sábado, dezembro 22, 2007

Exclusivo!!!

Fontes próximas ao Benfica confirmaram que a primeira contratação de Inverno está concluída e o jogador chega hoje à Portela.

O presidente Luís Filipe Vieira depois da viagem pela América do Sul e Central terá feito um transbordo em Paris com intuito de avançar as conversações com o jogador que actua actualmente em França. Ao contrário de outras negociações a inexistência de um agente, mas sobretudo o desejo do jogador em actuar no clube do seu coração terão ajudado a concretizar o contrato rapidamente.

O jogador de média estatura, com ambos os pés fracos e com umas mãos de manteiga, tem desenvolvido toda a sua carreira em ringues dos subúrbios e campeonatos d'amigos.
Foi por diversas vezes considerado o menos mau do jogo, o que pode ter pesado bastante na sua contratação.
Encontrava-se presentemente a actuar na equipa de professores de um colégio francês mas a mínima clausula de rescisão (uma baguette com queijo) não foi impedimento para o presidente do Benfica.

O jogador deverá regressar ainda hoje a Portugal, sendo estimado que chegue ao aeroporto da Portela às 23h10. É também já dado garantindo que irá ainda fazer um tour pela cidade e pelos locais de diversão nocturna antes de pernoitar no Palácio de Queluz, extravagância que o presidente benfiquista não recusou.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Votações

1. Em jeito de conclusão poderíamos dizer que os resultados do primeiro inquérito realizado no nem vale a pena dizer mais nada apontaram no sentido de que realmente há sinais de uma nova consciência social na Europa, quiçá europeia.

37 % (3votos) responderam que podemos pensar que novos sinais se aproximam.
25 % (2 votos) responderam que esta consciencialização não existe.
25 % (2 votos) responderam que os sinais são mínimos.
13 % (1 voto) não demonstrou uma opinião concreta.

Na verdade só os próximos tempos poderão confirmar se existe realmente uma nova consciência social global ou se se tratam apenas de momentos de conflituosidade social sem um quadro envolvente. Os tempos que se aproximam com o Tratado de Lisboa serão provavelmente um sério exercício para essa potencial nova realidade.

2. O ano está já no fim... como tal o nem vale a pena dizer mais nada apresenta um novo questionário. As opções desta vez são muitas e tem como objectivo escolher a figura ou momento do ano...

Ele e Ela

A verdade tem a perna curta.
Porque ela deseja que tu acredites nela como nas palavras que lhe sussurras quando fazem amor. Dizes aquelas cores que ele quer pintar. Falas dos aromas que ele quer provar. Relembras as montanhas que ele pensa testar.
E não falas, nunca, do que ele esqueceu. Do que perdem nos confins da sua memória cessante. Das portas que fecharam com estrondo após berros de palavras, depois de raivas de rajada, de choros engolidos em soluços.
Não falas. Talvez nem compreendas mesmo. Sabes que assim é mais fácil. Ele sorri, tu sorris. Sorriem.
E abres as pernas. Conivente. Cúmplice. Um receptáculo de sensações de outros. Uma guarida de outras emoções. Das que não tiveste enquanto crescias, abandonada, entre tantos outros eles.
Ele é o tal. De agora. Depois haverá outro. Tu sabes. É sempre assim.
A verdade está a nu, como vocês, em cada sexo falso. Que te corrói e gasta um pouco mais deste presente que não aguentas mais.

Prémios 2007

Para quem gosta das votações de fim de ano... que definem em 10 linhas o que de melhor ou pior se passou... aqui fica uma da iol... para outros teremos uma brevemente aqui no blog...

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Sem título

Ne rien chercher à prouver mais sortir d’une impasse
Passer d’une incertitude à une certitude
Ne plus avoir envie de prendre parce que l’on est au-delà
de son envie
Ne plus suspecter
Ne plus être suspecté
Voir disparaître l’inquiétude désespérante
Voir cesses l’aingoisse
Que faire ?
Comment dire ?
N’y a-t-il aucun mot d’aucun langage qui puisse
persuader ?

