sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Para Além do Desespero

Para além do desespero...
Apenas a criança
Numa paisagem de nada

A sua boca não ri
(Nunca soube
que uma boca de criança
foi feita para rir)

Os seus olhos não choram
(Não há lágrimas para além do desespero)

Os seus pés
não correm atrás de borboletas
e as suas mãos
não abrem covas na areia
(Não há borboletas nem areia
numa paisagem de nada).

Para além do desespero...
Também minha revolta
com cadeados nos pulsos.

Ovídio Martins (1928-)

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