terça-feira, janeiro 24, 2006

aMOR, de noites presentes

As pessoas não se substituem.
Desculpa.
Não procuro em ti a outra. O antes.
Prendeste o cabelo como ela. Não gostei.
Tirei o elástico à pressa. Antes que ficasse.
E a visse, novamente, à minha frente.
Não percebes.
É que tu és tu... Não uma recriação animada pelo passar do tempo.
Não és a actriz de uma peça quem mal sabe as deixas... Porque não és actriz.
Larga o papel, que o fato não te serve. Os olhares tímidos de outros olhos.
Sentaste-te como ela fazia. E eu levantei-me, e fui à cozinha. Bebi por um trago o fugaz olhar de relance. E, ela, de mão no meu ombro dizendo: - "Descansa, eu 'tou sempre aqui."
Virei-me. Eras tu. Não ela.
Aqui. Como sempre.
Subimos, entre beijos, aos degraus acima. Na cama, de lençóis de outras noites. Outros sonhos, sentimentos e desejos. Apertei-te contra mim. Quente!
TRIM! trim! TRIM! trim! TRIM! - estridente... Toca lá em baixo. No canto do eco da sala. Da TV. Garantes que é a outra. Duvido.
- "É sempre assim."
- "O quê? A chuva lá fora?" Eu gozo-lhe o ar. Com a chuva que não cai. E molha os com ar de tolos.
Reviro-te. Na cama.
E tu garantes que acabou tudo... ao último toque.
Eu sorrio...
Será que não vês que é sempre assim... E, contudo, insistes sempre em acender a lareira.
Eu sorrio...
E fecho-te os olhos. Devagar. Como uma brisa, na praia daquele verão.

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