terça-feira, maio 13, 2008

presos à forma...de letra em letra... os sentidos...

Hoje...
estás em todo o lado...
como ontem...
e amanhã...

Desci as escadas à pressa e pela janela
vi um Fiat Tipo,
que podia ser o teu,
e que podias ser tu lá dentro a esperar-me,
de braço na janela
brincando com as sobrancelhas ansiosas.
Não eras.
E fiquei mais triste.

Hoje...
estás em todo o lado...
como ontem...
e amanhã...

Apanhei o autocarro,
e entre pessoas, apertos e chegas-para-lá,
vi uns cabelos
que podiam ser os teus.
Essa cor de sonho sobre a forma de ondas
discretas e meigas
que me acariciam quando me adormeces.
Não eras.
E fiquei mais triste.

Hoje...
estás em todo o lado...
como ontem...
e amanhã...

Aulas e aulas,
sem a tua voz
entre vozes, gritos e sussurros.
Aulas e aulas,
e tu em lado nenhum...
E fiquei mais triste.

Hoje...
estás em todo o lado...
como ontem...
e amanhã...

Comboio de regresso a casa,
com um sol quente a dourar-me
como nas nossas praias preferidas,
dos verões que ainda estão por ser vividos,
a dois,
nós dois,
os dois.
E um cheiro ao teu perfume,
que me enrolava
os sentidos
naquele balanço doce do vai-vém.
Virei-me.
Não eras.
E fiquei mais triste.

Hoje...
estás em todo o lado...
como ontem...
e amanhã...

Estranha essa palavra saudade que rima com tantos sentidos,
quando eles já se perderam no seu próprio sentido de ser.

Hoje...
estás em todo o lado...
como ontem...
e amanhã...

Estranha essa palavra saudade que veste tantas formas,
e se despe ao meu primeiro olhar.

Hoje...
estás em todo o lado...
como ontem...
e amanhã...

Estranha essa palavra saudade que insiste em rimar
contigo, connosco e com ausência
e sobretudo sob a forma de amor
à distância...

Mas, eu lembro-me, o amor foi escrito naquele decreto-de-lei
que murmurávamos todas as noites
e que prometia que cada noite seria sempre a anterior da seguinte...

E que os teus pés frios
se enrolariam nos meus... como amantes...

Hoje...
estás em todo o lado...
como ontem...
e amanhã...

Sem comentários: