segunda-feira, março 31, 2008

Sr. de Jesus

Parece mais uma daquelas mentiras de dia 1 de Abril mas a verdade é que a partir de hoje o blog Nem vale a pena dizer mais nada passa a contar com mais um associado o... Sr. de Jesus.

Taxista na capital francesa há mais de dois anos e vindo directamente do desemprego em Bismula este trintão e solteirão tem vindo a promover mais Portugal junto dos estrangeiros que o ICEP nos últimos dez anos.

Conhecido pelo seu temperamento irascível quando acorda, é também verdade que uma boa pinga do Sabugal consegue sempre meter-lhe um sorriso na cara e uma condução mais confiante - segundo palavras do próprio.

O seu objectivo com estas crónicas mais do que tudo é provar que a comunidade taxista em França é algo mais transcendente do que é habitualmente vinculado por alguma comunicação social e pela generalidade da opinião pública. Assim, com estas crónicas do Sr. de Jesus conheceremos por dentro a vida cultural e social que o levaram a ser já apelidado como o novo galã do 75.

Amante de futebol e sobretudo não esquecendo o seu amor pelo Creteil, clube onde desde pequenino ambicionou um dia jogar, não serão surpreendentes algumas referências à mística que este clube transporta e como os recentes resultados lhe moldam as segundas-feira de manhã.

O Sr. de Jesus vai procurar provar com a sua colaboração de três meses que cliché, estereótipo e lugar-comum podem fazer muito sentido para alguns mas não na sua pessoa... porque ele é acima de tudo... o Senhor de Jesus!


still learning english...

Elegy for Thelonious



Damn the snow.
Its senseless beauty
pours a hard light
through the hemlock.
Thelonious is dead. Winter
drifts in the hourglass;
notes pour from the brain cup.
damn the alley cat
wailing a muted dirge
off Lenox Ave.
Thelonious is dead.
Tonight's a lazy rhapsody of shadows
swaying to blue vertigo
& metaphysical funk.
Black trees in the wind.
Crepuscule with Nellie
plays inside the bowed head.
"Dig the Man Ray of piano!"
O Satisfaction,
hot fingers blur on those white rib keys.
Coming on the Hudson.
Monk's Dream.
The ghost of bebop
from 52nd Street,
footprints in the snow.
Damn February.
Let's go to Minton's
& play "modern malice"
till daybreak. Lord,
there's Thelonious
wearing that old funky hat
pulled down over his eyes.


Yusef Komunyakaa in Copacetic, 1984

Surpresa?

Le Français Jean Nouvel a été désigné lauréat du prix Pritzker, dimanche 30 mars, à Los Angeles. Equivalent du prix Nobel, cette récompense est la plus importante en matière d'architecture dans le monde. Avant lui un seul autre Français l'avait obtenue : Christian de Portzamparc en 1994.
M. Nouvel, 62 ans, est distingué pour l'ensemble de sa carrière, marquée par "sa poursuite courageuse de nouvelles idées et sa remise en cause des normes acceptées, afin de repousser les limites de son champ d'activité", a déclaré Thomas Pritzker, président de la fondation Hyatt qui décerne ce prix depuis
1979.
"Pour lui c'est quelque chose de très important puisque ça tombe à un moment de sa carrière où il travaille un peu partout dans le monde et ça tombe au moment du 30e anniversaire du prix", souligne Frédéric Edelmann, journaliste au Monde. "Les Américains - car c'est un prix américain - ont reconnu en lui quelqu'un qui commençait à s'implanter aux Etats-Unis - avec en particulier un projet de grande tour à New York -, mais aussi quelqu'un qui a toujours été capable d'innover", poursuit Frédéric Edelmann. Au point de rendre son style parfois difficilement reconnaissable.
Souvent pressenti pour cette prestigieuse distinction, Nouvel s'est illustré avec des édifices tels que le Centre Culture et Congrès de Lucerne. En France, on lui doit notamment la Fondation Cartier et le Musée du Quai Branly.
L'architecte s'est dit, dimanche, "honoré" et "un peu surpris" par cette distinction, qui lui "permettra peut-être d'aller un peu plus loin".
Le Monde, 31 III 08

quinta-feira, março 27, 2008

Finalmente Mumia Abu-Jamal Free?


Une cour d'appel fédérale américaine a annulé jeudi 27 mars la condamnation à mort de Mumia Abu-Jamal, figure de la lutte internationale contre la peine capitale, tout en confirmant sa condamnation dans le meurtre d'un policier survenu en 1981. En cela, la cour d'appel confirme la décision prise par un juge fédéral en 2001 qui avait décidé que Mumia Abu-Jamal ne pourrait être exécuté sans la tenue d'un nouveau procès.

Aux Etats-Unis, le procès déterminant la culpabilité et celui déterminant la peine sont distincts. La cour d'appel a décidé que Mumia Abu-Jamal était bien coupable du meurtre d'un policier, Daniel Faulkner à Philadelphie en 1981, mais a estimé que lors de son procès, en 1982, le jury aurait été abusé : les instructions données aux jurés avaient pu leur faire croire qu'ils devaient s'accorder à l'unanimité sur des circonstances atténuantes pouvant épargner au condamné la peine capitale, alors que la procédure est en fait moins restrictive. La condamnation à mort sera commuée automatiquement en réclusion criminelle à perpétuité, à moins que l'accusation ne se présente à nouveau devant un jury pour tenter d'obtenir la peine de mort.
"FAIRE FRIRE CE NÈGRE"
Ancien journaliste radio et militant des Black Panthers, Mumia Abu-Jamal, aujourd'hui âgé de 53 ans, a en effet toujours clamé son innocence. Sa défense contestait notamment le fait que, lors de la constitution du jury de son procès, dix jurés noirs aient été récusés pour obtenir, au final, un jury de dix jurés blancs et deux jurés noirs, alors que plusieurs décisions de la Cour suprême américaine interdisent de récuser un juré potentiel en raison de la couleur de sa peau. Pour ses partisans, l'ancien militant de la cause des Noirs a été victime d'un procès politique et de forts préjugés racistes. Ils avancent que le juge présidant le procès de 1982 aurait déclaré à l'époque : "Je vais les aider à faire frire ce nègre" ou encore qu'en 1999 un certain Arnold Beverly aurait par ailleurs avoué à la justice avoir été engagé par la mafia de la ville pour assassiner Daniel Faulkner, parce que ce policier enquêtait de trop près sur certaines figures du crime organisé.
Le Monde, 27 III 08

sons na minha estadia parisiense...

máximas de vida

I'm not an alcoholic...
I'm a drunk!
Alcoholics go to meetings...

sábado, março 22, 2008

conversas de rua...

- Tudo bem, pá?
- Sim. E contigo?
- Também. Também... Muito bem mesmo, até acho que vou deixar de ser ateu...
- A sério? Então porque?
- Acho que já não faz sentido.
- Mas encontraste algum sentido para a vida? Algo que te aproximou de Deus?
- Nada disso, só que ouvi dizer que os pagãos têm umas festas...
- Ok, ok... Tu lá sabes...
- Adeus, pá! E bom dia de Ishtar...
- Boa Páscoa...

sexta-feira, março 21, 2008

arquitectura em linha

Diário de bordo (continuação)

Mais de um mês sem diário de bordo… Foram varias semanas com coisas normais em Corbeil e Brunoy, ao ritmo de sempre, mas foram também semanas de visitas e de viagem...
Este contexto diferente leva-me a optar por uma metodologia diferente, vou pois apenas referir os dias mais importantes:

De 4 a 17 de Fevereiro destaque apenas para duas saídas do pessoal com a Charlotte (colega em Brunoy) e Sebastian (um norueguês a fazer um curso de francês e que é seu locatário). Fomos aos árabes, ao couscous do costume, mas este parece nao ter qualidade para uma tunisina, depois passamos pelo Cherry (bar onde trabalha uma colega da Susana e que parece ser muito à la mode) e finalmente para encerrar a noite... um bar com porteiro em que ao contrario da noite do porto este profissional é também profissional do carinho (abraça efusivamente todos os que entram e que saem); Priceless.


