domingo, dezembro 02, 2007

Diário de bordo (continuação)

14 XI
Nada de mais… aulas em Corbeil. Só isso…
15 XI
A greve continua… mas como os meus alunos do Terminal tinham preparação para os exames pude ir a Paris. Fui ver uma exposição da Magnum na Biblioteca Nacional e admirar a ponte Simone Beauvoir.
16 XI
Aulas em Corbeil de manhã. Depois ir a Paris tratar da Internet. Mais uma vez por causa da incompetência dos anormais que fizeram o processo de abertura de conta. Passeio na Oberkampf e Timbaud.
17 XI
400 cent coups de Truffaut na Cinemateca. Muito bom! Também porque se encontrava no âmbito de um projecto que esta tem para mostrar clássicos às crianças. Depois passeio até ao couscous na Oberkampf.
18 XI
Domingo… é Domingo. Jantar na casa da Goretti.
19 XI
Até acordei bem… levantei-me logo sem problemas de mais para quem só tinha dormido cinco horas. Banho. Vestir e pequeno-almoço. Rua. Chove! Aquela chuva desagradável que molha todos, até os parvos. O bus veio atrasado… para podermos apreciar a chuva. O comboio veio a horas. Mas tão, mas tão cheio… cheio de franceses que acham que não se toma banho antes das 7 horas. Chego a Brunoy num estado-misto de cheiros intensos e de goteiras sádicas. Aula com o Terminal de science… correu bem… não havia muito para correr mal. Um dos muitos furos do meu horário… e outra aula com a outra metade do Terminal. Idem. Depois seguir para a estação para as aulas de Corbeil à tarde. A aula terminou às 11h30… cheguei à estação às 11h40… o primeiro comboio era às 13h20!!! Li um pouco no café para fazer tempo e depois fui almoçar ao grego-turco… barato e não muito mau… até que um senhor ao meu lado lembrou-se de deixar cair um pouco de maionese sobre a minha roupa… Suspirei… Lá apanhei o comboio até Villeneuve onde faria a transferência de linha para Corbeil… só faltavam 37 minutos… já nem me parecia muito. Já tinha perdido a primeira aula da tarde de qualquer forma. Quando cheguei a Corbeil às 14h45… só tinha que esperar pelo bus das 15h20… bebi uma cerveja no bar da gare e lá esperei… Cheguei à escola às 15h 35! Tinha passado quatro horas e cinco minutos. Pela primeira vez senti mesmo a greve! E não gostei mesmo. Nem eu, nem muita gente que ouvi. Os sindicalistas não percebem que fazer uma greve durante mais do que uma semana está a faze-los perder todo o apoio popular que ainda tinham… e assim mais tarde ou mais cedo a corda quebrará… do lado deles. Duas aulas… e regresso a casa… um pouco mais rápido… 1h45. No caminho a chuva acompanhou-me e o meu casaco comprado em França decidiu dar uma ajuda e o fecho rebentou… Perfeito. Acho que poucas vezes senti que tanta coisa tinha corrido mal no espaço de 13 horas… será do número?
20 XI
Era greve dos professores… e achei melhor mostrar o meu apoio e respeito. Fiquei em casa a dar uma aula de português ao Anthony. Correu bem… alias até me permitiu ver o que pode ou não resultar com os miúdos do 6º.
21 XI
A greve de transportes manteve-se… Aulas em Corbeil e depois Paris. Os assistentes tugas (eu, Ana e Mário) fomos beber um copo com a assistente de alemão do meu liceu, e com a sua colega espanhola. Cool. Simpáticas… mas a alemã parece ser um pouco limitada… algo vai mal nessa grande potência quando uma jovem professora licenciada não conhece Fassbinder…
22 XI
Greve… aula em Brunoy. Depois fui ter com o André a Paris… Parece que o sortudo ganhou uma viagem para um festão da Nokia… parece que todos os cães têm sorte… claro está que ele tinha que estar rodeado da melhor corja possível. Tirados de um filme de série B… filmado na Ribeira. Um arquitecto discreto. Só isso. Discreto. E um portuense... Birgem Maria!
23 XI