Pourtant tout est simple :
Je crois en toi
Tu crois en moi
Au lieu de cet égoïsme et de cette douleur de l’incertitude :
Chacun seulement sur de lui-même.
Est-ce impossible ?
(…)

Michel Guigues, Amitudes, PJO, 1973

Prato por cozinhar

Café. Água.
Papel. Lápis.
Ânsia de sentidos que não surgem escadas acima. Escadas, onde sobe o cozinheiro de sorrisos. Onde aromas se diluem na apatia. Onde a madeira periclitante range a cada passo.
Há gotas de chuva que de lá fora chovem por outros cá dentro.
Há um frenesim de pratos por comer, raspar, lavar, decorar, comer, raspar, lavar, há frenesim.
E se os pedidos que não chegam ficassem à porta, ao frio, sob a capa de um concilio de pedidos eternos.
E se todos os pedidos se tornassem pragmáticos. E se tivessem um fim… Determinantemente pragmáticos e utilitários. Só tinham um fim. Para mim, para ti, até para o cozinheiro que já desce as escadas. De costas. De olhos em mim. Com o seu fim.

Diário de bordo (continuação)

3 XII
Brunoy… almoço no grego… Corbeil… casa.
4 XII
Brunoy. E depois Paris para despachar as compras de Natal antes das enchentes.
5 XII
Corbeil. Quando voltava para casa passei por casa do Richard para ver a correspondência… uma carta da Orange (net)… 126 euros… passei os limites de tráfego por causa de umas alíneas no contrato… sempre aquelas linhas pequenas… 126 euros de uns detalhes… grrrrr… procurei relaxar com uma musica calma, umas velas, uma refeição leve, um vinho… o meu momento zen… e no entanto… continuo com vontade de perguntar aos árabes como se faz um bomba caseira.
6 XII
Brunoy. Casa, modo light.
7 XII
Sexta-feira! Corbeil. E Paris com ele. Café no Dome. Combinou-se copos com uma das assistentes brasileiras. Simpática. E é sempre tão fixe partilhar palavras e expressões… A fixar: a “cunha” no Brasil chama-se QI. Exe: Ele só tem aquele cargo por causa do QI (quem indica). Lindo! Ela partiu cedo… Sobraram os mesmos do costume… Fechamos (2h)o couscous (um dia tenho que explicar melhor a essência de um local como este com couscous oferta). Seguimos depois para um outro bar no Raspail até ele fechar (4h). Paramos de seguida num British Bar… mas as moças queixavam-se de um ambiente um pouco pesado…Não percebem a magnitude de uns cozinheiros que oferecem jarros de vodkas e conversas non-sense ao melhor jeito de Ionesco. Seguimos por isso para um outro bar onde se pudesse comer qualquer coisa… ou beber no meu caso. O sol já raiava e o meu depósito de cerveja estava mais cheio do que o dum tuga numa bomba de gasolina espanhola.
8 XII
Hang-Over. Tarde patrocinada pelo coca-cola. Só depois o regresso ao Couscous e uma mísera cerveja. Ai, que soninho…
9 XII
Domingo. Dia sempre mais calmo. Ou não. Final do dia é hora da cerveja no sítio do costume. Lá fomos aos gays como hábito. Estava quase deserto. Ficámos os três à conversa… e ficámos… até que desci para ir à toilette… porta fechada. Subi e esperei. Muito. A Ana e o Mário garantiam que não estava ninguém lá em baixo, era impossível. Até que uma rapariga de outra mesa desceu… e subiu... e subiram logo de seguida dois rapazes e uma rapariga… vermelhos… de nervoso. E só pediam desculpa… e nós só riamos. Ainda estávamos animados com a situação e já seguíamos para a Rue Vielle du Temple quando vimos o Ratatoui. Basicamente tínhamos um gay calmamente a passear o seu cãozinho e o seu ratito… branco, de longa cauda, e certamente grande cozinheiro… Quantos aos postes nos passeios encontravam-se maravilhosamente enfeitados com umas cobertas de lã… Domingo. Dia sempre mais calmo?
10 XII
