quarta-feira, outubro 31, 2007

Histórias do frio e dos fundos

para quem me conhece... este frigorífico vale mil palavras...







Poema para henri cartier-bresson 74 anos depois de Hyeres

(...)
há um momento

onde não sei onde estou
quando não sei onde vou
e acontece-me esta mudança
que decorre da vontade
que decorre da procura
que decorre do silêncio
de sair do nome estar para o verbo ir
perceberás porquê?
(...)

excerto de Poema para henri cartier-bresson 74 anos depois de Hyeres de M. Tiago Paixão

Diário de bordo (continuação)

10 X
Acordar com um telefonema do prof. Pean não é nada agradável, acreditem. Era para não me esquecer da reuinião hoje em Paris com o ministério da educação. Dicas pedagógicas, dizem. Lá tomei banho e segui para Paris. Lycée Louis Le Grand. O melhor em França. Muito simpático, mas muito diferente dos nossos liceus… o mais próximo será talvez o Liceu Camões ou algo assim… Tem claustros, salas bem grandes, diversos anfiteatros, mas sobretudo uma campainha que parecem umas cornetas medievais. Muito engraçado. A reunião foi interessante… Uma professora portuguesa e uma brasileira. Simpáticas e prestáveis. Quanto aos assistentes… Dois grupos se formaram logo: os portugueses e os brasileiros. Um rapaz simpático, da Nova, um pouco introvertido. Mas muito inteligente. Outras duas raparigas, do Norte. Uma de Famalicão e outra de Mondim de Basto. Já viveram em França. Têm um francês de alto nível que me deixou mais do que envergonhado. Sobretudo a Dalila é muito simpática e como já conhece a vida em França mostrou-se logo disponível para dúvidas que tenhamos. O grupo brasileiro era muito simpático. Duas moças e um rapaz. Depois café com malta toda, ou melhor cerveja. Combinou-se ver o França-Inglaterra no Hotel de Ville, no sábado, e beber-se uns copos.
11 X
Grande Liceu, o de Talma, em Brunoy. A 5 minutos da estação. Depois de apenas 6 minutos de comboio. Em menos de meia hora chego ao liceu. Melhor só mesmo o de Queluz. O problema, o de sempre. – Ah! Não estávamos a contar consigo. – Favor esperar um pouco. E esperei. 1h20. A professora, Lúcia Palmeira, muito simpática, tuga típica, baixinha, morena, quarentona. Conheci uma turma. Os do 2º, equivalente ao 10º. Não são muito complicados. Depois segui para Corbeil muito atrasado mesmo. As turmas do colégio La Nacelle são do 6º (5º em Portugal), e 4º (7º) são um pouco mais duras, sobretudo a do 4º. Eles não se calam. Lá regressei para casa a pensar nisso…
12 X
Mais uma vez aulas em Corbeil às 8h30… Acordar antes das galinhas… mesmo. Que gelo! Parecia que estava na Antártida. Quando cheguei à escola com estalactites no meu corpo vi vários professores só com uns casacos frescos e camisa. Só me diziam… Frio??? Estão 6 graus. Espera por Fevereiro e vais ver…. Aulas e depois almoço com o professor e outros 5 num restaurante português. Fiquei a saber que ele é mesmo de direita, conservador, e tudo mais nessa área… O almoço… muito bom… e foi oferta do professor, e as entradas e digestivo de outro. E como sabem quando é oferta… eu não falho. Voltamos à escola para preparar as aulas, e definir o meu horário. Sai às 16h… queria ainda ir a Paris… mas já não fui capaz, estava mais do que exausto. Deitei-me bem cedo…
13 X
Acordar com calma, ler os jornais e blogs portugueses, e preparar-me para Paris. Ter com a Ana para ver o jogo de Portugal num café português. Segundo o mapa era quase ao lado da gare de Lyon… não… eram quase dois kms. E depois… um engano enorme. O jogo era às 17h em Portugal, o que significa 18h aqui, e não 16h… ehehehe. Foi um jogo q.b., mas deu para o meu principal objectivo. Conhecer mais um sítio português, onde posso ver o Benfica, e beber umas cervejas mais baratas (2,30€). Ai! Meu Vai Tu! Depois fomos ter com o pessoal ao Hotel de Ville (câmara municipal), mas o jogo tinha sido mudando para o Champs de Mars (frente à Torre Eiffel), e lá fomos nós com mais uns largos milhares de pessoas. A França perdeu… mentiria se escrevesse que fiquei desolado. Depois… conhecer a noite parisiense com os assistentes. Quartier Latin, é o mais próximo do Bairro, mas claro mais caro. Lá conheci um francês do hip-hop, um grego e outro francês. Era um grupo muito suis generis. E só acabou de manhã. Primeiro metro… RER para casa, perdi o passe… e adormeci no comboio, obvio. Tinha que acontecer.
14 X
Dormir o dia quase todo. Era obvio…
15 X
Assistir a mais umas aulas em Brunoy. Conhecer mais uns alunos. E depois Corbeil. Nada de mais neste dia… Ah! Comprei o bilhete para o Natal. 23 de Dezembro. Portugal!
16 X
Brunoy. Corbeil. Agora sim, conheço todos os alunos. Gosto mesmo mais de Brunoy. Mais não seja porque… há greve geral na quinta e fazem greve em Brunoy, enquanto em Corbeil o prof. disse logo que isso das greves eram coisas da esquerda (com um ar bem condescendente). Voltei para casa, passando por casa do Richard Riff (amigo de juventude do Luís) onde bebi um copo e conversei um pouco sobre a cultura mediterrânea. Ele é argelino, e como tenho um aluno argelino que engraçou logo comigo porque eu não gosto do Sarkozy, quis saber algo mais sobre a Argélia.
17 X
Acordar bem tarde. Arrumar e limpar a casa. E ir ver o jogo de Portugal com o Kevin. Depois fiquei a jantar lá por casa da Goretti. Não cheguei a tempo de falar com ninguém na Internet.
18 X
