sexta-feira, outubro 19, 2007

Portugal e UE - europeistas convictos

A recente vitória no projecto de construção europeia contou claramente com um papel de destaque português.
Há coincidências é certo, mas é claro e evidente que é resultado de um esforço da presidência portuguesa. Aliás, tal como acontecera na presidência anterior, o seu semestre fica marcado por importantes e significativos avanços.
Num trabalho de investigação no âmbito da minha pós-graduação (disponível se pedirem) frisara que Portugal era claramente, a par da Espanha, um dos países mais europeístas.
A análise do eurobarómetro então efectuada mostrou que Portugal tinha tendencialmente valores superiores aos da média europeia nas questões relacionadas com: futuro da EU; projecto europeu de segurança comum; moeda única; livre circulação de pessoas; e até constituição europeia (não presente no estudo). O resultado mais negativo de Portugal situara-se no receio da entrada de novos estados e a consequente “afundamento” da economia lusa. Destaque ainda negativo para o constante valor elevado dos não sabe/não responde nos inquéritos portugueses que demonstram algum desconhecimento da Europa. Se serve de desculpa esses valores não são muito diferentes dos da taxa de abstenção nas eleições nacionais.
O que parece mais evidente é que o europeísmo português é facto relevante na própria construção da identidade da sociedade portuguesa actual. Pode-se mesmo verificar isso com o elevado número de jovens que migram dentro do espaço europeu. Estes novos fluxos migratórios não são como antigamente para toda a vida mas temporalmente a curto-médio prazo, e com diferentes destinos e propósitos (propostas de emprego; Erasmus; Sócrates; férias, etc).
O esforço político português é assim a concretização de uma mentalidade europeia da sociedade portuguesa, e é um achievement do qual podemos orgulhar-nos bastante.
Uma observação ainda para a visão dos media franceses sobre o Tratado de Lisboa: realçaram o papel de Sarkozy na proposta de alteração de constituição para tratado; criticaram Polónia e Itália pelas dificuldades apresentadas antes da assinatura; e elogiaram fortemente a presidência portuguesa nas pessoas de Sócrates e Amado, mas também Barroso. A TF1 (canal publico francês controlado pelos socialistas portugueses) fez ainda referência a como na actual legislatura Portugal recuperou do atraso económico dos últimos anos, e se aproxima de ser um bom aluno.

1 comentário:

Anónimo disse...

Gostaria de ler o seu trabalho

carlossousamarques@sapo.pt

Carlos