quarta-feira, outubro 31, 2007

Incursão ao “neo-liberalismo”

Partindo do artigo do Liberation, de 29 de Outubro, sobre as quotas de Sarkozy para os imigrantes e atendendo a que é um artigo expositivo, mas de conteúdo opinativo o seu conteúdo provoca algumas questões. A sua problemática, apesar de ainda não se encontrar presente em Portugal, deverá atingir a classe politica mais tarde ou mais cedo atendendo à alteração dos fluxos migratórios internacionais.
A sociedade actual tem necessidades no mercado de trabalho que são variáveis no tempo e nos espaços, e estas tem que ser calculadas para uma melhor distribuição da força activa. Poderemos chamar-lhe uma visão muito determinista ou funcionalista, mas a verdade é que não é bom para ninguém áreas com excedentários.
Ou seja, a ideia de dividir o mercado de trabalho em áreas é positiva, mesmo a separação entre empregados qualificados e não qualificados. Agora que este estudo e a sua definição das áreas excedentárias seja só utilizado para a comunidade imigrante é que o torna claramente xenófobo e persecutório às mesmas.
Para esta análise ser útil e promover uma melhor evolução da sociedade que diminua as dissimetrias sociais e o desemprego é necessário que seja acompanhada da requalificação dos desempregados e dos trabalhadores precários, quer sejam imigrantes ou nacionais. É, igualmente, fundamental uma relação estreita entre o mundo académico e empresas para uma concretização dos excessos e falhas no mercado de trabalho.
Obviamente, esta visão orientada e regulada pelo mercado de trabalho tem um defeito claro que reconheço desde o primeiro momento, áreas como as artes ou ciências sociais encontram-se numa posição muito fragilizada. Mas penso que essa debilidade poderia ser compensada com o reconhecimento real do Estado e empresas do papel destas áreas na sociedade actual.

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