domingo, abril 09, 2006

Gaivota



“Na tua vida, também não dás a atenção bastante aos seres humanos reais, à verdade, ao que se passa à tua volta?” Tchekov está na origem desta questão impiedosa, brutal, dirigida a cada um de nós. E para suscitar esta questão ele rompeu rigorosamente com todas as convenções teatrais e dramatúrgicas.
Peter Stein


A Gaivota de Tchekov presente na Cornucópia é, acima de tudo, uma excelente possibilidade de observar e admirar Luis Miguel Cintra em palco. Apesar do seu papel secundário, o avó tem uma presença intensa e marcante tanto em termos de interpretação, como na narrativa, para o próprio Kostia. Aliás, nesta peça são os papéis secundários que mais se destacam e que mais se aproximam das caracteristicas que Stein aponta como basilares na dramatugia do escritor russo. Apesar da duração da peça ser significativa, para cima de 3 horas, não é de todo considerada excessiva em termos narrativos, apenas em termos físicos pois aquelas cadeiras...

Se a crítica de Prado Coelho prometia uma peça neo-modernista a desilusão nesse âmbito foi total, pelo menos em termos cenográficos. Sobra a sensação de uma peça coerente na estética tchekoviana... sobra-me também o desejo de ver Strindberg em palco...

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