segunda-feira, março 17, 2008

gostava de ter sido eu a escrever isto

A China e a hipocrisia

Quando foi atribuída a organização dos Jogos Olímpicos’2008 à China dizia-se que isso deveria implicar mudança de atitude das autoridades no que diz respeito aos Direitos do Homem.

A cinco meses da principal manifestação desportiva à escala planetária, num momento em que a repressão aos tibetanos regressa às manchetes, já todos perceberam aquilo que não quiseram entender antes: não é possível transigir face a quem desconhece o significado da palavra democracia, não pode estender-se a mão diplomática a ditaduras, porque não há ditadores bons, ao contrário do que sucessivas administrações norte-americanas têm procurado explicar.

Face à repressão, ao número de mortos e feridos, os governantes ocidentais têm os discursos do costume – lamentam e aconselham diálogo, porque não percebem que diplomacia não é ajoelhar perante os mais poderosos, é olhá-los nos olhos e, através de medidas concretas, fazê-los entender que o caminho não é este.

São as lágrimas de crocodilo habituais, partilhadas pelo Comité Olímpico Internacional (onde está Jacques Rogge? Mario Pescante, representante para as relações internacionais, diz que o principal problema é a ameaça terrorista islâmica, esquecendo o terrorismo de Estado dos chineses) e por cada comité nacional. Isto não é diplomacia, mas tem outro nome: hipocrisia.

PAULO PEREIRA in Record, 16 III 08

obs: porque às vezes há mesmo jornalismo nos jornais desportivos...

Sem comentários: