quarta-feira, novembro 14, 2007

à volta do teatro

Fischer-Lichte, Erika, The show and gaze of theatre: European perspective, Iowa, University of Iowa Press, 1997. (pp. 290 a 336)
Nome e corpo são fundamentos e características basilares enquanto indivíduo no Mundo. Através do nome é feita uma relação simbólica entre a cultura vigente e na qual o individuo se insere e o seu próprio físico. É um reflexo na criação da sua especificidade mas também da sua globalidade.
Quando se fala de pratica teatral estes dois aspectos tomam forma de indicações do personagem, e não de indicadores e definidores do mesmo.
O corpo terá na criação do personagem um papel vital, sendo através deste que reflecte toda a narrativa e drama, bem como aspectos dos gestus social, ou da (in) temporalidade presente.
As teses sobre o sentido da obra têm divergido significativamente, sobretudo em termos pragmáticos, sintácticos, e semânticos. E pode-se inclusive relacionar essas divergências com as diferentes correntes, visões, e percepções da Arte: o seu conceito mimético; expressivo; estético e retórico; e catártico.
Y. Lotman e J. Kristeva procuraram reagrupar os diferentes conceitos sob uma tese unificadora, na qual a arte seria um sistema modelar secundário da realidade, e com base na linguagem do autor (…). Também Mukarovsky aproximou-se desse objectivo, embora tenha diferido na ponderação e valorização destes conceitos na criação artística, sobretudo no período pós-moderno.
Atendendo a esta sequência é possível compreender-se que na escrita teatral se verifique que quanto maior o texto secundário (didascálias, etc) menor a liberdade do actor, e a respectiva tensão com a oralidade, visto esta se perder nas diversas pistas e dicas do texto. O diálogo dramático deverá resultar, portanto, do difícil balanço entre a função para-pragmática, para-semântica, e para-sintáctica.

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