Depois uma semana (17-24) inteira com o Alex e Joao e com todas as parvoíces, benfiquices, sacanices, e ate mesmo judiarias... Durante a semana houve de tudo. Marais e gays, Louvre e rapidinhas, Pompidou e fotos, La defense e paisagens, St germain e passeios, Oberkampf e árabes, etc... até noctilien. A minha primeira vez no noctilien tem muito que se lhe diga... uma aluna minha que nem me reconhecia... um calor monstro no bus, fala-se mesmo que poderia estar 45°... tudo a dormir durante a viagem com o companheiro do motorista a ter que ir acordar as pessoas aos lugares com umas simpáticas festinhas e carinhos na mão... Houve despertares tarde, por culpa do cozinheiro, Benfica no Churrasquo (pormenor que apenas o olhar apurado do João conseguiu notar), houve ainda passeios sem fim, comer ate mais não, poucas aulas e uma despedida apressada por uma noite mal dormida... ah e saudades...

um dia de descanso... quase sem descanso...

26 Fevereiro... Amsterdam + Susana + Ferias = "coisa sonhada"
Quase uma semana em terra de canais, tulipas, droga, cerveja barata, prédios tortos, frio, muito frio. No primeiro dia nao houve tempo para mais do que um breve passeio na red light, ir as compras e ficar na conversa com as nossas caras anfitriãs. Depois acordar quase sempre tarde para aproveitar as manhas na ronha com a menina. Depois passeios entre ruas e canais, almoço num restaurante muito simpático junto ao Van Gogh (soube um pouco a desilusão este museu sobretudo se pensarmos que por exemplo o Orsay tem uma colecção invejável). De qualquer forma a Museumplein é uma zona muito agradável. Visita à excepcional biblioteca da cidade (o paradigma de como deveriam ser todas... funcional, bonita, moderna, e com uma vista…). Passagens ainda no Museu de Arte Contemporânea (muito aquém de Pompidou e Tate); do Cinema, Nemo e mais passeios. Pelo meio, o aniversário da Susana e uma maravilhosa e hilariante festa de anos... com tudo a que ela tinha direito como bolo, prendas, fósforos-vela...

Regresso a custo... e com um atraso de 3 horas...

Mal comido e cansado da noite anterior e da viagem fui ter com o Mário para ver o Benfica ao Churrasquo... vários copos depois, uma conversa com o Márcio e com um empate em cima voltei para casa. Azar... o calor deu cabo de mim. Adormeci no último rer... Acordei em Lieusant... uma estação depois (a 6 kms, cortados por campos e auto-estrada). A estação é um terminal sem táxis, nem casas perto, um deserto... tive que arriscar e pus-me a caminho no que pensei ser a direcção certa, enquanto uma chuva ia dando uma ajuda para me manter acordado e provocavam um ruído curioso nas rodas da minha mala de viagem. 40 minutos depois cheguei a um hotel, daqueles como nos filmes bem à beira da estrada. Fechado. Ou pelo menos sem ninguém... esperei e 10 minutos depois apareceu um indiano do meio da chuva a perguntar se estava ali para o hotel... disse que sim, pudera, havia de estar para o que... abriu o hotel e disse-me que passava muito tempo sozinho e como se entediava ia passear. Conversou-se um pouco e pediu-me desculpa mas tinha mesmo que cobrar a noite porque de manha alguém podia aparecer… mas podia oferecer-me um copo e fomos para o bar do hotel. Conversou-se um pouco mais e lá acabei por subir ao quarto... e dormi profundamente.

Semana de ferias pela frente... com passeios constantes por Paris, entre cervejas, jantaradas, Benficas, copos com a Ana Maria & friends, jantar na "loge" da Dalila com o Zé, mais passeios, frio, mais frio, chuva, árabes e "ogres au plumes"...

