terça-feira, abril 25, 2006

25 Abril, Sempre!

Abril de 1506 por um povo de brandos costumes

(...) "Confesse, leitor, que desconhecia o massacre de muitos judeus (e não judeus) de Lisboa neste mês de Abril, mas de 1506, que algumas dezenas de cidadãos homenagearam na quarta-feira passada. Diga-se em abono da verdade que também desconhece que a repressão do rei D. Manuel aos incitadores e actores do massacre foi severa, com frades dominicanos queimados e outras iguarias da época.

(...) Bem vistas as coisas, raramente acontece a um português levar remoques acusatórios sobre a sua História e mesmo o passado colonial é no geral desculpabilizado perante as desgraças pós-coloniais. Mas de vez em quando acontece.

Há alguns anos, no estrangeiro, um colega meu, menos versado em passado, perguntava com ar simpático a um professor holandês de apelido Oliveira se já tinha visitado Portugal, levando um não delicado como resposta. Perante a insistência, percebeu rapidamente que os seus antepassados tinham sido expulsos deste canto nem sempre ameno. Curiosamente, ele conhecia esta data esquecida."

António Costa Pinto, DN, 22 Abril 2006

quarta-feira, abril 19, 2006

"ruas principais secundárias"

Paul Klee


Por vezes temos que tomar atalhos, andar para trás, mesmo parar... Pensar... e só depois acreditar que vamos conseguir! Há dias mais complicados...

sábado, abril 15, 2006

Pensamento mindinho II

Não quero alcançar a imortalidade através do meu trabalho.
Quero atingi-la não morrendo.

Woody Allen

terça-feira, abril 11, 2006

Pensamento mindinho

Jesus: Merda do livre arbítrio! ... Eu sei lá onde são os arredores de Loures.

domingo, abril 09, 2006

Gaivota



“Na tua vida, também não dás a atenção bastante aos seres humanos reais, à verdade, ao que se passa à tua volta?” Tchekov está na origem desta questão impiedosa, brutal, dirigida a cada um de nós. E para suscitar esta questão ele rompeu rigorosamente com todas as convenções teatrais e dramatúrgicas.
Peter Stein


A Gaivota de Tchekov presente na Cornucópia é, acima de tudo, uma excelente possibilidade de observar e admirar Luis Miguel Cintra em palco. Apesar do seu papel secundário, o avó tem uma presença intensa e marcante tanto em termos de interpretação, como na narrativa, para o próprio Kostia. Aliás, nesta peça são os papéis secundários que mais se destacam e que mais se aproximam das caracteristicas que Stein aponta como basilares na dramatugia do escritor russo. Apesar da duração da peça ser significativa, para cima de 3 horas, não é de todo considerada excessiva em termos narrativos, apenas em termos físicos pois aquelas cadeiras...

Se a crítica de Prado Coelho prometia uma peça neo-modernista a desilusão nesse âmbito foi total, pelo menos em termos cenográficos. Sobra a sensação de uma peça coerente na estética tchekoviana... sobra-me também o desejo de ver Strindberg em palco...

O modelo francês está em falência?

A entrevista ao historiador Jacques Marseille presente no Público, de 06/04/06, sobre as recentes manifestações em Paris apresenta uma visão que ultrapassa em muito a da observação dos factos recentes.

O director do IHES faz parte dos, apesar de tudo, happy baby-boomers que fizeram o Maio de 68, em vez daqueles que José Manuel Fernandes define num artigo do mesmo dia como os baby-losers. Não é por isso de estranhar que hoje Marseille se encontre do outro lado da barricada, pois o que está em causa na situação recente de Paris mais do que um desejo de ruptura da ordem social vigente é a ambição de uma real igualdade de oportunidades.

"As elites já não representam nada. É a falência do modelo francês" - afirma como resposta pronta à questão de se tratar esta agitação social de uma proto-guerra civil, e da perca da representatividade popular nos seus eleitos. Esta opinião é todavia bastante discutivel quando são tidos em conta recentes trabalhos sobre as novas formas de participação cívica. A comunicação de Tiago Fernandes, apresentada na Gulbenkian no recente congresso da APCP, aponta exactamente no sentido, também defendido por outros politólogos, de a qualidade da democracia poder ser verificada também na variedade e qualidade do associativismo e outras formas de participação cívica e não apenas na vertente da participação eleitoral e da militância partidária.