Aulas só à tarde em Corbeil. Fui mais cedo e decidi descobrir melhor essa terra à beira Essone plantada. Tem espaços interessantes, sobretudo na parte que abriga o antigo porto… castiço… mas tem também bastantes partes copiadas do mais belo recanto do Cacém.
11 XII
Aulas de manhã. Almoço em casa. Lavar a roupa. Preparar as aulas para quarta. Voltar para Brunoy. Como a partida para o teatro era só às 18h45, decidi como na véspera ir um pouco mais cedo para me perder um pouco mais pelas ruas. É mesmo agradável. Verde por todo o lado, vivendas simpática, um riacho limpo. E um anoitecer frio… mas mesmo assim reconfortante. No autocarro conversa com as professoras Charlotte (a que me convidou), uma velhota de esquerda, e a assistente social sobre pedagogia, falhas no sistema francês, a caderneta do aluno, a relação professor-aluno, teatro em Portugal. O espaço onde se realizava a peça era a Cartocherie (é a criação de uma grande e importante actriz francesa). Junta diferentes espaços para vários teatros poderem apresentar muitas peças, e sobretudo muito politizadas e repletas de critica social. A peça Casque obligatoire, um flop! Condições e situações de vida nas obras e nos estaleiros. Era um reportório de chavões e lugares-comuns. Não inovou em termos de ritmo, enredo, interpretações (sobretudo a do actor mais velho, um alcoólico que desatou a beber no fim da peça). Aliás o fim foi algo constrangedor… os actores mostraram-se dispostos a conversar com os alunos… mas apresentaram um recital de desrespeito. A conversa de volta foi obviamente dominada pela qualidade, ou falta dela, da peça. E sempre aquela frase… Tem que se compreender, são actores.
12 XII
Corbeil. Depois Paris. Marais. Dome. Café aqui. Cerveja ali. Conversa desfiada comme d’habitude. Jantar no Flunch. Só para encher.
13 XII
Breve aula de Terminal em Brunoy. Almoço em casa. Paris. Nada de mais… um breve passeio só para espairecer. Fui comprar um calendário lá para casa (Queluz) ao Pompidou. Rothko.
14 XII
Corbeil de manhã. Uma das professoras, das mais novas e de esquerda, veio falar comigo. Veio sobretudo avisar-me de que tinha ocorrido a reunião de pais e professores… e que os portugueses estavam descontentes com o trabalho do professor Pean… mais… estava a correr na comunidade lusa de Villabé um abaixo-assinado para afastar o prof. Pean e colocar-me como professor… visto que os alunos andavam mais interessados do que nunca. Mais tarde o prof Pean veio falar comigo, veio avisar-me para ter cuidado com os alunos, que eles são perigosos e mentem aos pais, e dizem mal dos professores… Fui para Paris. Sexta é sempre dia de couscous… mas extraordinariamente estava fechado… Por isso fomos até ao Chérie, bar onde trabalha uma amiga da Susana. Mas estava… caótico, abarrotar, pleno, cheio, atolado, repleto, etc…
15 XII
Encontro com as assistentes espanholas… e passados vinte minutos já as tinhamos perdido de vista… de propósito? Quiças… sobrava apenas um arquitecto mexicano. Falante de oito línguas, um curioso personagem, sem dúvida. A revisitar numa próxima ida ao couscous.
16 XII
Instituto Mundo Árabe. Café na Bastilha. Domingo é dia de centenas de patinadores percorrem as ruas de Paris. Bizarro… no mínimo.
17 XII
Brunoy. Almoço. Corbeil. Jantar na Goretti. TV. Cama.
18 XII
Brunoy. Corte de cabelo nos árabes, almoço nos gregos, leituras nos franceses…
19 XII
Corbeil. Regresso a casa para começar a preparar o regresso à pátria amada.
20 XII
Brunoy. Passeio por Paris… um adeus… um até já…
21 XII
Corbeil. Regresso a casa e fazer as malas.
22 XII
Passeio por Paris até à hora do voo… 1h20 depois… saída em Madrid… corrida entre gates, e novo voo… Lisboa!!!

