segunda-feira, novembro 05, 2007

Não-poema

Chorava manhã sim.
Manhã sim.
Ao ritmo da queda das folhas.
Lá de fora.
Da janela entreaberta.
Que não abria.
Apesar de gostar tanto da
vista.
Sorria.
Nos lábios dos outros.
Porque já perdera o sorriso
Algures no ontem.
E só restava um não-sorriso.
Nos não-dias que não-sabia
quando iam acabar.
Rodava na cama,
e procurava um
pretexto
para não-acabar
aqueles momentos.
E a janela…
Que entre-aberta, entre-muros, e entre-cá-e-entre-lá.
Pedia.
Abre.
Vê.
Sente.
Chama.
Que há sorrisos guardados no rio.
Azul.
Como a sua roupa.
Ou no cacilheiro.
Ondulante.
Como a sua figura.
Que dança nas minhas saudades.
Tantas.

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