"Este país é fundamentalmente bonapartista: gosta de alguém que emana do povo e exerce um poder central forte. (...) Os franceses adoram o poder solitário de um homem, e são automaticamente atraídos para um poder autoritário e carismático." - Esta crítica é apenas mais uma das diversas que atravessam da direita à esquerda sobre o anacronismo deste regime . Jack Lang na obra Un nouveau régime politique pour la France indicava o mesmo, baseado no facto deste regime ser herdeiro da IV république de De Gaulle onde a balança de poder se encontrava manifestamente desquilibrada pelo excessivo poder do presidente. O "neo-bonapartismo" definido por Lang prolonga-se nas presidências de Miterrand e Chirac. E é este que tem que ser alterado com o propósito de legitimar e explicitar sem dúvidas o papel do governo. Esta ideia é retomada, de uma forma extremista, por Marseille durante a entrevista ao afirmar que "Decerto que as liberdades fundamentais estão garantidas. Mas uma democracia verdadeira exige um regime claro: ou é presidencial ou é parlamentar." O exagero da sua opinião pode facilmente ser questionado com a eficácia dos modelos semi-presidencial ou semi-parlamentar.

Villepin, e não tomando posição sobre o CPE, é por isso também refém de uma confusa e abstrata distribuição institucional, mas acima de tudo da "guerrilha interna" de Sarkozy.
E isso leva-nos ao preocupante facto de Sarkozy ser um caso evidente do politico populista. Se o populismo e o carreirismo político são por Marseille apontados como perigosos e génese do afastamento e descrédito, ao mesmo tempo vê nele, e apesar do ministro do Interior ser um paradigma desta tipologia, um salvador que possa desbloquear a situação actual em França.

Também Hitler ou Salazar surgiram como salvadores providenciais em crises das suas democracias. Não querendo colocar Sarkozy ao mesmo nível destes dois ditadores a verdade é que a elite intelectual tende em impressionar-se, mais facilmente até do que as classes populares, com o carisma e espírito de liderança de alguns políticos o que cria por vezes poderosas e importantes correntes de opinião pública.

quinta-feira, abril 06, 2006

Montagens

"Os jovens num beco"

"(...) Temos pois uma juventude enfiada num beco sem saída ou cuja saída é ir para o estrangeiro. É o que já faz um quinto (repito: um quinto) daqueles em que o Estado português investiu fortunas para que estudassem, se licenciassem ou se doutorassem. (...) Ora isto sucede porque protegemos de mais os que estão empregados e desprotegemos em absoluto os que aspiram ao primeiro emprego."

José Manuel Fernandes, in Público, 06/o4/06

Recado

ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte

vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer - vai por esse campo
de crateras extintas - vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite

deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo - deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração - ouve-me

que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna - o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite

não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira - não esqueças o ouro
o marfim - os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço

Al Berto, in Horto de Incêndio, 1997

segunda-feira, abril 03, 2006

Nem vale a pena dizer mais nada...

Empresários e capitalistas

1. Embora muitas vezes confundidos, não são o mesmo. Empresário é aquele agente económico que cria e/ou desenvolve empresas. Ou seja, é alguém cujos ganhos resultam de uma actividade empreendedora que cria mais riqueza do que aquela que reverte para o próprio. Capitalista é aquele que ganha com a propriedade das empresas, sobretudo quando, financiando a actividade empresarial, ganha com os resultados dos ganhos dessa actividade que lhe é externa. Os empresários são, entre os dois, os que ganham liderando a criação de riqueza. Por isso, porque da actividade empresarial resulta criação social de riqueza, a palavra “empresário” foi ganhando, com o tempo, uma conotação socialmente positiva.
Em alguns casos as funções empresarial e capitalista combinam-se numa mesma pessoa: o empresário-capitalista ou o capitalista-empresário.

2. Em Portugal, Belmiro de Azevedo é o exemplo típico do empresário que se transformou num empresário-capitalista. Goste-se ou não do personagem e da sua actividade, é indiscutível que se destacou e ganhou porque soube criar e desenvolver empresas, não porque jogou acertadamente (e com sorte) na Bolsa.
Mas por que chamam “empresário” a Berardo?

Rui Pena Pires, in O Canhoto, 30 Março 2006

Do mais simplex

Por uma vez... tenho que concordar com ele.

A ler... a crónica de hoje de Luis Delgado sobre a forma de fazer política de Sócrates.

Raridades...

David Beckham confessa que sofre de uma desordem obsesso-compulsiva, durante uma entrevista à cadeia de Televisão ITV, revela hoje o diário britânico The Independent.

Na entrevista, o «internacional» inglês fala pela primeira vez da sua obsessão por colocar em ordem nos quartos dos hotéis em que se aloja as garrafas de bebidas não alcoólicas para que tudo pareça perfeito.

«Sofro de uma obsessão que me obriga a pôr os objectos em linha recta ou aos pares. Assim, meto no frigorífico as garrafas de Pepsi e se me parece que há uma a mais logo a coloco num qualquer armário», confessa o jogador do Real Madrid e «capitão» da selecção inglesa.

«Quando entro no quarto do hotel, antes de me pôr à vontade, tenho que fazer desaparecer todos os papéis e livros e metê-los no caixote do lixo. Tudo tem que estar perfeito», acrescenta.

Beckham confessa na entrevista outra questão, a das tatuagens, que justifica em parte por certo masoquismo.

O jogador diz que sua esposa, Victoria, o considera um tipo «raro» por essa condição de que sofre.