quinta-feira, abril 03, 2008

Palavras de ensaio

Uma boca de inferno,
numa boca feita de palco,
num tempo de actores diabolizados,
e de peças representadas a contra luz,
em que jogos de sombras gritantes
escondiam as frustrações de criança
cache-cache
num camarim ao fundo.
Onde recitava de peito aberto
as palavras que não dissera
a seu pai, à morte,
de seu pai.
Ele, que farto de descobrir o enredo
na reacção dos outros
se escondia,
sempre,
no silêncio
que a sua voz provocava
nesses outros.
Ele, sim, só…
Em monólogo consigo mesmo.
Ele,
actor.

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