Acordei ainda mais tarde. Também não se faz nada hoje. Há Greve! Fiz uma máquina de roupa e pouco mais… O dia foi passado no computador a passar os e-mails, e a preparar músicas portuguesas, brasileiras, e africanas para dar aos meus alunos. Aceitam-se ideias para depois do Natal mostrar coisas aos putos…
19 X
Greve de manhã. Felizmente. Quando a situação melhorou no final da tarde segui para Paris. Aproveitar o lire en fête. Descobri uma pequena livraria-café, do género da eterno retorno, que tinha a leitura de uma peça muito simpática. O 11º promete. Tem inúmeros espaços deste género, e também clubes de jazz e bares. Mais um passeio, umas cervejas no Marais (Soho francês) e regresso a casa depois do rugby e de mais uma derrota francesa. E sem o saber apanhei o ultimo comboio. Afinal a greve continuara. E posso garantir que ficaram centenas de pessoas no cais errado. Era o bordel. No regresso uma conversa com um marroquino e dois senegaleses sobre ser imigrante e ter saudades de casa. Em França toda a gente mete conversa com toda a gente.
20 X
Acordei tarde, mas não muito. Tive que ir à Caixa, em Paris, buscar o mb (carte bleu). Regresso a Combs para ir ao hipermercado com a Goretti e miúdos. Depois jantar de racletes enquanto acompanhava o rugby, e a triste jogatana do Benfica.
21 X
Depois do almoço segui para Paris. Mais leitura do lire en fête na casa da Europa e . Espaço muito agradável mesmo, um dono 5 estrelas, e livros baratos. Ah. E possibilidade de passear no antigo caminho-de-ferro para Istambul que é hoje um jardim suspenso. Lindo!
22 X
Merda de greve. Manhã Brunoy. E depois 3 horas para chegar a Corbeil. Exausto. Tout simple!
23 X
Aula em Brunoy de manhã. Acho que estou a ficar meio adoentado. Atrasei-me um pouco a sair da escola porque fiquei com a prof. Lúcia a preparar a aula de sexta. Apanhei o comboio, e como é hábito mudei em Villeneuve St. Georges. Quando ia a entrar deixei passar um casal e umas pessoas. Entrou toda a gente, e então o rapaz do casal começou a gritar com um rapaz lá fora sobre a sua miúda, traição, etc. Começaram os pontapés… e continuaram. O comboio arrancou, mas o rapaz que estava lá fora conseguiu entrar. O caos. Os dois à porrada. Toda a gente a fugir para o fundo da carruagem. Ao lado dos dois que lutavam violentamente quatro amigos que observavam impávidos, e a namorada nada serena. Ninguém se meteu e durante quatro minutos até à paragem seguinte houve socos, pontapés, cabeçadas e sangue. Chegámos à estação seguinte e eles saíram lá para fora… parecia tudo mais calmo. Eles afastaram-se cada um para seu lado. Mas havia uma última boca a mandar… e apesar de estar toda a estação e comboio a olhar recomeçaram. E ninguém fez nada quando o rapaz (o do casal) caiu desamparado e apanhou com um pontapé na cabeça. Nada. Sangue em todo o lado. Berros. Outro fugiu. Ninguém o agarrou. Nada. O pessoal da SNCF apressou-se a colocar um pano por cima do rapaz que estava no chão. A namorada chorava agarrada a um segurança que aparecera entretanto. Policia e bombeiros pouco depois. Ambulância. Olharam… abanaram a cabeça, puseram um colar cervical. Talvez diziam. De seguida, duas carrinhas da polícia de intervenção chegam… varrem o nosso comboio e espalham-se pelas ruas envolventes. De repente… o comboio arranca calmamente… como se fosse apenas mais um dia…. Uff… primeiro momento banlieu.
24 X
6h30 da manhã… acordar para ir para Sévres para as jornadas pedagógicas. Dia inteiro nessa treta. Depois, ida a Paris ver o Benfica ao churrasco, novo restaurante fetiche. Regresso a Sévres para dormir.
25 X
Mais Sévres… Muita pedagogia…
26 X
Corbeil de manhã. Brunoy de tarde. Dei a minha primeira aula… Música o Leãozinho para os alunos compreenderem e cantarem. Resultou bem! À noite fui com a Ana ver uma potencial casa para ela. Pessoal muito simpático e em principio será mesmo essa casa.
27 X
Férias. Já não era sem tempo… heheheehehehhehehe. Ida a Paris para passear um pouco pelo Marais, e beber uns copos num bar gay. Depois fomos até ao 20º ver uns filmes sobre o 25 Abril numa associação. O que podia ter sido muito bom, tornou-se quase tragicamente irónico. O ambiente era de semi-clandestinidade como se o que estivéssemos a fazer fosse algo mais do que proibido. E depois o debate… surreal. Jovens bloquistas que aproveitavam o palanque para questionar a entrada na UE, o tratado Europeu, e comparavam Sócrates a Salazar. Um pouco mais de respeito por quem viveu a ditadura mesmo, talvez. Depois seguimos até ao Frigo, um bar na zona de Bercy, mas nas docas.
28 X
Museu Picasso, de manhã. Uma exposição permanente muito boa, a temporária então… excepcional Depois um passeio por St. Germain. E depois… Benfica no Churrasco. Regressei a casa por volta da meia-noite. Tudo muito deserto. Demasiado deserto. Não vi uma única pessoa desde a estação até casa.
29 X
Primeiro dia no Louvre. Primeiro de muitos. Ah… e já tenho passe do Louvre. Vi a ala da Arte do Islão. Depois Pub St. Germain. Muito cool.
30 X
Manhã em La Vilette. Mais um passe… para poder lá voltar durante um ano. Fiz algumas das experiências de física que podíamos, e tive no planetário mas o filme era assim a modo que básico. Deu para descansar um pouco. Depois… mais uns copo num bar gay do Marais.
31 X
Dia caseiro. Limpar a casa, lavar roupa e sobretudo fazer as compras do mês, no Cora. Final do dia… jogo do Benfica…

