domingo, maio 25, 2008

operandis

Há o chiar da cadeira,
porta fora,
pelo túnel que branco percorre
a minha vista.

Há vozes que reconfortam,
a vista,
mas não a angústia que deveria ter,
por agora.

Há um Jesus, em forma de cruz,
em cada parede,
que branca me apela à solidão.
Solidão que nego desde a casa-partida,
quando não sinto
o que as vozes me relembram
que devo sentir.
E passo por elas sem receber os 2000 escudos.

É hora!
É hora!
É hora de desligar o branco
e apagar a luz que me encadeia.
Uma última prece,
que o Senhor, em forma de cruz, me recebe ainda antes de fechar a barraca dos pedidos.
Sob a forma de pais-nossos em banho-maria.

Enchem-me as veias de um sono tranquilizador,
e meus dedos alongam-se,
lentos,
ao ritmo da caminhada da paz que Ele fez entre os seus, ainda sussurram elas.
Eles, os seus descrentes crédulos.

É curioso. Juro que o vi passar por mim naquele corredor enquanto me apagava.

E não liguei.

Fica para a próxima...

Nantes, 2008

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