quinta-feira, janeiro 17, 2008

Psicologia infantil

Deverá vir num manual básico de psicologia, daqueles que são oferecidos ao Domingo com o Correio da Manhã, o papel que um nome pode ter no crescimento de uma criança. Poucas escolhas da minha mãe, e talvez da minha avó, me terão afectado tanto como ter andando no infantário Patinho Feio.
As empregadas e educadoras até podiam ser bem simpáticas e prestáveis. Acredito mesmo que fossem. Os jogos que fazíamos a meio da tarde, fingindo sermos de uma ou de outra profissão podiam ser animados e darem importantes dicas na hora de escolha de um rumo profissional. E mesmo apesar da minha memória ser pouco mais que uns resíduos acabados de sair duma moderna incineradora sinto que poderia ter ali passado belos anos.
Todavia quando se é um pequeno rapaz de caracóis mal definidos, rosadinho, gorducho e com um sentido de humor mais avançado do que o das gaffes do Poupas o facto de se andar vestido com um bibe amarelo a dizer Patinho feio deixa marcas profundas. Acho até que havia uma votação para o Patinho feio do ano… Nunca saberei se escolhiam o mais feio, o mais bonito ou aquele que saltava pela janela para tentar voar.
Toda a situação encerrava ainda contornos mais bizarros quando se pensa que o infantário se encontrava no mais importante centro comercial da Amadora, o Babilónia. Apesar do seu nome imponente a verdade é que, após percorrer uma série infindável de lojas de brinquedos, pastelarias, lojas de roupas e ficar algum tempo a ver a minha avó a observar uma florista, subir num elevador escuro para um 4º ou 5º andar de um edifício bem no centro da Amadora não é bem uma subida ao paraíso…
Consigo, a custo, lembrar-me que tínhamos que dormir a sesta depois das belas histórias sobre príncipes e princesas em reinos distantes que as educadoras tanto prazer tinham em contar. Ou seja iludiam-nos com infindáveis castelos, jardins e paisagens idílicas e depois obrigavam-nos a adormecer rodeados por subúrbios, arrabaldes e arredores. Paradoxo?
A última vez que passei neste lugar mágico reparei que ele é agora um escritório de uma cura milagrosa de emagrecimento. Coerente, portanto. Continuam a contar às pessoas uma história mas a dar-lhes outra.

obs: este post quase com um carácter intimo entra para a história como o numero 200 do blog...

9 comentários:

Anónimo disse...

bem, o patinho feio ainda existe...no babilónia. E correção é no 1º andar.Essa angústia relativamente ao colégio deixou-me a mim própria angustiada... é que acabei de matricular lá o meu filhote! Ma foi assim tão mau??

Anónimo disse...

Julgo ser importante que alguém que, embora com grandes imprecisões no texto que apresenta quanto a afirmações que faz, possa contribuir para uma análise do que um nome pode "marcar" uma criança desde então até ao presente. Que houve contigo? O que recordas exactamente? Porque a escola se chamava Patinho Feio? Porque foste mal tratado? Olha que a mãe pata da história nunca deixou de amar o seu filho ainda que percebesse que não era seu o ovo. Porque te sentes Patinho Feio? Não chegaste ao tal cisne da história?

Anónimo disse...

Tenho estado à espera que me respondas às perguntas que te fiz pois que fiquei sensibilizado com o teu sofrimento actual motivado por uma escolha que, dizes ter sido infeliz, por parte da tua família. Não cheguei a perceber se naquela escola te tratavam mal e se é esse o motivo da tua perturbação actual ou se não conseguiste fazer o percurso que, tal como na história, leva alguém de patinho feio a cisne, através do seu próprio esforço e de caminhos, por vezes, difíceis de percorrer mas que têm que ser percorridos pelos próprios. Como posso pensar contigo? Fico à espera. Olha que a auto estima é importante.

Anónimo disse...