Regresso às aulas, com os alunos cheios de saudades mas sobretudo com boas noticias de Portugal, o estagio da Susana no Bando promete...

Durante a semana destaque especial para a tarde-noite nos gays a meio da semana, e para a jantarada em casa da Charlotte e do Sebastian, no sábado. Uma bela tágine acompanhada por bom vinho, tabaco norueguês (reprovável), muitos risos e despertar de curiosidade por Roman Gary (ja comprei 3 livros e estou a gostar "La vie devant soi").

Recomeça uma semana... desta vez com a visita da mãe da Ana e da sua prima... estão maravilhadas com a cidade... compreende-se... são da geração da Paris - centro do mundo...
A meio da semana noite bem passada no bar do costume desfiando conversa com o empregado argelino... Babel continua a crescer...

Para terminar... a viagem a Portugal esta garantida de 17 a 27 de Abril, com passagem pelo Porto... e fiquei a saber que o Luís vem a Paris apresentar uma das peças da Comedias do Minho. Excelentes notícias...
Até breve...

quinta-feira, março 20, 2008

Burqa...

















in Burqa de Simona Bassano di Tufillo

A estrada Eleita do povo Eleito...

El Tribunal Supremo israelí consagra la segregación
Los palestinos tendrán prohibido el acceso a una autopista en Cisjordania

La historia de la carretera 443, que une Jerusalén con una autopista que enlaza la ciudad santa con Tel Aviv, es un compendio de las prácticas arbitrarias ejercidas por las administraciones israelíes. La vía transcurre por territorio ocupado; ejemplifica los manejos del Ejército israelí y su poder para imponerse por encima del estamento civil, y muestra que los gobiernos y los tribunales dan su beneplácito posterior a los atropellos contra los palestinos. Hace diez días, el Tribunal Supremo emitió un fallo, dado a conocer hoy por el diario Haaretz, que consagra, por primera vez, una práctica segregacionista. Tras un largo proceso judicial, los demandantes palestinos han perdido la batalla y tendrán vetado circular por la carretera 443 que atraviesa Cisjordania. La Asociación para los Derechos Civiles en Israel arremetió contra este precedente judicial discriminatorio y que viola la legislación internacional.

Fue la primera de algunas vías que han sido bautizadas como carreteras del Apartheid. Todo comenzó a principios de la década de los ochenta, cuando se inició la construcción de la citada vía para que también los palestinos, a los que se impedía transitar por la autopista número 1, pudieran utilizarla. Se expropiaron predios de propiedad privada de palestinos y en los avatares judiciales que se suscitaron el Estado prometió que la carretera -jalonada de muros, vallas metálicas y torretas de cemento militares- permanecería abierta a todos los conductores, árabes e israelíes.

Pero tras el estallido de la segunda Intifada, en septiembre de 2000, y los ataques a vehículos israelíes, el Ejército cerró el paso a los coches palestinos. Sin encomendarse al Ejecutivo. El entonces viceministro de Defensa, el laborista Efraim Sneh, admitió que la decisión no fue consultada con el Gobierno. Y más tarde, la Administración Civil -el organismo dirigido por militares que gestiona los territorios ocupados- ofreció 80 permisos para conductores palestinos que residen en pueblos donde viven 30.000 personas.

Como ocurre en infinidad de ocasiones en Cisjordania, los uniformados dictan las normas. En las pequeñas carreteras que desembocan en la autopista 443 se observan hoy día bloques de cemento que taponan la salida a los lugareños. Sólo en algunos puntos, un puñado de taxis tienen permitido el acceso. Pero la gran mayoría de la población ha visto cómo se le ha cortado el camino a la ciudad de Ramala, capital administrativa de Cisjordania, y al resto de este territorio. Sucede lo mismo en cientos de kilómetros en la Cisjordania ocupada, reservados exclusivamente para el tránsito de los colonos.