O poeta é…

Le poète est matelassier, il porte la gargousse.

Michel Nicolas, Poèmes Inabrités, Voix Nouvelles, 1976

segunda-feira, dezembro 17, 2007

A imponderável abordagem

Nada é necessário nada é suficiente
Que coisa é esta que aqui será presença e além falta?
Uma qualidade de silêncio de vigilância pura?
Um desenlace uma evidência um fogo insinuado
Ou talvez esquecimento
Nada a dizer no entanto Quem sobe à fogueira
Quem foi para o deserto? Não há palavras mais.
(…)
António Ramos Rosa, Gravitações, Litexa, 1983

domingo, dezembro 16, 2007

Paralelo 15

A água paralela.
Ao meu caminho.
Constante.
De ritmo diário.
Como o do rio que diário segue o seu caminho.

A água paralela.
Brilha ao sol que me fecha os olhos.
E fecho.
E lembro.
Do rio da minha cidade.
Que corta a minha cidade.
Da minha vida.
Das minhas lembranças.

A água paralela.
Está aqui ao lado.
Como o velho da barba.
E das laranjas.
E de um cheiro de Primavera.
Quando lá fora faz um frio de gelo.
Que gela a água.
Aqui paralela.

A água paralela.
Já me corre nos pés.
Já me dois os ossos.
Na carne que gela.
Nos pés gastos.
Já não paralela, agora sou eu a água.
Que corre paralela a outros.
Paralelos.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

pela boca dos outros...

«Religious freedom includes the freedom not to believe. If Mr Romney [candidato à nomeação Republicana] disdains the irreligious, that would be a better reason to vote against him – even in the US – than the fact he is a Mormon»

in editorial do Financial Times.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Novos sinais na economia mundial II

Le recul du dollar va-t-il s'accélérer et échapper à tout contrôle ? L'euro, aspiré comme un ballon, va-t-il monter sans limite à 1,55 ? 1,60 ? 1,70 ? Plus ? Comme le titrait l'hebdomadaire britannique The Economist la semaine passée, ce scénario noir flanque "la panique" dans les milieux financiers. Le krach du dollar n'est pas l'hypothèse la plus probable, mais elle n'est plus regardée comme impossible.


Depuis l'abandon de sa convertibilité en or, le 15 août 1971, le dollar a perdu plus d'un tiers de sa valeur vis-à-vis de l'ensemble des autres monnaies. La chute du billet vert ne date donc pas d'hier. Elle s'est déjà accompagnée de crises, notamment à la fin des années 1980, quand le sumo japonais semblait pouvoir bousculer l'Empire américain. Mais ni la dévaluation régulière ni les crises n'étaient parvenues à remettre en cause la suprématie du dollar comme pivot du système monétaire mondial.

Au contraire. Les économies émergentes d'Asie ou les riches pays du Golfe ayant, par commodité, accroché leur monnaie au dollar (le peg en jargon), on a pu dire que le système né des accords de Bretton Woods signés en 1944, mort justement le 15 août 1971, s'était de facto reconstitué. Hors l'Europe continentale, la planète était revenue à un quasi-monopole mondial, "une quasi-zone dollar", système que les économistes nommaient Bretton Woods 2.

C'est ce Brettons Woods 2 qui menace de voler en éclats. Le dollar fait l'objet d'une défiance d'origines multiples, immédiates et de long terme.