Incursão ao “neo-liberalismo”

Partindo do artigo do Liberation, de 29 de Outubro, sobre as quotas de Sarkozy para os imigrantes e atendendo a que é um artigo expositivo, mas de conteúdo opinativo o seu conteúdo provoca algumas questões. A sua problemática, apesar de ainda não se encontrar presente em Portugal, deverá atingir a classe politica mais tarde ou mais cedo atendendo à alteração dos fluxos migratórios internacionais.
A sociedade actual tem necessidades no mercado de trabalho que são variáveis no tempo e nos espaços, e estas tem que ser calculadas para uma melhor distribuição da força activa. Poderemos chamar-lhe uma visão muito determinista ou funcionalista, mas a verdade é que não é bom para ninguém áreas com excedentários.
Ou seja, a ideia de dividir o mercado de trabalho em áreas é positiva, mesmo a separação entre empregados qualificados e não qualificados. Agora que este estudo e a sua definição das áreas excedentárias seja só utilizado para a comunidade imigrante é que o torna claramente xenófobo e persecutório às mesmas.
Para esta análise ser útil e promover uma melhor evolução da sociedade que diminua as dissimetrias sociais e o desemprego é necessário que seja acompanhada da requalificação dos desempregados e dos trabalhadores precários, quer sejam imigrantes ou nacionais. É, igualmente, fundamental uma relação estreita entre o mundo académico e empresas para uma concretização dos excessos e falhas no mercado de trabalho.
Obviamente, esta visão orientada e regulada pelo mercado de trabalho tem um defeito claro que reconheço desde o primeiro momento, áreas como as artes ou ciências sociais encontram-se numa posição muito fragilizada. Mas penso que essa debilidade poderia ser compensada com o reconhecimento real do Estado e empresas do papel destas áreas na sociedade actual.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Este Estado!

É duro este estado. Ontem ali, hoje aqui. Aqui e ali a uma pequena distância. De tempo.
E é duro. Senti-la ausente.
Do ontem para o hoje não consigo sentir as diferenças. Estava ali. Agora aqui. O espaço a cinzento, veste hoje o verde. O tapume onde era remendo. O autocarro atrasado onde era comboio. O conhecido onde era amigo.
E tudo tão pouco desconhecido. Parece que já foi sentido por outros, e por isso compreendido por nós.
É duro. Não o sentir. Assim, aquela incompreensão e distância, amarga. Um frio de solidão, aqui.
Mas parece tudo tão aqui. E é duro. Não sentir…
Ser um Pessoa que chora quando morrem. Porque tem que ser. E é duro. Não sentir que morrem quando tem que ser. Mas sentem quando tem que ser. E daí ele durar. Como eu duro neste estado. Um estado duro de ser!

Obs.: Reflexão a partir de sentimentos estranhos que a ausência dos próximos me provocam. Mas também do être que é ser e estar. E como isso é duro para jovens estudantes de português que ainda não sabem se são ou estão.

sábado, outubro 27, 2007

Poema I

A poética estava toda lá.
Tinhas lido
aqueles que devias,
e leras
mesmo
outros.
Que também são lidos
por outros como tu.

Não gostavas da rima.
Era muito básico.
Popular.
Arcaico.
Redutor.
Perdia-se a palavra.

Gostavas das palavras caras
compradas nos romances
e ensaios
que ganhavam prémios.
Aqueles,
grandes,
internacionais.

Falavas bem.
Eras bem falante.
E fazias do café
um palco de ideias, debates, discussões,
acaloradas
sobre a escolha certa da palavra.
A palavra certa.

Nunca te vi só,
tinhas amigos de café,
da livraria,
do alfarrabista,
do liceu,
faculdade,
e até aqueles grandes nomes
já os conhecias.
E privavas com eles com um sorriso.