Permitam-me que me apresente. Sou mãe de uma criança que frequenta o Patinho Feio há já alguns anos. Inscrevi-a nessa escola uma vez que eu própria já lá tinha andado e as minhas lembranças, o meu saber-estar e saber-ser vêm muito do convívio e da educação que me foram dadas nessa escola que funcionava, e ainda funciona, como um complemento da família, e vice-versa, que é o que se pretende numa escola. Devo informar o primeiro escritor que o Patinho Feio começou por ser num rés-do chão há 41 anos atrás, passando para um primeiro andar numa rua, mudando-se para o Babilónia onde ainda existe, mas sempre num primeiro andar. Não sei de que elevador fala porque, apesar do prédio ter elevador raras são as pessoas que o utilizam para ir para o externato dado que é apenas um lance de escadas. Os bibes dessa escola nunca foram amarelos, mas sim castanhos e bem hajam os bibes que me permitiam sujar à vontade de tintas e tantos outros materiais sem ter que ouvir o ralhete dos meus pais por ter estragado a roupa. Como mãe, para os meus filhos agradeço que os mantenham. Além de aguentar o sujo por serem castanhos esses bibes permitem que o pessoal da escola vigie bem todas as crianças aquando os passeios escolares que são muitos os que a escola proporciona. Outra cor poderia ser confundida por outras escolas por ser tão banal como o azul, o rosa ou mesmo o amarelo. Sou médica e fiz toda a minha escolaridade até ao 4º ano no Patinho Feio. Quando fui para o 5º fui uma das melhores alunas da escola dada a óptima preparação que tinha. O Patinho Feio ainda existe, felizmente. Qualquer pessoa inteligente quando quer dizer mal de algo é importante que se informe convenientemente para não cair no ridículo de dizer mal por dizer. Se lá andou, o que duvido dado as imprecisões de informações, se sente que poderia lá ter passado belos anos e não o fez a culpa deve-se à sua pessoa porque todos nós éramos lá felizes. Também nunca lá houve nenhuma votação a não ser para escolher democraticamente algumas regras de boa convivência e saber estar na escola. Será que em sua casa não havia o hábito de ler histórias consigo? Será uma frustração que tem da sua família? E olhe que hist+orias de princesas não há muitas. Porque não aproveita para ir ao Externato Patinho Feio pedir emprestado algum livro de histórias da vasta biblioteca que eles têm? Mas, afinal, em que escola andou? Parece-me que não se lembra do nome, mas faça um esforço e diga porque eu gostaria de saber.

JJT disse...

Olá, cara leitora.

Confesso que não lhe respondi antes porque pensava que se tratasse de uma partida da minha mãe.

Na realidade tenho algumas boas recordações do Patinho Feio, não muitas porque a minha memória é sempre muito frágil.
Mas, vejo que infelizmente, e poderíamos mesmo dizer naturalmente visto que não me conhece, não se apercebe que uso ironia mas acima de tudo fantasia nesta narrativa.
O que procurei fazer foi sobretudo brincar com o nome do infantário... só isso... e isso nunca necessitaria de tão inflamada resposta da sua parte.

Agora num momento mais sério... espero que o Patinho Feio continue com a qualidade que tinha anteriormente pois eu aproveitei-a. E quanto à leitura de contos foi um elogio que fiz... porque se hoje escrevo e tenho gosto pela leitura devo à minha mãe e ao colégio.

Um grande bem-haja e espero que da próxima vez tenha em conta o contexto do blog que vagueia num tom humorístico, poético, sério, fotográfico...simplesmente generalista.

Anónimo disse...

Alertada por esta "guerrilha" sobre a escola, escola essa, que tem envolvido a minha alma de "poetisa", desde que o iniciei até então, gostaria que pudessemos falar-nos. Não sei onde páras nem, sequer, quem sejas, mas, tenho a certeza, lendo o teu texto inicial, de que gostas e sabes escrever, e não só. Além disso têm passado por aqui crianças que são,hoje, pessoas de quem me orgulho e nas quais me revejo. Vê se apareces. O nosso telefone é 21 493 0087.

Anónimo disse...

Então? há tanto tempo que não dizes nada. Temos esperado que apareces pelos meios que mais te agaradarem. Gostávamos de poder recordar. Pessoas são elementos de grande importância nas nossas vidas.

Anónimo disse...

Há muito que não sabemos de ti.

Já agora para adicionar ao teu prazer da leitura que, segundo escreveste, talvez tenha tido como intervenientes a tua mãe e o Externato O Patinho Feio, quero dizer-te que o 3º prémio das correntes d'Escrita foi ganho por um grupo de alunos desta tua, já distante, escola.
Aliás, se procurares encontrarás a este nível, temos tido o prazer de conseguirmos destacar-nos em algumas boas iniciativas, tais como os concursos " Uma aventura Literária".
Continuamos a apreciar o teu blog.
Um abraço, se é que nos é permitido.

Anónimo disse...

Contnuamos a apreciar os temas e, muito especialmente, a tua grande sensibilidade quando nos brindas com "coisas" que revelam um mundo de saberes. Quero dizer-te que na sequência da responsabilidade que sempre existiu ao "trabalhar" com as nossas crianças fazendo com que se sintam actuantes numa sociedade que poderão modificar, conseguiram receber mais dois prémios literários desta vez da Editorial Caminho que vão ser entegues no próximo dia 6 na Feira do Livro e a representação, mais uma, no Teatro Aberto no dia 1 de Junho. Como dinamizadora desta escola sinto-me bem, como é óbvio. Continuo na expectativa de nos revermos. Para tal estamos a tentar reunir gente de todos os tempos e que passaram pelo Externato O Patinho Feio. Os dias passam e ainda gostavamos de nos encontrar. Fico à espera.