quinta-feira, janeiro 31, 2008

Into the wild

O que têm em comum Sean Penn, Eddie Vedder, Jack London, Paul Auster, Tolstoi, Boris Pasternak?
Poucos filmes nos últimos anos me terão tocado como este. Onde tanta coisa pintada a semelhanças faz sentido e me pergunto se o que me faz falta e faz falta a outros faz falta? O que é faltar?
Estão lá as dúvidas da meninice, da adolescência, de adulto, de velhice, de morte e vida… e o que outros encontram pode não ser a resposta. Aliás não é a minha resposta. Mas, realmente nunca saberei, estou demasiado preso a este mundo que critico e questiono… Não me consigo desprender!
Se Jack London se tornou um Supertramp para melhor conhecer um outro mundo, se o Quinn de Auster morreu escrevendo a solidão até ao último momento, se há resistência em Guerra e Paz, se não há classes para o Dr. Jivago… o personagem de Alexander é um pouco de tudo mas tocado por um olhar que Sean Penn já pronunciara em tantas interpretações e outras tantas entrevistas.
Os pequenos detalhes, que aprendi a descodificar com a Susana, estão lá como na despedida entre Alexander e a hippie onde uma torneira mal fechada deixa cair as lágrimas que nos ficam atravessadas, ou os aviões que continuaram a passar até o completo desprendimento em relação ao Mundo e ao universo do seu pai.
Estão lá olhares. E Sean Penn filma olhares como poucos.
Estão interpretações pujantes como as de William Hurt, Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, Jena Malone, Catherine Keener, etc.
Está uma banda sonora de Eddie Vedder que já antes criara para Dead Man Walking uma OST sublime e torna agora algo ainda mais coerente e aproxima-se da perfeição ao tornar as músicas como um personagem secundário tão importante como as descrições da irmã.
Poucos filmes me terão dado tanta vontade de escrever tanto e tão depressa. Poucos filmes me secaram tanto a fonte… Não consigo escrever nada com nexo…
Se eu pudesse ter uma terra onde percorresse todos os recantos sem perder o que me torna eu mesmo…
Porque se eu pudesse ser a vida que outros conseguem e pudesse deambular onde outros sonham, sem ter medo de deixar o aqui… Porque se tudo pudesse ser como nos filmes e largasse as amarras do barco à beira rio…
Porque se eu deixasse tudo para trás e corresse em direcção ao wild não choraria em cada vitória que outros têm por mim…
E choro nas deles porque só assim rio nas minhas derrotas quotidianas e transformo-as em vitórias.
E penso nisso… e calo-me por uns momentos longos…
E gostaria mesmo de conseguir viajar assim… procurando desnorteado um rumo para tudo. Não consigo. Mas tenho este filme.

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