Citavas de cor,
gregos,
romanos,
medievais,
modernos,
contemporâneos,
desconhecidos,
ilustres,
e os demais restantes.

Todavia nunca criaste
algo.
Que te orgulhasses.
Era sempre pouco.
Fraco.
Vulgar.
Mundano.

E se querias a imortalidade...
talvez só morrendo...

Uns comprimidos e álcool,
servidos em copos de desespero.
Era o inicio da tarde.
E ficaste estendido na mesa.
Com a caneta na mão.
E uma folha.

Duas palavras.
Na folha que já não era,
branca.

Não as entendi.
Desculpa.

domingo, outubro 21, 2007

Maison d'Europe et d'Orient

A vida é um fenómeno de massas.
Eu colecciono apenas instantes.

tradução livre da leitura de L'Autre Côte de Dejan Dukovski, na Maison d'Europe et d'Orient, no Lire en Fête, 21/10/07


















Exposição de fotografia de Grégoire Eloy



Sobre a razão

Num país que não conhece
sequer o sabor da sua própria nudez

erramos na noite sobre os membros
o peso obscurecido do desejo -

tão alta é a nossa razão
que somos nós a boca mais fresca do sol.

Eugénio de Andrade, Véspera da Água, Limiar, Porto, 1979

sábado, outubro 20, 2007

Com o silêncio!

Sabes com quem discuto mais?
Com o silêncio!
Com o silêncio entre barulhos.
Com o silêncio entre notas.
Com o silêncio entre palavras.
Com o silêncio!

tradução livre da leitura de «la première lettre» ( Ed. Le bruit des autres) por Armand Gatti. - 19/10 - café littéraire l'Ogre à Plumes

sexta-feira, outubro 19, 2007

Portugal e UE - europeistas convictos

A recente vitória no projecto de construção europeia contou claramente com um papel de destaque português.
Há coincidências é certo, mas é claro e evidente que é resultado de um esforço da presidência portuguesa. Aliás, tal como acontecera na presidência anterior, o seu semestre fica marcado por importantes e significativos avanços.
Num trabalho de investigação no âmbito da minha pós-graduação (disponível se pedirem) frisara que Portugal era claramente, a par da Espanha, um dos países mais europeístas.
A análise do eurobarómetro então efectuada mostrou que Portugal tinha tendencialmente valores superiores aos da média europeia nas questões relacionadas com: futuro da EU; projecto europeu de segurança comum; moeda única; livre circulação de pessoas; e até constituição europeia (não presente no estudo). O resultado mais negativo de Portugal situara-se no receio da entrada de novos estados e a consequente “afundamento” da economia lusa. Destaque ainda negativo para o constante valor elevado dos não sabe/não responde nos inquéritos portugueses que demonstram algum desconhecimento da Europa. Se serve de desculpa esses valores não são muito diferentes dos da taxa de abstenção nas eleições nacionais.
O que parece mais evidente é que o europeísmo português é facto relevante na própria construção da identidade da sociedade portuguesa actual. Pode-se mesmo verificar isso com o elevado número de jovens que migram dentro do espaço europeu. Estes novos fluxos migratórios não são como antigamente para toda a vida mas temporalmente a curto-médio prazo, e com diferentes destinos e propósitos (propostas de emprego; Erasmus; Sócrates; férias, etc).
O esforço político português é assim a concretização de uma mentalidade europeia da sociedade portuguesa, e é um achievement do qual podemos orgulhar-nos bastante.
Uma observação ainda para a visão dos media franceses sobre o Tratado de Lisboa: realçaram o papel de Sarkozy na proposta de alteração de constituição para tratado; criticaram Polónia e Itália pelas dificuldades apresentadas antes da assinatura; e elogiaram fortemente a presidência portuguesa nas pessoas de Sócrates e Amado, mas também Barroso. A TF1 (canal publico francês controlado pelos socialistas portugueses) fez ainda referência a como na actual legislatura Portugal recuperou do atraso económico dos últimos anos, e se aproxima de ser um bom aluno.

terça-feira, outubro 16, 2007

Amor! Essa bonita palavra cristã...

DN - Na sua opinião, uma mulher que é agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar-se?

Depende do grau da agressão.

DN - O que é isso do grau da agressão?

Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos.

DN - Então reformulo a questão: agressões pontuais justificam um divórcio?

Eu, pelo menos, se estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amava verdadeiramente no resto do tempo, achava que não.

Reitor do Santuário de Fátima, Luciano Guerra,em entrevista ao DN 13/10/07

Portugal também pode ser um exemplo!

Esta noticia tem que nos deixar cheios de orgulho. Mais do que isso é a garantia que assim a desigualdade e a conflituosidade social diminuem. Entidades como o antigo ACIME com o seu trabalho no terreno e a Gulbenkian e outros centros de estudo no apoio teórico estão todos de parabéns. Porque... Portugal também pode ser um exemplo!

Portugal é o segundo país de uma lista de 28 (25 Estados-membros da União Europeia, Canadá, Noruega e Suíça) com melhores políticas de integração de migrantes, nomeadamente no acesso ao mercado de trabalho, reagrupamento de famílias e práticas contra a discriminação.