Aulas de manhã em Corbeil. Depois limpar a casa… que a menina vem amanhã…e merece o melhor. À noite um muito agradável concerto de Cesária Évora, com os meus alunos de Brunoy. Fico patente porque tantos músicos elogiam o publico português… é que os franceses mesmo gostando muito do concerto são excepcionalmente frios… palmas ritmadas no fim de cada musica… a luz acende para o musico ver a reacção do público… e uma falta atroz de emoção...mas como a outra metade da sala era composta por portugueses ou cabo-verdianos… aquilo até aqueceu. Sobretudo com os meus alunos… que com as hormonas aos saltos só queriam os ritmos quentes da musica africana… e assim que puderam e contra as indicações dos seguranças levantaram-se das cadeiras e foram dançar para a frente do palco.
24 XI
Manhã cedo… acordar, apinocar-me todo e siga para o aeroporto… A moça estava linda! Fomos só dar uma primeira pequena volta por Paris… apostei no Marais, Place de Voges e Bastilha. Depois casa… e um jantar romântico. ;)
25 XI
Paris turístico: Torre Eiffeil, Concorde, Champs Elysses, Tuilleries.
26 XI
Nada de aulas! Paris com a Susana! Fomos ter com uns amigos dela. Uma está cá em Erasmus, outra é luso-descendente e vive cá, e os outros dois vieram só cá passar uns dias. Muito simpáticos. Passeamos por Saint-Germain, e depois fomos ao canal de Saint-Martin para os viciados na Amélie se perderem…
27 XI
Fui para as aulas em Brunoy de manhã, e entretanto recebi uma mensagem da Susie a dizer que tinha torcido o pé… segui logo para casa… quer dizer… depois dos dois comboios suprimidos… como já costuma ser hábito. Fiquei a cuidar dela o resto do dia.
28 XI
Como a Susie não podia ir para Paris aproveitei para ir dar aulas a Corbeil. Entretanto ela mandou-me uma mensagem a dizer que estava com as amígdalas inchadas… belas férias… comprei uns medicamentos e “fiquei a cuidar dela o resto do dia”.
29 XI
Bem protegida e muito tapada a Susana lá foi para Paris. Encontramo-nos lá depois da minha aula em Brunoy e passeamos por Saint-Germain, Saint-Louis, e depois bebemos um copo com a Ana no Marais. Depois e para terminar em beleza fomos jantar a um restaurante muito simpático, acolhedor, e reservado só para os dois… fica na Jean-Pierre Timbaud,, chama-se Page Blanche, tem comida óptima e um dono/cozinheiro excepcionalmente simpático.
30 XI
Aulas de manhã. Paris à tarde com a Susana. Compras de livros no Gilbert Joseph. Lanche num pequeno espaço para amantes de chocolate na ile de St Louis. E depois as habituais cervejas nos habituais gays do Marais. Desta vez na companhia da Ana, Mário e Dalila.
1 XII
Snif, snif… fui deixar a Susana ao aeroporto… acabou esta semana… fui ter com o Mário e com a Ana à esplanade de la Defense. E depois fomos todos abandonar o seu estúdio que durou um mês inteiro. A troca compensa… compensa 500 euros… O que se seguiu foi triste… muito triste… o Benfica perdeu em casa… embora eu tenha sentido que estava a ver o jogo no meio da claque dos “super-dragões” tal era o ambiente no Churrasco. O Luís fez anos, comprei-lhe um livro que me pareceu interessante sobre o Bovarismo.
2 XII
Fui beber um café com a Ana a Paris. Ela estava de rastos… morreu uma amiga dela… a Emília… muito mais que uma empregada em casa… A Emília foi uma amiga que a fez crescer, tal como as suas irmãs, e que representava um papel único e insubstituível. Em cada meia dobrada, em cada almoço feito, ou naquele olá animado com que nos presenteava quando chegávamos a casa estava muita energia, alegria e sentimento. Estava muito do que é aquela casa. Apagou-se hoje… mas continua lá em casa… em cada uma delas… como devem continuar sempre aqueles que nos são especiais.

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