Le premier facteur est la faiblesse de l'économie américaine. Récession ou pas ? Martin Feldstein, ancien conseiller de Reagan, estime maintenant à 50 % les chances d'un plongeon. Larry Summers, conseiller de Clinton, croit à la récession et il prédit qu'elle sera longue, se prolongeant "au-delà de 2010". Pour donner de l'air, la Federal Reserve est tentée d'abaisser ses taux d'intérêt, mais avec réticence, car elle craint de rallumer les risques d'inflation. On parle aux Etats-Unis du retour de la stagflation - croissance faiblarde mais inflation menaçante - hydre assez terrifiante qu'on n'avait plus vue depuis vingt ans. Toutes ces perspectives ternissent salement l'éclat du dollar.

Deuxième raison, la crise des subprimes. On la croyait jugulée, elle est réapparue depuis une quinzaine, jetant un doute sur la solidité des banques américaines (quelle sera la hauteur véritable de leurs pertes ?). Et va-t-elle s'aggraver encore au début 2008 ? Tout cela n'est pas pour rassurer les investisseurs en dollars.

Troisième élément, plus connu mais plus lourd encore, le déficit de la balance commerciale. Il s'est un peu résorbé grâce à la baisse du billet vert, qui rend les produits made in America plus compétitifs. Mais il reste de 5,5 % du PIB : il faudrait encore beaucoup dévaluer pour que les comptes s'équilibrent.

Tous les ingrédients sont réunis pour que la glissade continue. Mais un facteur supplémentaire pourrait provoquer son accélération : le décrochage de la parité fixe adoptée par les pays émergents et, plus largement, le recours à d'autres monnaies de réserve et de paiement.

La Brésilienne Gisele Bündchen, top- modèle la mieux payée au monde, n'est pas la seule à vouloir un chèque "dans toutes les monnaies sauf en dollars", selon Forbes (la belle a démenti depuis ; elle accepte tous les chèques). Anne Lauvergeon, PDG d'Areva, veut elle aussi faire régler ses centrales nucléaires chinoises en euros. Le Venezuela et l'Iran refusent les dollars pour des raisons politiques. Certains Emirats du Golfe se sont interrogés pour finalement conserver officiellement le dollar. Mais que va faire la Chine, riche de 1 400 milliards de dollars ? Les pays émergents ont accumulé 3 000 milliards de dollars de réserve, les trois quarts du stock mondial. "Ce record historique traduit leur part croissante dans l'économie et la finance mondiale", souligne Jacques de Larosière, ancien directeur général du FMI, mais montre, surtout, que "le pouvoir financier mondial" est passé entre leurs mains. Vont-ils se défier du dollar ? "Il n'est pas dans leur intérêt de s'engager dans des politiques agressives de diversification qui pourraient précipiter la baisse de la monnaie américaine et entraîner une dépréciation de leurs actifs", souligne Jacques de Larosière. Mais, "depuis 2005, une tendance à la diversification se manifeste". Les acquisitions d'entreprises par les "fonds souverains" des pays émergents font partie de cette stratégie.

Nous sommes "au début de la baisse relative de la place du dollar", résume le professeur Michel Aglietta. La seule contre-force, poursuit-il, serait que le déficit commercial se réduise vite, épuisant la dynamique première de l'affaissement du billet vert. Sinon, les détenteurs de dollars s'en déferont progressivement, en priant pour que ces ventes ne provoquent pas "la panique" sur les marchés de change.

Le dollar est détrôné, le monde monétaire multipolaire est né. Quel visage aura-t-il ? Sans doute passera-t-on par une période de changes flottants, selon Michel Aglietta. Dans ce cadre, pour que l'euro ne soit pas le seul à monter, il faudrait que l'Asie s'organise, mais l'union monétaire asiatique tarde. Il faudrait aussi, ajoute Jacques de Larosière, "que le FMI reprenne du poids et que Etats-Unis, Chine et Japon, les trois sources de déséquilibre, acceptent le jeu multilatéral". En attendant le monde monétaire post-dollar promet d'être ni plus stable ni plus juste.

Eric Le Boucher
Le Monde, 9 dez 2007

Novos sinais na economia mundial

La Banque du Sud, qui se veut une riposte latino-américaine au Fonds monétaire international (FMI), a été lancée, dimanche soir 9 décembre, à Buenos Aires, au cours d'une cérémonie à laquelle participaient six des sept présidents des pays d'Amérique du Sud impliqués dans ce projet : le Venezuela, le Brésil, la Bolivie, l'Equateur, l'Argentine, l'Uruguay et le Paraguay.