As conclusões fazem parte do estudo "Index de Políticas de Integração de Migrantes 2006", ao qual a Lusa teve hoje acesso e que será apresentado amanhã em Lisboa, um trabalho feito por um consórcio de organizações europeias, lideradas pelo British Council e pelo Migration Policy Group, em Bruxelas.

No topo da tabela surge a Suécia, com uma média de 88 pontos (em cem possíveis) em seis itens de análise: acesso ao mercado de trabalho, reagrupamento familiar, residência de longa duração, participação política, aquisição de nacionalidade e antidiscriminação.

Portugal surge no segundo lugar, com 79 pontos, seguido da Bélgica (69 pontos), Holanda (68 pontos) e Finlândia e Canadá (ambos em quinto lugar, com 67 pontos).

No global, os Estados-membros da União Europeia estão a fazer apenas metade do que poderiam fazer para melhor integrar os migrantes, consideram os investigadores do consórcio de 25 organizações europeias - em Portugal, a parceira é a Fundação Calouste Gulbenkian.

O estudo faz um "ranking" das políticas destinadas a integrar os 21 milhões de migrantes em 25 Estados-membros, bem como no Canadá, Noruega e Suíça, analisando 140 indicadores que incluem: direitos dos imigrantes no local de trabalho, oportunidades para se fixarem de forma permanente no país-destino, leis de combate ao racismo e à discriminação e possibilidade de reunificação de famílias.

Nos piores lugares da tabela surgem a Eslováquia e a Grécia (40 pontos de média), Áustria e Chipre (com 39 pontos) e Letónia (30 pontos).

15.10.2007 - 18h48 Lusa

sexta-feira, outubro 12, 2007

o nosso próprio véu...

Estou em França, no país da polémica. Talvez mesmo no coração de tudo. Os banlieue.

Em conversa com o professor Pean sobre esta questão ele referia que era melhor nem se falar disso. Demasiado polémico. É à direita (como no caso dele), mas também à esquerda.
Para a direita é inadmissível que algo ponha em causa a autoridade do Estado (conceito central e fulcral do seu raciocínio), bem como moral e regras vigentes. À esquerda o papel da mulher e o peso da religião são os dilemas fundamentais deste conflito.

Começando pela esquerda e tendo em conta a minha experiência pessoal, sobretudo agora com a observação de jovens muçulmanas e da sua relação com outras parece claro que não existe ali nenhuma obrigação, antes pelo contrário, orgulho. Quanto às suas amigas estas parecem compreender e aceitar completa e naturalmente esta opção. A quem faz confusão então? Às feministas de escritório que já não saem à rua há muito tempo e leram o Deuxiéme Sexe ainda há mais.
O recente crescimento da religião muçulmana num mundo ocidental de anti-clericalismo também em crescendo provocou na esquerda um enorme choque. O catolicismo e outras religiões têm vindo a perder papel nos tempos mais recentes, e todavia seitas especificas e o Islão tem vindo a crescer. Há que saber dar a volta a esta situação, e como? Fundamentalmente eliminando o fosso entre pobres e ricos no Mundo e nas cidades, mas também reestruturando toda a lógica urbanística das metrópoles ocidentais.

Como referi anteriormente a abordagem da direita ou dos conservadores nesta problemática é um pouco mais linear. Prende-se sobretudo com o receio de que uma religião, seus hábitos e costumes possam ultrapassar e interferir com as regras, direitos e deveres do Estado. É, talvez, por isso impossível não notar similitudes com os atritos entre Nobreza e Clero na Idade Média e período Moderno. Há talvez o receio que o contexto pós-Revolução Francesa em relação ao laicismo do Estado possa estar em perigo. E estará mesmo? Tal como à esquerda a solução encontrar-se-à com o equilíbrio social e económico de forma a impedir o fascínio pelas religiões.

Em suma, talvez não seja mau de todo compreender primeiramente o que leva jovens muçulmanas a querer usar o véu. É uma prática que apenas a cada um diz respeito, ao contrário do fumo, ou do choro de uma criança que afectam outros. Além disso não é obrigação do Estado proteger as liberdades e escolhas de cada individuo desde que estas não afectem ou interfiram com terceiros?

Mãe, arranja-me um amigo destes

Uma dívida de 12,5 milhões de euros foi considerada incobrável pelo BCP a um conjunto de cinco empresas de um dos filhos do fundador do BCP. Filipe Jardim Gonçalves e seus sócios beneficiaram de um perdão na sequência da falência das empresas que dirigiam.
Numa investigação feita ao longo das últimas semanas, Filipe Jardim Gonçalves disse ao Expresso que não houve qualquer situação de compadrio pelo facto de ser filho de Jardim Gonçalves.
O Expresso apurou que neste processo considerado polémico e estranho por accionistas e quadros do banco, estiveram também envolvidos, Filipe Pinhal, actual presidente do Banco e Alípio Dias, administrador.

in Expresso

quinta-feira, outubro 11, 2007

Já não há público para este Público

Simplesmente vergonhosa a forma como a linha editorial do Publico tem agido nos ultimos tempos... este foi apenas mais um exemplo...

