terça-feira, março 20, 2007

A dura verdade

O artigo de António Costa Pinto sobre Sócrates revela uma análise muito incisiva e interessante sobre a governação socialista, sobretudo esta governação que tem sido acusada de manipuladora. Transcrevo-a de seguida por acha-la muito interessante:

A estratégia de comunicação do Gover-no, e particularmente do primeiro-ministro, começa a incomodar. Não sabia que Pa-checo Pereira tinha cunhado as aparições do primeiro-ministro como os "momen- tos Chávez", dito retomado por José Manuel Fernandes como "dias Chávez". Uma alusão injusta, pois este populista latino-americano está à beira do autoritarismo, enquanto o nosso primeiro-ministro apenas tenta ser eficiente na arte de governar dos países democráticos: aparecer bem, evitando a má fotografia.
O que me parece mais interessante na estratégia do Governo é ela ser conseguida, outra vantagem deste Executivo em relações aos anteriores, e que remete sobretudo para o modo de funcionamento. A imagem de autoridade tem origem na capacidade de articulação com os ministros e no forte pulso na relação com os meios de comunicação social. À oposição pede-se que tente desmontar a máquina de comu-nicação da presidência do Conselho de Ministros, mas aos analistas descomprometidos o elogio é inevitável, senão veja-mos.
José Sócrates era um político em profissionalização com alguma visibilidade televisiva, quando a sorte lhe bateu à porta. Enquanto dirigente político, a sua técnica de expressão não era brilhante perante o seu parceiro da altura, Santana Lopes, que a breve passagem pelo poder traiu. Ora nesta perspectiva Sócrates é o anti-Portas. Não confia na sorte oratória mas no trabalho, gerindo com grande parcimónia os contactos com a imprensa, introduzindo telepontos para evitar uma graça falhada e outras aventuras do mesmo género. Ele sabe também que, por artes que a análise política nem sempre consegue descortinar, os meios de comunicação podem mudar rapidamente, destruindo com grande à-vontade os políticos que outrora construíram.
Mais interessante é a crítica da estratégia de comunicação do Governo, que com grande profissionalismo tem tentado fazer o mesmo, ainda por cima numa conjuntura adversa. Perante um ano cheio de tensões, com os funcionários públicos, as escolas e os hospitais, devemos ser intransigentes ao ponto de desmontar um dia de campanha pela "transparência", como medidas de apoio ao consumidor?
Felizes os povos que têm "dias Chávez", com anúncios de mudanças no mecanismo de segurança dos isqueiros.

Para lá do suposto controlo dos Media, ainda ontem referido no Prós e Contras, há uma verdade que muito custa para a insegura e em polvorosa direita portuguesa. Este governo está a atingir objectivos...
a) o défice em 2006 foi de 3,9% contra os 4,6 previstos;
b) a taxa de desemprego desceu para 7,6%, o que continua no entanto a ser um valor elevado e a ter em conta sobretudo pelos riscos de conflituosidade social;
c) o crescimento da economia portuguesa mantém-se uma constante, embora frágil é superior ao da UE e da própria OCDE.
Em suma... devagar se vai construindo o caminho sobre as criticas de uma oposição dividida e onde as lutas de poder no PSD e CDS podem destruir de vez as suas possibilidades de regressar ao poder.

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