quinta-feira, janeiro 10, 2008

Criticando em Portugal

O professor António Costa Pinto comentava num dos seminários do mestrado de RI que um dos maiores recalcamentos e das mais pesadas heranças do fascismo e da ditadura em Portugal encontrava-se na reacção portuguesa à critica.

Poucos terão tão pouca capacidade de encaixe como os portugueses. Tal complica bastante o trabalho de críticos de arte, cinema, literatura, analistas políticos ou meros historiadores que relatam apenas uma versão de um acontecimento.

A critica gera por norma uma reacção violenta e um ataque em grande parte dos casos individualizado e de carácter pessoal. Se um critico literário comentar que x autor é fraco, ou mesmo que a sua mais recente obra é parca em x ou y atributos, a resposta incidirá sempre sobre o critico nunca ter escrito ou produzido nada e ser apenas um "bota-abaixo".

Ressalva, claro, que existe também uma significativa quantidade de críticos em Portugal cujo único trabalho é realmente menosprezar ou diminuir o trabalho de outros. Referir Vasco Pulido Valente como paradigma dessa escola parece sempre demasiado fácil, mas é realmente um exemplo da critica constantemente destrutiva.

A conclusão fundamental é que esta dificuldade em receber a critica de outros, em analisa-la e contrapo-la com factos e não com julgamentos de valor parece ser uma realidade que ainda demorará muito a mudar neste país de brandos costumes...

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