"Cette banque doit être le premier pas vers une monnaie commune à l'Amérique du Sud", a déclaré au cours de la cérémonie le président bolivien, Evo Morales. Cette banque régionale, dotée au départ d'un capital de 7 milliards de dollars (4,8 milliards d'euros), a pour vocation, a expliqué le président brésilien, Luis Inacio Lula da Silva, de "financer des projets dans des secteurs-clés de l'économie, comme les infrastructures, la science et la technologie, et pour la réduction des inégalités dans la région".

Le projet est né de la volonté d'Hugo Chavez de contrer les Etats-Unis et les institutions financières internationales, notamment le Fonds monétaire international (FMI). Le président vénézuélien considère ce dernier comme"une malédiction, dont les politiques de choc ont apporté la faim, la misère et la violence à nos peuples", a-t-il dit à son arrivée dans la capitale argentine.

DSK À BUENOS AIRES

Quelques questions statutaires restent cependant à régler. La quote-part de chaque pays au capital de la banque n'a pas encore été déterminée, tout comme la répartition des droits de vote. Les sept pays fondateurs ont soixante jours à compter du lancement officiel de l'institution pour trouver un accord sur les modalités de son fonctionnement.

La Banque du Sud aura son siège à Caracas, et les sept pays fondateurs espèrent obtenir l'adhésion des cinq autres pays sud-américains : le Chili, la Colombie, le Pérou, le Guyana et le Surinam. Statutairement, la Banque du Sud devra limiter ses activités à la seule Amérique du Sud.

Dimanche soir, seul manquait l'Uruguayen Tabaré Vazquez à la cérémonie de lancement de la banque. Celui-ci doit arriver lundi à Buenos Aires pour assister à l'investiture de Cristina Fernandez de Kirchner à la tête de l'Argentine, en compagnie de tous les chefs d'Etat signataires. Ironie du sort, Dominique Strauss-Kahn, directeur général du FMI, sera également présent à leurs côtés pour assister à la prise de fonctions de la nouvelle présidente argentine.

Le Monde, 10 dez 2007

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Portugal visto da França

"Os portugueses são mais sarkozistas que Sarkozy"

O título deste artigo é plagiado literalmente de uma revista francesa, Capital, que na sua edição de Dezembro compara o plano de reformas do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, com o do primeiro-ministro José Socrates. A jornalista Sandrine Trouvelot considera o primeiro titubeante e o segundo determinado e votado ao sucesso.

Estabelecendo um paralelo entre uma situação de "pré-catástrofe" económica dos dois países, a jornalista francesa diz: "Só uma diferença: enquanto Nicolas Sarkozy hesita ainda proceder à 'ruptura', Sócrates avançou para ela com sucesso." Diz ainda que, "ao contrário de Sarkozy, muito marcado pelo liberalismo, José Sócrates goza de uma imagem social-democrata, que facilita evidentemente a tarefa junto das organizações dos trabalhadores". Aliás, considera a Capital que um dos segredos do líder do Governo português foi a boa aceitação pelos sindicatos da "profunda reforma" da administração pública.

A jornalista destaca das reformas socráticas, a supressão de 1307 serviços administrativos; a entrada de apenas um funcionário no Estado por dois que se reformaram; o congelamento durante dois anos dos salários da administração pública. A revista francesa também elogiou o espírito imaginativo de Sócrates e exemplificou com a criação do balcão "perdi a carteira" no âmbito do programa Simplex.

