quarta-feira, janeiro 23, 2008

Felizmente o Messias apareceu e revelou que...

«Estamos a viver o princípio de um tsunami financeiro que arrasta milhões de pessoas no mundo inteiro por irresponsabilidade dos banqueiros e dos governantes» , declarou Francisco Louçã aos jornalistas, na Assembleia da República.
O dirigente e deputado do BE contestou a confiança manifestada pelo primeiro-ministro, José Sócrates, em relação à evolução da economia do país, contrapondo que «o jogo da crise financeira vai arrasar as economias, reduzindo o crescimento em Portugal e aumentando os riscos de desemprego e de pobreza».
Segundo Francisco Louçã, «desde 2001 que não havia uma crise financeira tão grave»«o colapso das bolsas levará empresas à falência, a menos exportações, a menos produção e a menos emprego». e
«O preço que os portugueses vão pagar vai ser uma catástrofe económica da qual só se safam os que têm poder» , sustentou, apontando o caso de «cinco administradores do BCP que saem com 70 milhões de euros».
Sublinhando não se ter enganado nos números, Francisco Louçã criticou que «cinco senhores possam desaparecer das suas responsabilidades levando 70 milhões de euros de indemnização», lamentando que «os que especulam, os que jogam são sempre os primeiros a resolver a sua situação».
Em relação ao futuro da economia portuguesa, Louçã recomendou a Sócrates que tenha «atenção à realidade», antevendo que «a crise nos Estados Unidos vai ter um efeito dominó numa crise na União Europeia» e que «Portugal, que tem um crescimento medíocre» pode perpetuar-se em recessão.
«Há aqui uma responsabilidade do Governo, que tem permitido a especulação, o livre curso desta aldrabice em que se transformou o sistema financeiro internacional» , disse, responsabilizando também a União Europeia e, de forma destacada, o governo norte-americano pela «espiral vertiginosa de especulação».
«As bolsas estão muito sobrevalorizadas» e «os governos que sempre alimentaram a mentira e os banqueiros que viveram da especulação são os primeiros responsáveis por esta crise», insistiu.
De acordo com Louçã, «a raiz desta crise na economia real é que os salários são muito baixos, há dinheiro a mais no sistema financeiro mas capacidade de compra real a menos» e «a pobreza das pessoas é que as deixa numa situação vulnerável».

Francisco Louçã in Sol 22 jan 2008

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