A direcção de informação da RTP assegurou hoje que o actual conselho de administração (CA), presidido por Almerindo Marques, “nunca se imiscuiu, de qualquer forma, nos critérios editoriais definidos”. Esta tomada de posição surge um dia depois de o CA da televisão pública ter anunciado que “vai iniciar os procedimentos legais com vista ao apuramento de responsabilidades” do jornalista e ex-director de Informação José Rodrigues dos Santos por causa da entrevista concedida à Pública, na qual declarava que “a administração da RTP passa recados do poder político”.
Os factos relatados na entrevista dizem respeito ao período em que Rodrigues dos Santos exerceu o cargo de director de Informação (entre 2002 e 2004) e, mais especificamente, ao processo de nomeação de Rosa Veloso como correspondente em Madrid.

Em comunicado, a direcção de informação (DI) começa por sublinhar que “não põe em causa, obviamente, o exercício da liberdade de expressão de José Rodrigues dos Santos, ou de outro qualquer jornalista”, e que, “pela mesma razão, não questiona o direito de resposta do conselho de administração”. Justificando esta tomada de posição “face a interpretações oportunistas, tentando ligar este episódio do passado à situação presente”, a DI refere que José Rodrigues dos Santos, nos esclarecimentos que prestou, afirmou que, “em relação ao período actual, revê-se sem reservas nos critérios editoriais da actual direcção de informação, porque é seguido o Livro de Estilo da RTP”.

Segundo a DI, o jornalista diz também “desconhecer qualquer tentativa de influência da administração na actual direcção de informação”. Adianta o comunicado que, após reuniões do conselho de redacção com o jornalista, “ficou por esclarecer o que o levou a declarar à ERC, em Novembro de 2006, que já tinha sido pressionado, contrariamente ao que afirmara em 2004”. E que o jornalista também “não esclareceu se se revê no título dado pelo PÚBLICO à entrevista”.

Estranhando que “uma entrevista feita em Agosto, sem quaisquer factos novos, seja publicada em Outubro, com honras de primeira página na revista Pública e com chamadas, em dois dias seguidos, na primeira página do PÚBLICO”, a DI visa, depois, o director do jornal. “São os insondáveis critérios editoriais do PÚBLICO, cujo director, como se sabe, foi alvo de um processo-crime por difamação por parte da direcção de informação da RTP, actualmente a decorrer”.

Em declarações ao PÚBLICO, José Rodrigues dos Santos diz ser “estranho” que a direcção de informação da RTP levante a questão do título. “Na reunião de ontem não me foi perguntado se concordava com o título. Se o tivessem feito, imediatamente teria dito que não concordava, como, aliás, comuniquei isso mesmo no dia da publicação da entrevista à jornalista do PÚBLICO”. Relativamente à alegada contradição nas declarações à ERC, o jornalista desmente-a, remetendo para a leitura da própria entrevista. “Não há contradição nenhuma e quem ler as minhas declarações percebe claramente por que é que eu disse à ERC que já tinha sido pressionado”.
in Publico 10.10.07

