segunda-feira, março 10, 2008

Untitled

a casa está vazia...
e há aqueles ruídos próximos que já se tornaram familiares mas são de outros,
há cheiros que insistem em não sair
enquanto limpo
os restos
que se amontoam na sala,
há uma eterna vontade de apanhar um regresso
na forma de coisa sonhada.

a casa está vazia...
e não encontro nela a música
que ponho a tocar
a altos berros
e me ensurdece aos poucos
e poucos.

a casa está vazia...
e tenho um triste sofá velho que me abraça
todas estas noites
em que te ligo
e o telefona toca sem fim.

a casa está vazia...
porque não sei como arrumar
os escombros da última derrocada
em que metade de ti desabou
na distância...
entre mim e os vizinhos,
que tocaram à campainha no
último domingo
antes da missa.

a casa está vazia...
porque perdi aquele toque das palavras
na seca
da distância contada em minutos,
e sobram-me letras unidas
como mandam as gramáticas
das casas velhas.

a casa está vazia...
e assim ficará...
porque resto sozinho...
enquanto os miúdos brincam lá fora...
aos jogos dos alegres...


Paris, 10 III 08

... para a Susana...

1 comentário:

Anónimo disse...

estão-te a bater as saudades seu pilantra :)
já faltou mais ;)


Alex