento da campanha que o deve declarar.
Quanto ao último artigo citado, e em relação à qualidade da "chuva de estrelas" que apoiam Cavaco Silva, convém à jornalista compreender que todos os apoiantes das outras candidaturas que menosprezou são artistas e profissionais com carreiras com créditos firmados, ao contrário da própria autora. Mas, se mesmo assim achar que a qualidade destes é superior, indica-se de seguida alguns apoiantes da candidatura de Mário Soares, com a profissão destes em caso de falta de conhecimento da jornalista Inês Nadais. Caso mesmo assim não sejam suficientes, podemos avançar na lista de apoiantes:A. H. Oliveira Marques (Historiador); Álvaro Siza Vieira (Arquitecto); António Damásio (Investigador, Prémios Pessoa e Príncipe das Astúrias); António Hespanha (Professor Universitário); António Pedro Vasconcelos (Realizador de Cinema); António Rosado (Pianista); António Tabucchi (Escritor); Artur Jorge (Treinador de Futebol); Augusto Cid (Cartoonista), (...).
Quanto ao resto, um grato Bem-haja ao jornal Público pelo trabalho desenvolvido nos últimos anos no sentido de aproximar o nível do jornalismo português do europeu, e de jornais de referência como o Le Monde, ou o El País.

sábado, janeiro 07, 2006

Desculpa, mas conversas destas não se deixam para amanhã...

Como dizia o Ricardo Araújo Pereira "quando não tiver nada para dizer, escreverei sobre o Luis Delgado"... impossivel concordar mais... quer dizer... talvez o não menos brilhante e cândido João César das Neves mereça, também, por vezes alguma da minha singela atenção. Afinal são dois dos mais iminentes e brilhantes pensadores da Direita portuguesa.
Isto se excluirmos o muito historiador José Pacheco Pereira, só acessível por internet, e eu nem sempre tenho uma placa 3G perto de mim; e o advogado Vasco Graça Moura, quando não se encontra a traduzir uns textos em francês, inglês, castelhano ou mesmo arménio. Há ainda o mordaz filósofo da vida Vasco Pulido Valente, mas eu como vrai homme latin apenas dedico o meu tempo a homens que saibam dar prazer a uma mulher na cama...
A todos estes brilhantes pensadores da droite portuguesa, e acho que ainda me esqueci de um ou outro que sobram... um grato Bem Haja! Por me darem razão para eu acreditar que a Maioria Esclarecida continua à esquerda!

"Nem tudo começa com um beijo"

atendendo a esta minha fase da vida...
às minhas ocupações diurnas, soturnas e rotundas. aos pensamentos recorrentes que me enchem a cabeça, e aos outros que nada dizem... e é imaginar o bruno ganz por detrás de mário soares a sussurrar-lhe ao ouvido: als das kind kind war...