quarta-feira, dezembro 19, 2007

Diário de bordo (continuação)

3 XII
Brunoy… almoço no grego… Corbeil… casa.
4 XII
Brunoy. E depois Paris para despachar as compras de Natal antes das enchentes.
5 XII
Corbeil. Quando voltava para casa passei por casa do Richard para ver a correspondência… uma carta da Orange (net)… 126 euros… passei os limites de tráfego por causa de umas alíneas no contrato… sempre aquelas linhas pequenas… 126 euros de uns detalhes… grrrrr… procurei relaxar com uma musica calma, umas velas, uma refeição leve, um vinho… o meu momento zen… e no entanto… continuo com vontade de perguntar aos árabes como se faz um bomba caseira.
6 XII
Brunoy. Casa, modo light.
7 XII
Sexta-feira! Corbeil. E Paris com ele. Café no Dome. Combinou-se copos com uma das assistentes brasileiras. Simpática. E é sempre tão fixe partilhar palavras e expressões… A fixar: a “cunha” no Brasil chama-se QI. Exe: Ele só tem aquele cargo por causa do QI (quem indica). Lindo! Ela partiu cedo… Sobraram os mesmos do costume… Fechamos (2h)o couscous (um dia tenho que explicar melhor a essência de um local como este com couscous oferta). Seguimos depois para um outro bar no Raspail até ele fechar (4h). Paramos de seguida num British Bar… mas as moças queixavam-se de um ambiente um pouco pesado…Não percebem a magnitude de uns cozinheiros que oferecem jarros de vodkas e conversas non-sense ao melhor jeito de Ionesco. Seguimos por isso para um outro bar onde se pudesse comer qualquer coisa… ou beber no meu caso. O sol já raiava e o meu depósito de cerveja estava mais cheio do que o dum tuga numa bomba de gasolina espanhola.
8 XII
Hang-Over. Tarde patrocinada pelo coca-cola. Só depois o regresso ao Couscous e uma mísera cerveja. Ai, que soninho…
9 XII
Domingo. Dia sempre mais calmo. Ou não. Final do dia é hora da cerveja no sítio do costume. Lá fomos aos gays como hábito. Estava quase deserto. Ficámos os três à conversa… e ficámos… até que desci para ir à toilette… porta fechada. Subi e esperei. Muito. A Ana e o Mário garantiam que não estava ninguém lá em baixo, era impossível. Até que uma rapariga de outra mesa desceu… e subiu... e subiram logo de seguida dois rapazes e uma rapariga… vermelhos… de nervoso. E só pediam desculpa… e nós só riamos. Ainda estávamos animados com a situação e já seguíamos para a Rue Vielle du Temple quando vimos o Ratatoui. Basicamente tínhamos um gay calmamente a passear o seu cãozinho e o seu ratito… branco, de longa cauda, e certamente grande cozinheiro… Quantos aos postes nos passeios encontravam-se maravilhosamente enfeitados com umas cobertas de lã… Domingo. Dia sempre mais calmo?
10 XII
Aulas só à tarde em Corbeil. Fui mais cedo e decidi descobrir melhor essa terra à beira Essone plantada. Tem espaços interessantes, sobretudo na parte que abriga o antigo porto… castiço… mas tem também bastantes partes copiadas do mais belo recanto do Cacém.
11 XII
Aulas de manhã. Almoço em casa. Lavar a roupa. Preparar as aulas para quarta. Voltar para Brunoy. Como a partida para o teatro era só às 18h45, decidi como na véspera ir um pouco mais cedo para me perder um pouco mais pelas ruas. É mesmo agradável. Verde por todo o lado, vivendas simpática, um riacho limpo. E um anoitecer frio… mas mesmo assim reconfortante. No autocarro conversa com as professoras Charlotte (a que me convidou), uma velhota de esquerda, e a assistente social sobre pedagogia, falhas no sistema francês, a caderneta do aluno, a relação professor-aluno, teatro em Portugal. O espaço onde se realizava a peça era a Cartocherie (é a criação de uma grande e importante actriz francesa). Junta diferentes espaços para vários teatros poderem apresentar muitas peças, e sobretudo muito politizadas e repletas de critica social. A peça Casque obligatoire, um flop! Condições e situações de vida nas obras e nos estaleiros. Era um reportório de chavões e lugares-comuns. Não inovou em termos de ritmo, enredo, interpretações (sobretudo a do actor mais velho, um alcoólico que desatou a beber no fim da peça). Aliás o fim foi algo constrangedor… os actores mostraram-se dispostos a conversar com os alunos… mas apresentaram um recital de desrespeito. A conversa de volta foi obviamente dominada pela qualidade, ou falta dela, da peça. E sempre aquela frase… Tem que se compreender, são actores.
12 XII
Corbeil. Depois Paris. Marais. Dome. Café aqui. Cerveja ali. Conversa desfiada comme d’habitude. Jantar no Flunch. Só para encher.
13 XII
Breve aula de Terminal em Brunoy. Almoço em casa. Paris. Nada de mais… um breve passeio só para espairecer. Fui comprar um calendário lá para casa (Queluz) ao Pompidou. Rothko.
14 XII
Corbeil de manhã. Uma das professoras, das mais novas e de esquerda, veio falar comigo. Veio sobretudo avisar-me de que tinha ocorrido a reunião de pais e professores… e que os portugueses estavam descontentes com o trabalho do professor Pean… mais… estava a correr na comunidade lusa de Villabé um abaixo-assinado para afastar o prof. Pean e colocar-me como professor… visto que os alunos andavam mais interessados do que nunca. Mais tarde o prof Pean veio falar comigo, veio avisar-me para ter cuidado com os alunos, que eles são perigosos e mentem aos pais, e dizem mal dos professores… Fui para Paris. Sexta é sempre dia de couscous… mas extraordinariamente estava fechado… Por isso fomos até ao Chérie, bar onde trabalha uma amiga da Susana. Mas estava… caótico, abarrotar, pleno, cheio, atolado, repleto, etc…
15 XII
Encontro com as assistentes espanholas… e passados vinte minutos já as tinhamos perdido de vista… de propósito? Quiças… sobrava apenas um arquitecto mexicano. Falante de oito línguas, um curioso personagem, sem dúvida. A revisitar numa próxima ida ao couscous.
16 XII
Instituto Mundo Árabe. Café na Bastilha. Domingo é dia de centenas de patinadores percorrem as ruas de Paris. Bizarro… no mínimo.
17 XII
Brunoy. Almoço. Corbeil. Jantar na Goretti. TV. Cama.
18 XII
Brunoy. Corte de cabelo nos árabes, almoço nos gregos, leituras nos franceses…
19 XII
Corbeil. Regresso a casa para começar a preparar o regresso à pátria amada.
20 XII
Brunoy. Passeio por Paris… um adeus… um até já…
21 XII
Corbeil. Regresso a casa e fazer as malas.
22 XII
Passeio por Paris até à hora do voo… 1h20 depois… saída em Madrid… corrida entre gates, e novo voo… Lisboa!!!

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