Institut du Monde Arabe

ÇA VA! ÇA VA! AVEC LA CLASSE! E O RESTO É DIÁRIO DE BORDO

30 IX
França. Chega-se ao aeroporto. Grande confusão para as malas e tal… começo a desconfiar da organização francesa. RER para o centro de pais… sítio após sítio reconheço grande parte dos sítios onde estive anteriormente.
Place de la Sorbonne. Hotel. Malas no quarto e rua… Franceses ganharam à Geórgia mas não vejo grandes manifestações de alegria. Talvez se tivessem ganho à Argentina, e não tivessem que ir jogar a Cardiff contra a Nova Zelândia... Passeio pelo Jardim do Luxemburgo, St. Germain de Prés, Louvre, Palais Royal, e de volta pelo Quai de Orsay até ao jantar no Luxemburgo. Um salmão grelhado excepcional.
1 X
Autocarro é bus…Banco é Caixa! Mas fechada à segunda… Paciência! Visita da exposição da Vieira da Silva na fundação Gulbenkian-Paris. Muito boa! Sobretudo porque ver a Biblioteca em Fogo em Paris é qualquer coisa. Desço pelos Champs Elyseés com as minhas tropas até aos Invalides. Museu d’Orsay. Lanche e ida para Combs-la-Ville. De táxi. Escândalo! 50 euros… mas paciência, nada a fazer com Madame Pola. Na casa… bem o que se espera de uma casa de velhota. Muitos souvenirs bastante úteis numa troca de dádivas com os índios da Amazónia, e muita pouca coisa realmente útil numa estadia de 9 meses, em França. Primeiras limpezas da casa, e dizer um olá ao Richard Riff (amigo do Luís de longa data). Regresso a casa. Mais limpezas e descanso.
2 X
Acordar com o gardien para ligar o gás, e depois acabar de limpar a casa com a mã… Ida para Paris com o Richard (era necessária uma prova de que habito com ele para abrir conta) e direito ao primeiro grande engarrafamento. Quase, quase ao nível do IC19. Estou a gozar, claro que foi menos. St. Germain de Prés e compra-se uma mochila. Acho que já tenho um ar mais sério… Caixa! Sr. Nascimento, muito simpático. Mas do Sporting, pois não avançou nenhuma informação sobre as casas do Benfica e eu que já ando nervoso com isso. Mas mais ainda com esta burocracia. Para tudo são preciso provas de residência, e para abrir uma conta só digo… 2 horas. E se não fosse a minha mãe ser caixa… ui… teria que marcar uma reunião para ter direito a abrir uma conta. Os gastos com a conta são consideráveis (mais de 100 euros ano), e para ter cheques… tenho que esperar mais uma semana… o que significa… uma semana sem Internet nem telemóvel… Porque não se pode comprar net, nem telemóvel sem prova de residência em França, nem documentos do banco como se é uma pessoa bonita, simpática, inteligente, bem-falante… Se calhar mandavam para o banco alguns comentários vossos sobre a minha pessoa. Seria simpático. Nova descida pelos Champs Elyseés, e mais umas compras para a casa. Já tem um aspecto bem cool, e já começa a estar bem simpática para receber um pessoal. Atenção: só aqueles que enviaram os comentários para o banco. Jantou-se num restaurante simpático, sobretudo porque além de bife com batatas fritas tinha acesso à Internet e eu estava mesmo a precisar. O tempo vai passando… e nada de informações de Portugal, ou da colega Sara sobre os locais da formação. Na escola ainda menos informações. Eles só nos recebem… dizem. O tempo vai passando… e realmente a organização francesa, neste caso a do ministério da educação, deixa muito a desejar. Entretanto descobri que deixei o carregador do telemóvel português em casa o que significa que estou incontactável até sábado quando a minha mãe se for e eu ficar com o telemóvel dela e com o meu cartão.
Nota: O que lhes parece faltar em organização compensam em cultura: hoje cantava o Abd al Malik no Olympia, sexta o Ben Harper, e para a semana Ani DiFranco. Amanhã começa uma exposição de fotografia e pintura de David Lynch, e no final da semana estreia uma peça na Comedie Française que parece excepcional… A reter.
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Hoje consegui dormir até mais tarde. Soube mesmo bem… dormir até às 9h… Depois segui até Paris, ao Georges Pompidou para ler e mandar e-mails. Uma volta pela Sorbonne para procurar casas… talvez seja melhor arranjar casa em Paris para aproveitar as vantagens culturais… como a nuit blanche do próximo sabádo. Na zona de St. Germain de Prés descobri um cinema que é um mimo, só ciclos de Fassbinder, Rohmer, Manuel de Oliveira, Godard… e tudo a 5 euros. Muito bom! Depois mais umas voltas pelo Marais e compra do telemóvel (0033) 6 18 44 44 45. Mais uma vez Paris no seu melhor… uma hora para comprar um telemóvel de cartão recarregável. Encontro com a mãe num café ali perto, e regresso aos banlieue com a baguette debaixo do braço. Em casa, jantar de saucisson, brie, salada e fruta… e ver o jogo do Liverpool-Marseille. Grande jogo. Melhor golo ainda. Enquanto isso as mensagens de Portugal, do Benfica, sucediam-se a um ritmo alucinante… e a raivinha crescia… Ai! Se eu fosse sócio…
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Hoje, finalmente, acordei mesmo cedo. 8h. Já fez algum frio, mas senti-me bem cómico ao ir comprar a baguette e o l’équipe e traze-los debaixo do braço. “Tanto!” Pequeno-almoço e “allez pour la station”. Uma das poucas vantagens de ficar em Combs la Ville e não em Paris é a paisagem. De Combs a Corbeille é tudo verde e Sena. A vista é muito bonita e penso mesmo que os conceitos de subúrbio e arrabalde não foram escritos nestas paragens. Mesmo a chegada a Corbeille-Essonnes mostra uma cidade muito pacata e calorosa, no entanto, é a mesma cidade onde foram mortos dois policias há um ano, e hoje os responsáveis vão a tribunal. Devido a isso uma das carreiras que me levaria à escola está cancelada. Eu explico… há nesta cidade um bairro muito complicado… onde ocorreram esses distúrbios há um ano, e como hoje o julgamento é hoje… acharam melhor cercar hoje o bairro e não entra nem sai ninguém. Sim, um bloqueio total! A verdade é que esta terra destrói a teoria sociológica de que existe uma relação entre a violência humana e o caos urbanístico… este local é demasiado simpático para o que acontece “lá fora”. Lá cheguei. 