sábado, maio 31, 2008

Conversar na amizade e no poder

de tudo o que se afirma

é abrir um espaço de ignorância viva

em que o saber se faz concavidade

a tudo o que o amplia e o anula

e lhe dá a vela que vai sulcando as ondas

que na brisa dos encontros se levantam

E súbito explode a grande alegria

do excesso de ser superfície e o fundo

numa só roda que liberta o mundo

em clara sublevação unânime

Até que em magia sossegada

se afirma todo o ser num puro vértice

António Ramos Rosa, O livro da ignorância, Signo, Açores, 1988

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