EL Supremo ha dictaminado ahora que el Estado deberá explicar con detalle, en el plazo de seis meses, el estado de la construcción de una nueva carretera para empleo exclusivo de palestinos, lo que indica que la autopista 443 seguirá siendo utilizada únicamente por ciudadanos israelíes. La nueva vía acarreará nuevas expropiaciones y un coste de millones de euros.

Los abogados de la Asociación para los Derechos Civiles en Israel, que representa a seis pueblos a los que afecta la prohibición, aseguran que la decisión judicial viola las leyes internacionales y que los jueces han eludido pronunciarse sobre las cuestiones planteadas por los demandantes. Y, para colmo, los letrados afirman que los soldados han comenzado recientemente a acosar a los seis pueblos que entablaron la demanda con patrullas en las que utilizan bombas de luz y balas de caucho. Es la represalia contra quienes se atrevieron a acudir a la justicia.

El Pais,
19 III 08

segunda-feira, março 17, 2008

De um fim de dia...

Chegou a casa. Exausta. Como hábito atirou o casaco para ali, deixou a mala aqui, os ténis tombaram e as pernas esticaram-se por entre almofadas cremes.

Apalpou a mesa, de tabaco e pacotes, em busca do comando perdido. Nada. Talvez perdido no chão entre os pêlos do gato e o tapete de pêlo.

Um comando. Play. O da aparelhagem, paciência. Um, dois, três cds. Entre voz e guitarra; voz guitarra, baixo, bateria; ou violoncelo. Ficou pelo último. Fazia lembrar aquele concerto na Igreja Matriz onde a Sarah tocara pela última vez antes de abandonar a música como deixara o marido uma semana antes. Ela era assim... impetuosa.

Encostou-se e afundou-se entre acordes de Bach e um sofá a descair para as pontas. Pensou no que o dia lhe trouxera de novo. Nada. Como sempre. Um redondo nada. Como o não.

Doía-lhe ligeiramente a cabeça mas não lhe apetecia levantar para procurar algo para tomar. Algo que estaria sempre entre os papeis de carta, os papeis de embrulho, os papeis dos recibos, os papeis de ontem.

Assim deixou-se ficar. A música ia ficando mais forte, mais intensa, o violoncelo acelerava e parecia que lhe trouxera uma ansiedade que lhe apertava o peito e turvava a vista. Parou o cd. Deixou-se invadir por um silêncio inebriante enquanto uma luz de pôr-de-sol no rio lhe enchia o quarto, dourava a face e a adormecia de mansinho.

Umas obras ao fundo, uma criança que grita, uma novela aos berros, um concurso de gente burra na tv do lado e o silêncio fora copiosamente invadido por sons inúmeros.

Ligou a música. Desligou a música. O violoncelo...

Mudou um cd. Algo mais calmo. Uma voz e uma guitarra. Uma voz triste, uma canção abandonada. Desligou a música. Ligou a música. Voz, guitarra, baixo, bateria. Muitos sons, muita confusão. Desligou a música. Os miúdos da vizinha, da novela, da criança, das obras... o silêncio?

Esticou-se até ao telefone, puxou-o para perto e discou o número que conhecia bem demais. Era esse silêncio sobre a forma de palavras que lhe faltava...

Do outro lado ele atendeu ao quarto toque...

gostava de ter sido eu a escrever isto

A China e a hipocrisia

Quando foi atribuída a organização dos Jogos Olímpicos’2008 à China dizia-se que isso deveria implicar mudança de atitude das autoridades no que diz respeito aos Direitos do Homem.

A cinco meses da principal manifestação desportiva à escala planetária, num momento em que a repressão aos tibetanos regressa às manchetes, já todos perceberam aquilo que não quiseram entender antes: não é possível transigir face a quem desconhece o significado da palavra democracia, não pode estender-se a mão diplomática a ditaduras, porque não há ditadores bons, ao contrário do que sucessivas administrações norte-americanas têm procurado explicar.

Face à repressão, ao número de mortos e feridos, os governantes ocidentais têm os discursos do costume – lamentam e aconselham diálogo, porque não percebem que diplomacia não é ajoelhar perante os mais poderosos, é olhá-los nos olhos e, através de medidas concretas, fazê-los entender que o caminho não é este.

