terça-feira, abril 03, 2007

Nem vale a pena dizer mais nada....

O cartaz que o Partido Nacional Renovador colocou no Marquês de Pombal em Lisboa é um cartaz abjecto e os dirigentes do PNR são pequenos fanáticos que não merecem atenção. Em si mesmo o cartaz não tem qualquer importância: é o que está à vista e isso parece suficientemente auto-explicativo. Opiniões e mensagens políticas idiotas não são também nenhuma novidade, como se pode ver um pouco por toda a Europa. Um dos grandes problemas que afligem a humanidade desde sempre está em saber o que fazer com os idiotas. Na verdade, nunca foi feita uma História global do idiota. Sobre isso nunca existiu grande consenso. Já houve períodos na História em que os idiotas mandaram e outros períodos em que os idiotas foram perseguidos por outros idiotas. Hoje em dia, em plena democracia, a melhor resposta que arranjámos para o problema passa por permitir que os idiotas se mostrem livremente, a fim de que ninguém no seu perfeito juízo os escolha. Demos agora uma oportunidade ao PNR para se mostrar e o resultado foi o que se esperava.

No fundo, o que eu quero dizer é isto: na questão do cartaz do PNR do que menos precisamos é de uma discussão bizantina sobre os limites da liberdade de expressão, sobre as opiniões que se podem exprimir e as opiniões que se devem banir. Num regime político assente na liberdade e no pluralismo, devemos admitir quaisquer opiniões, por mais repugnantes que sejam. Não é com leis específicas, com a omnipresente Constituição portuguesa ou com a recente tendência contemporânea para punir por delito de opinião as posições políticas mais inconcebíveis que estes fenómenos de radicalismo e indignidade se combatem.

Cada vez que o PNR insultar os imigrantes, mostremos que a imigração é útil e necessária a Portugal; cada vez que o PNR exaltar os direitos dos portugueses sobre os estrangeiros, expliquemos que isso é tão legítimo quanto em França os direitos dos franceses estarem acima dos nossos emigrantes ; cada vez que o PNR demonizar as minorias, expliquemos que os membros do PNR são também uma minoria e com grande benevolência nós respeitamos que eles existam. Não façamos desta gente mártires da liberdade de expressão.

Pedro Lomba, DN, 03 IV 07

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