quarta-feira, abril 30, 2008

não é o que se ganha é o que se produz...

Portugal vai ser ultrapassado pela Estónia e pela Eslováquia no próximo ano em riqueza produzida por habitante.

É uma história triste que, desde 2005 – quando fomos ultrapassados pela Grécia – se tornou demasiado repetitiva para surpreender.

Isto foi em tempos recentes, em que o défice já tomara o primeiro plano como palavra de ordem. E é melhor nem pensar nos idos de finais de 80 em que, absolutamente no nosso campeonato, estavam tanto os irlandeses como os espanhóis. De resto, ainda nos não tão longínquos anos 90, Portugal inchava de orgulho em quase todas as comparações com Espanha. Cà, sublinhavam-se as taxas de crescimento da economia e a convergência inédita com os vizinhos mais ricos da Europa desenvolvida. Portugal estava na moda, um caso de sucesso a todos os níveis, um dos mais brilhantes alunos nas lições de Bruxelas. Espanha agonizava com taxas de desemprego de 20%. O brilhante sorriso de superioridade que exibiamos na altura ofuscava a leitura mais séria da realidade: Portugal olhava para o manancial de subsídios mais preocupado com a execução das verbas do que com a sua valorização. O objectivo era gastar, mais do que aproveitar. Em Espanha, a dor dos desempregados mostrava uma economia em profunda mudança e modernização.

Os países que um a um nos vão hoje ultrapassando atravessaram igualmente mudanças dolorosas. Desmantelaram os regimes económicos centralizados em que viveram durante décadas. Avançaram de peito feito para reformas radicais de mercado. Revolucionaram os sistemas fiscais. Abriram-se sem preconceitos.

Portugal, mais de vinte anos depois da entrada no clube europeu, continua a tapar com pensos rápidos as erupções cutâneas que lhe vão rasgando a pele, sintomas de um organismo em lenta e dolorosa decomposição. Sem imaginação para uma terapia de choque que cure a doença.

Por isso, mais do que a descida, degrau a degrau, para o fundo das escadas da pobreza, o que verdadeiramente dói é a preocupação dos responsáveis políticos em tentarem ver raios de sol inexistentes num céu onde só existem nuvens carregadas.

Hoje precisamos de vasculhar as tabelas do Eurostat em busca de países que não envergonhem o nosso PIB por habitante – de 66% da média Europeia. Mas já não sorrimos quando em pior posição que nós apenas encontramos países como a Bulgária ou a Roménia. A Grécia vai quase nos 90%, a Espanha nos 93%. Os irlandeses, esses produzem hoje 30% mais riqueza que o europeu médio, fazendo subir a fasquia e sendo, assim, um dos principais responsáveis pelo nosso empobrecimento relativo.

Sem poder esperar grandes rasgos dos seus estadistas nem inspiração do seu sector privado na quimera da convergência com a Europa, resta a Portugal pouco mais do que esperar que parceiros mais pobres do que nós façam baixar a riqueza média dos outros.

in Pedro Marques Pereira, editorial do "Diário Económico, 29 de IV de 2008

1 comentário:

Anónimo disse...

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