São as lágrimas de crocodilo habituais, partilhadas pelo Comité Olímpico Internacional (onde está Jacques Rogge? Mario Pescante, representante para as relações internacionais, diz que o principal problema é a ameaça terrorista islâmica, esquecendo o terrorismo de Estado dos chineses) e por cada comité nacional. Isto não é diplomacia, mas tem outro nome: hipocrisia.

PAULO PEREIRA in Record, 16 III 08

obs: porque às vezes há mesmo jornalismo nos jornais desportivos...

segunda-feira, março 10, 2008

red exit ?

Untitled

a casa está vazia...
e há aqueles ruídos próximos que já se tornaram familiares mas são de outros,
há cheiros que insistem em não sair
enquanto limpo
os restos
que se amontoam na sala,
há uma eterna vontade de apanhar um regresso
na forma de coisa sonhada.

a casa está vazia...
e não encontro nela a música
que ponho a tocar
a altos berros
e me ensurdece aos poucos
e poucos.

a casa está vazia...
e tenho um triste sofá velho que me abraça
todas estas noites
em que te ligo
e o telefona toca sem fim.

a casa está vazia...
porque não sei como arrumar
os escombros da última derrocada
em que metade de ti desabou
na distância...
entre mim e os vizinhos,
que tocaram à campainha no
último domingo
antes da missa.

a casa está vazia...
porque perdi aquele toque das palavras
na seca
da distância contada em minutos,
e sobram-me letras unidas
como mandam as gramáticas
das casas velhas.

a casa está vazia...
e assim ficará...
porque resto sozinho...
enquanto os miúdos brincam lá fora...
aos jogos dos alegres...


Paris, 10 III 08

... para a Susana...

quarta-feira, março 05, 2008

Fim do mundo?

Será impressão minha… ou quando um jornal de referência baseia metade da sua notícia na análise do profile de um indivíduo no hi5 algo vai mal?
A PSP não afasta a hipótese de suicídio na morte do segurança, de 35 anos, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, encontrado inanimado num corredor de serviço do piso 2 do edifício.
Num comunicado divulgado esta tarde, a PSP afirma que "não está posta de parte a hipótese de se tratar de um suicídio".

Segundo a polícia, o alerta foi dado por um funcionário da empresa de segurança Charon, que avisou a esquadra da polícia do Centro Comercial Colombo da presença do corpo do colega num "corredor de serviço" do piso 2, na "escada de acesso ao sótão, local apenas frequentado por funcionários". O segurança foi encontrado deitado com uma faca ao lado, "prostrado num vão de escada".

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) foi alertado cerca das 13h25 e cinco minutos depois chegou ao local, onde se encontrava o segurança em paragem cardio-respiratória e com uma "hemorragia abundante", alegadamente resultante de três facadas que sofreu no peito, como explicou à Lusa o porta-voz do INEM, Pedro Coelho dos Santos. A morte foi confirmada e o corpo transportado para o Instituto de Medicina Legal para autópsia.

A PSP entregou o caso à Polícia Judiciária, que irá determinar se se tratou de um homicídio ou de um suicídio.

Para já, não existem quaisquer informações sobre o segurança. O PÚBLICO apurou, no entanto, que a vítima, de 35 anos, tinha um perfil no Hi5, uma rede social online, onde se apresentava como “um ser humano que vive no coração do planeta” e que espera conhecer “todos os que o querem discutir um mega plano para tornar o mundo num lugar em que todos podem viver em condições pacíficas”.

Ao final da tarde, a página com o perfil tinha duas mensagens deixadas por amigos, que lembraram o segurança como “pacato, que não se metia em confusões” e “um excelente profissional e ser humano”.
04.03.2008 - 19h40 in PÚBLICO
obs: copypast do bobina..

sábado, março 01, 2008

as férias continuam em Amsterdam...


01 III 08 - parabéns...

A Dream Within A Dream

Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow--
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.

I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand--
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep--while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

Edgar Allan Poe