terça-feira, maio 13, 2008

Está difícil...

Está difícil!
Tenho a fonte seca... Não há uma palavra que faça sentido. Escrita.Ou.Lida. E sinto um aperto. Sob a forma de garganta seca. Como a fonte. Dizem que quando se está triste se escreve mais. Mas nunca falaram, escreveram, cantaram de como custa quando se está sem força. E tudo custa. Quando a caneta pesa. Pesa como chumbo. E, desculpa, mas há quilos mais pesados do que outros. Este, está-me a custar (de)mais. E há um sol. Que queima. Um calor. Que embala. Um verde. Que refresca. Mas não há uma só palavra que me faça sentido neste caderno. Branco. Parece que a gramática virou a feitiçaria de alguns predestinados. E estas letras são seres demasiado solitários para quererem organizar a minha festa de despedida. Deixo-as, solitárias, nos livros da sala. Deixo-as, sós, na caneta. Que pesa. Desculpa.
Está difícil!

Paris, 09 V 08

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