1h50 depois… apenas 18 kms se fosse a direito… e se não tivesse quase que ir a Paris e voltar… O colégio está em obras. Completas!!! Já conheci alguns professores. Os mais novos e mais simpáticos. Parece que estão a decorrer as eleições para o conselho pedagógico e as duas listas são basicamente professores novos vs old school. Infelilzmente o Prof. Pean é mais velho (cinquenta e poucos) e não gostou de me ver a beber café com os mais novos… começou logo a dizer que eu não era assim tão ideal e blá blá blá… logo se via… mas não devia trabalhar as 8 horas de certeza. Paciência! Já tenho um jogo da bola para a semana com os professores de educação física contra os putos da escola. Não tarda virão as cervejas… Esperei pelo director Ondokine quase duas horas. E apesar de ter estado pouco tempo com ele foi muito simpático. Gostei dos projectos que tem para uma escola complicada numa zona delicada. Sinto estar num projecto muito aliciante… e gosto. Voltei para Paris após uma conversa surreal com um magrebino no bus… algo sobre horários e noção de tempo. Surreal. Jantar num restaurante italiano muito cool com um cozinheiro que faz certamente concorrência ao Alex. Um sítio a regressar!
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Algumas dicas para quem vier cá… visto que vão ficar na casa de Combs têm que contar com 50 euros para o passe e uma foto, mas depois dá para tudo durante uma semana. Recomendo mesmo que venham uma semana… menos não compensará. Já há sítio para beber chocolate quente, e comprar livros em segunda mão ao preço da chuva... ou talvez ainda mais barato. O tempo continua relativamente quente para a época do ano e sobretudo para a cidade. Já me perco menos e vejo já a cidade de cima. Não que me perdesse mesmo, simplesmente não fazia os caminhos directos e tinha medo de fazer corta-mato. Paris parece-me bem giro do que nas outras vindas, sobretudo os homens e mulheres que estão sempre muito arranjados e com uma pinta. Quase como Lisboa. Claro que no RER para casa a situação volta ao normal. ;) Amanhã vou a uma manif contra o governo da Birmânia, e depois à noite há a "noite branca". E não da branca. Terça-Feira devo receber os cheques do banco e devo poder ir logo comprar a net. Eu explico... os cheques têm a morada e através dela posso fazer os contratos com a empresa de internet. Vai ser uma móvel, que só funciona das 18h às 0h00 e todo o fds... mas não permite download de programas tipo e-mule. 30 euros. É o melhor que se arranja facilmente, acreditem. Mas estou-me a cagar já só quero internet para poder falar com Portugal. Sobretudo agora que a minha mãe se for e ficar mesmo sozinho. Aproveitem bem estes primeiros dias do diário de bordo porque como imaginam mais tarde ou mais cedo este tornar-se-á mais espaçado. Sobretudo se não receber respostas. E eu que até estou a enviar e-mails personalizados.
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Acordar cedo e ir directamente para Paris. Um último almoço com a mãe e adeus “cordão umbilical” (titulo de um livro que a Ana ofereceu à minha mãe enquanto agradecimento pelo apoio nos últimos dias. Depois manifestação pela Birmânia em frente à embaixada da China. Esperava mais gente. Deviam estar só umas 200 pessoas. Muito pouco, mas também estavam a decorrer mais duas manifs… cidade grande tem destas coisas. De volta para o Hotel de Ville, mas não a tempo do primeiro jogo dos quartos de final de rugby. Ah, e Paris ao sábado à tarde não é aconselhável de carro, nem de bus, não mesmo. Um copo aqui e outro ali. Depois jogo da França, grande vitória e uma alegria aqui… o caos. Quanto à noite branca. Desilusão. Eram só algumas instalações de luz e os museus aberto até um pouco mais tarde… 22h… não era grande a diferença. A própria organização admite que desta vez perdeu para o rugby.
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Acordar cedo (gosto mesmo de referir este pormenor!), lavar a loiça. E allez aos vizinhos portugueses da Julieta. Uma ex-femme de menage; um ex-camionista; e 3 filhos. Tudo gente simpática, do Norte (Minho e Trás-os-Montes) e os putos (Thierry 21, Kevin 17, Antoine 10) muito simpáticos e sobretudo amantes de futebol. Muito tugas, mas com problema... portistas. Almocei, vi o rugby, e voltei para casa enquanto eles iam ao magazin. Fiquei na passar umas camisas, a ouvir o relato da bola na rádio alpha, e beber umas cervejas suber bock. O que se arranja aqui. Depois regresso para o jogo do Benfica no satélite. E Nuno Golos. Surpresa. Ou então como uma pessoa diz… avançado do Benfica habilita-se a marcar golos. Mas o melhor estava para vir. Convite para ir ver o Porto a casa de um amigo deles. Fui. Futebol é futebol. Siga. Velho, 60 anos, do Porto, ou melhor de Espinho. Não se percebia nado do que dizia para lá de $%%&/ fodas $%%&/& caralho &)&%%&/%/&”# puta. Mas daqueles portistas ferrenhos. Só dizia que antes é que era… com o Pedroto e com o Gomes, nada de argentinos ou ciganos. Ui, os ciganos, gente má. Mas fui bem tratado, a verdade é essa. Com vinho do porto e lá da terra…
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Acordei mais tarde e Paris. Tentar ver casas para e com a Ana. Almoço num restaurante português perto do liceu dela, com super bock, só se encontra mesmo essa marca. Depois fomos passear para Montmartre. Má escolha. Perdemo-nos um pouco. Lá para as bandas da feira do relógio e da ladra lá do sitio. Bem feio. O paris que a minha mãe nunca mostrou, e do qual prefere não pensar. Só pobres, velhos, árabes, negros, crianças. Melhor o centro. Nos Halles, a minha primeira perdição. Football Manager. Para não ficar tão sozinho à noite. Reentre chez moi. E nem jantei. Mas o Benfica já primeiro no campeonato, quartos da Champions, quase como na vida real, quase. Só me falta o Di Maria e David Luiz porque é a edição do ano passado.
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Custou tanto a acordar. Só me deitei às 4h. Cheques na caixa. Porque banco é caixa. Comprei a internet em Saint-Germain – Odéon. E finalmente um homem muito simpático a atender. Era sul-americano, só podia. Porque franceses… Chá no Museu Mundo Árabe, muito calmo e descontraído. Um dos espaços mais agradáveis, sem duvida.