DN, 7 dez 2007

domingo, dezembro 02, 2007

cabeça-sobre-cabeças


Susana Chicó, Paris 2007

Diário de bordo (continuação)

14 XI
Nada de mais… aulas em Corbeil. Só isso…
15 XI
A greve continua… mas como os meus alunos do Terminal tinham preparação para os exames pude ir a Paris. Fui ver uma exposição da Magnum na Biblioteca Nacional e admirar a ponte Simone Beauvoir.
16 XI
Aulas em Corbeil de manhã. Depois ir a Paris tratar da Internet. Mais uma vez por causa da incompetência dos anormais que fizeram o processo de abertura de conta. Passeio na Oberkampf e Timbaud.
17 XI
400 cent coups de Truffaut na Cinemateca. Muito bom! Também porque se encontrava no âmbito de um projecto que esta tem para mostrar clássicos às crianças. Depois passeio até ao couscous na Oberkampf.
18 XI
Domingo… é Domingo. Jantar na casa da Goretti.
19 XI
Até acordei bem… levantei-me logo sem problemas de mais para quem só tinha dormido cinco horas. Banho. Vestir e pequeno-almoço. Rua. Chove! Aquela chuva desagradável que molha todos, até os parvos. O bus veio atrasado… para podermos apreciar a chuva. O comboio veio a horas. Mas tão, mas tão cheio… cheio de franceses que acham que não se toma banho antes das 7 horas. Chego a Brunoy num estado-misto de cheiros intensos e de goteiras sádicas. Aula com o Terminal de science… correu bem… não havia muito para correr mal. Um dos muitos furos do meu horário… e outra aula com a outra metade do Terminal. Idem. Depois seguir para a estação para as aulas de Corbeil à tarde. A aula terminou às 11h30… cheguei à estação às 11h40… o primeiro comboio era às 13h20!!! Li um pouco no café para fazer tempo e depois fui almoçar ao grego-turco… barato e não muito mau… até que um senhor ao meu lado lembrou-se de deixar cair um pouco de maionese sobre a minha roupa… Suspirei… Lá apanhei o comboio até Villeneuve onde faria a transferência de linha para Corbeil… só faltavam 37 minutos… já nem me parecia muito. Já tinha perdido a primeira aula da tarde de qualquer forma. Quando cheguei a Corbeil às 14h45… só tinha que esperar pelo bus das 15h20… bebi uma cerveja no bar da gare e lá esperei… Cheguei à escola às 15h 35! Tinha passado quatro horas e cinco minutos. Pela primeira vez senti mesmo a greve! E não gostei mesmo. Nem eu, nem muita gente que ouvi. Os sindicalistas não percebem que fazer uma greve durante mais do que uma semana está a faze-los perder todo o apoio popular que ainda tinham… e assim mais tarde ou mais cedo a corda quebrará… do lado deles. Duas aulas… e regresso a casa… um pouco mais rápido… 1h45. No caminho a chuva acompanhou-me e o meu casaco comprado em França decidiu dar uma ajuda e o fecho rebentou… Perfeito. Acho que poucas vezes senti que tanta coisa tinha corrido mal no espaço de 13 horas… será do número?
20 XI
Era greve dos professores… e achei melhor mostrar o meu apoio e respeito. Fiquei em casa a dar uma aula de português ao Anthony. Correu bem… alias até me permitiu ver o que pode ou não resultar com os miúdos do 6º.
21 XI
A greve de transportes manteve-se… Aulas em Corbeil e depois Paris. Os assistentes tugas (eu, Ana e Mário) fomos beber um copo com a assistente de alemão do meu liceu, e com a sua colega espanhola. Cool. Simpáticas… mas a alemã parece ser um pouco limitada… algo vai mal nessa grande potência quando uma jovem professora licenciada não conhece Fassbinder…
22 XI
Greve… aula em Brunoy. Depois fui ter com o André a Paris… Parece que o sortudo ganhou uma viagem para um festão da Nokia… parece que todos os cães têm sorte… claro está que ele tinha que estar rodeado da melhor corja possível. Tirados de um filme de série B… filmado na Ribeira. Um arquitecto discreto. Só isso. Discreto. E um portuense... Birgem Maria!
