quinta-feira, abril 03, 2008

A uma próxima vez

Tinha uns olhos de criança
perdida,
e quando queria
era um centro do mundo
descentrado dos homens.
Com os seus passos
desordenados
tinha um jeito único
de passar
por entre as coisas
que já não a tocavam assim tanto.
Mesmo
quando
chorava
noite, longa, fora
e ensopava a almofada
que dura
lhe desconfortava
o sono por vir. E, quando de mansinho
lhe dava a mão,
no seu jeito
de animal inocente
que ferido de morte
desejava um último olhar,
ele sabia
que não havia último
e que haveria sempre um próximo…
Ok. Vamos tentar outra vez!
Porque, sim,
porque, há,
há coisas que não têm fim,
nem têm a explicação
que os racionais
escrevem nos livros
e que os desesperados
lêem
de uma vez só…
Em livros
pendurados na livraria
a que ela ia
após cada discussão…
Que sabia não ser a última.

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