sexta-feira, abril 27, 2007

Nem vale a pena dizer mais nada...

Vital Moreira resume e repete no Causa Nossa, dia 26 de Abril, para os mais esquecidos o panorama da comunicação social em Portugal...

Pelos vistos, quem ficou nervoso com a entrada de Portas na liça politica foi o PSD, que resolveu antecipar a possível agenda do novo líder do PP. Radicalizando um tema que o PSD lançou há tempos, para tentar suprir a falta de vigor oposicionista, o seu orador na cerimónia parlamentar comemorativa do 25 de Abril insistiu na rábula do controlo governamental da informação.
O caso é verdadeiramente patético, dado que porventura em nenhum momento desde o 25 de Abril, algum Governo terá tido menos possibilidade de influenciar a agenda mediática e a orientação dos órgãos de comunicação social. Na verdade, não existe um único jornal nacional alinhado com o Governo; nas televisões, ele não controla nem influencia nenhuma estação privada, e a televisão pública mantém a administração e a direcção de informação do tempo do governo anterior (ou seja, do PSD). Na rádio, o panorama é o mesmo.
Pelo contrário, o que se nota cada vez mais é a sujeição dos media à lógica do poder económico que os detém. E essa não é claramente favorável ao Governo.
Além disso, como lembrou Vicente Jorge Silva (por sinal, saneado do novo Diário de Notícias), quem, como o PSD, coonesta a situação da informação na Madeira não tem a mínima legitimidade para censurar um pretenso controlo governamental a nível nacional.

Acho que não vale a pena dizer mais nada...

quarta-feira, abril 25, 2007

33 anos depois...


Há Abril em todo o lado!!!
Há,
continua a haver na cabeça,
no coração,
na acção,
de cada um de nós,
em cada fugaz momento
que não te lembras que...
há Abril em todo o lado!!!


Há 25 Abril em Portugal,
pintado a vermelho-cravo.
Há 25 Abril em Itália,
bordado a liberazione.
Há até 25 Abril
com ADN...

Há este 25 Abril de 1975, de Delacroix...
Em todos eles O sonho.
O mesmo sonho em todos.
Todos com sonhos.

sexta-feira, abril 13, 2007

Infelizmente este assunto não vai morrer nunca...
Como nunca morreu a potencial homossexualidade de Sócrates... Porque no pequeno país à beira mar plantado é mais importante as escolhas sexuais, ou o currículo académico de um individuo que o seu real e efectivo valor de trabalho.
E como se sabe os rumores não morrem... uma vez criados. Sobretudo num país com gentinha com poucos estudos, e muito pouco para fazer.

obs: uma muito especial atenção ao post de Rui Pena Pires no Canhoto.
Infelizmente nem (deveria) valer a pena dizer mais nada...

domingo, abril 08, 2007

Se calhar como Dr. Sócrates ja passa...

Se não existissem as indispensáveis ordens não havia esta confusão toda... Como trinta anos depois de Abril ainda as temos... Remeto a minha opinião mais uma vez para uma citação. Mas calma... Este sabe mesmo do que fala... Alguma duvida?

O primeiro-ministro tem tido a legalidade dos seus graus sob escrutínio e soube-se ser licenciado pela Independente. Apanhado no meio do escândalo da universidade privada sem ter nada a ver com isso, Sócrates viu-se mordido pelos media. Alguns membros da elite política, seguros dos seus pergaminhos académicos, sorrirão. Portugal tem uma elevada taxa de elitismo social e académico no topo da classe política e já Salazar tinha dificuldade em falar com não licenciados; quase metade dos seus ministros eram professores universitários. Os republicanos não diferiam muito. De Afonso Costa a Sidónio Pais, os pergaminhos da elite abundavam. O "você sabe com quem está a falar?" aplicava-se independentemente do regime. Salazarismo e marcelismo complicaram as coisas. Quando a democracia e alguma democratização da classe política caracterizavam a Europa, Portugal era dirigido por uma elite autoritária fechada, altamente escolarizada, que impunha uma distância social muito grande à grande maioria. Será que os portugueses se habituaram à ideia? Com grande desigualdade social e difícil mobilidade ascendente via escolarização, é natural e desejável canudo ser apreciado, mas a democracia deveria ter mudado esta relação. Sócrates representa uma geração de políticos que os fundadores da democracia não devem apreciar muito, mesmo que o não digam. Não é produto do activismo próximo das clivagens anti-autoritárias. Não se destacou profissionalmente, nem tem percurso notável de estudante. É já produto de uma juventude marcada pela rápida profissionalização política, como muitos da sua geração. Quando traçam biografias de dirigentes políticos, muitos jornalistas procuram traços de singularidade e até genialidade: o grande resistente e salvador da democracia (Soares); o grande estudante (Guterres); o professor-economista (Cavaco); o dirigente estudantil (Sampaio); o grande advogado. E se Sócrates ficar apenas como político de qualidade? Não chega. Os portugueses não apreciam os políticos profissionais e as elites não se deixam embalar. Mas se calhar é pena: até ver, não há correlação virtuosa entre qualidade política e alta escolaridade. E o que faz correr alguns a terminar cursos à pressa é a deferência e respeito ante um grau universitário - popular na opinião pública e que pode ser factor de humilhação ante os seus pares.

António Costa Pinto, DN, 07 IV 07

terça-feira, abril 03, 2007

Nem vale a pena dizer mais nada....

O cartaz que o Partido Nacional Renovador colocou no Marquês de Pombal em Lisboa é um cartaz abjecto e os dirigentes do PNR são pequenos fanáticos que não merecem atenção. Em si mesmo o cartaz não tem qualquer importância: é o que está à vista e isso parece suficientemente auto-explicativo. Opiniões e mensagens políticas idiotas não são também nenhuma novidade, como se pode ver um pouco por toda a Europa. Um dos grandes problemas que afligem a humanidade desde sempre está em saber o que fazer com os idiotas. Na verdade, nunca foi feita uma História global do idiota. Sobre isso nunca existiu grande consenso. Já houve períodos na História em que os idiotas mandaram e outros períodos em que os idiotas foram perseguidos por outros idiotas. Hoje em dia, em plena democracia, a melhor resposta que arranjámos para o problema passa por permitir que os idiotas se mostrem livremente, a fim de que ninguém no seu perfeito juízo os escolha. Demos agora uma oportunidade ao PNR para se mostrar e o resultado foi o que se esperava.

No fundo, o que eu quero dizer é isto: na questão do cartaz do PNR do que menos precisamos é de uma discussão bizantina sobre os limites da liberdade de expressão, sobre as opiniões que se podem exprimir e as opiniões que se devem banir. Num regime político assente na liberdade e no pluralismo, devemos admitir quaisquer opiniões, por mais repugnantes que sejam. Não é com leis específicas, com a omnipresente Constituição portuguesa ou com a recente tendência contemporânea para punir por delito de opinião as posições políticas mais inconcebíveis que estes fenómenos de radicalismo e indignidade se combatem.

Cada vez que o PNR insultar os imigrantes, mostremos que a imigração é útil e necessária a Portugal; cada vez que o PNR exaltar os direitos dos portugueses sobre os estrangeiros, expliquemos que isso é tão legítimo quanto em França os direitos dos franceses estarem acima dos nossos emigrantes ; cada vez que o PNR demonizar as minorias, expliquemos que os membros do PNR são também uma minoria e com grande benevolência nós respeitamos que eles existam. Não façamos desta gente mártires da liberdade de expressão.

Pedro Lomba, DN, 03 IV 07