23 XI
Aulas de manhã em Corbeil. Depois limpar a casa… que a menina vem amanhã…e merece o melhor. À noite um muito agradável concerto de Cesária Évora, com os meus alunos de Brunoy. Fico patente porque tantos músicos elogiam o publico português… é que os franceses mesmo gostando muito do concerto são excepcionalmente frios… palmas ritmadas no fim de cada musica… a luz acende para o musico ver a reacção do público… e uma falta atroz de emoção...mas como a outra metade da sala era composta por portugueses ou cabo-verdianos… aquilo até aqueceu. Sobretudo com os meus alunos… que com as hormonas aos saltos só queriam os ritmos quentes da musica africana… e assim que puderam e contra as indicações dos seguranças levantaram-se das cadeiras e foram dançar para a frente do palco.
24 XI
Manhã cedo… acordar, apinocar-me todo e siga para o aeroporto… A moça estava linda! Fomos só dar uma primeira pequena volta por Paris… apostei no Marais, Place de Voges e Bastilha. Depois casa… e um jantar romântico. ;)
25 XI
Paris turístico: Torre Eiffeil, Concorde, Champs Elysses, Tuilleries.
26 XI
Nada de aulas! Paris com a Susana! Fomos ter com uns amigos dela. Uma está cá em Erasmus, outra é luso-descendente e vive cá, e os outros dois vieram só cá passar uns dias. Muito simpáticos. Passeamos por Saint-Germain, e depois fomos ao canal de Saint-Martin para os viciados na Amélie se perderem…
27 XI
Fui para as aulas em Brunoy de manhã, e entretanto recebi uma mensagem da Susie a dizer que tinha torcido o pé… segui logo para casa… quer dizer… depois dos dois comboios suprimidos… como já costuma ser hábito. Fiquei a cuidar dela o resto do dia.
28 XI
Como a Susie não podia ir para Paris aproveitei para ir dar aulas a Corbeil. Entretanto ela mandou-me uma mensagem a dizer que estava com as amígdalas inchadas… belas férias… comprei uns medicamentos e “fiquei a cuidar dela o resto do dia”.
29 XI
Bem protegida e muito tapada a Susana lá foi para Paris. Encontramo-nos lá depois da minha aula em Brunoy e passeamos por Saint-Germain, Saint-Louis, e depois bebemos um copo com a Ana no Marais. Depois e para terminar em beleza fomos jantar a um restaurante muito simpático, acolhedor, e reservado só para os dois… fica na Jean-Pierre Timbaud,, chama-se Page Blanche, tem comida óptima e um dono/cozinheiro excepcionalmente simpático.
30 XI
Aulas de manhã. Paris à tarde com a Susana. Compras de livros no Gilbert Joseph. Lanche num pequeno espaço para amantes de chocolate na ile de St Louis. E depois as habituais cervejas nos habituais gays do Marais. Desta vez na companhia da Ana, Mário e Dalila.
1 XII
Snif, snif… fui deixar a Susana ao aeroporto… acabou esta semana… fui ter com o Mário e com a Ana à esplanade de la Defense. E depois fomos todos abandonar o seu estúdio que durou um mês inteiro. A troca compensa… compensa 500 euros… O que se seguiu foi triste… muito triste… o Benfica perdeu em casa… embora eu tenha sentido que estava a ver o jogo no meio da claque dos “super-dragões” tal era o ambiente no Churrasco. O Luís fez anos, comprei-lhe um livro que me pareceu interessante sobre o Bovarismo.
2 XII
Fui beber um café com a Ana a Paris. Ela estava de rastos… morreu uma amiga dela… a Emília… muito mais que uma empregada em casa… A Emília foi uma amiga que a fez crescer, tal como as suas irmãs, e que representava um papel único e insubstituível. Em cada meia dobrada, em cada almoço feito, ou naquele olá animado com que nos presenteava quando chegávamos a casa estava muita energia, alegria e sentimento. Estava muito do que é aquela casa. Apagou-se hoje… mas continua lá em casa… em cada uma delas… como devem continuar sempre aqueles que nos são especiais.