segunda-feira, maio 26, 2008

uma bomba nuclear sob a forma de declarações...

As recentes declarações de Jimmy Carter demonstram uma clara falta de inteligência no jogo politico que costuma nortear as relações EUA-Israel-Irão... jogado sempre nas meias-palavras e sem se assumir nunca números que atestem a potência destes países. Infelizmente depois destas declarações podem-se esperar reacções violentas dos países árabes vizinhos como manifestações ou ataques a embaixadas, mas mais preocupante do que isso pode agudizar o já crescente espaço de recrutamento dos movimentos terroristas. Terá Jimmy Carter lançado uma bomba nuclear sob a forma de declarações?

O antigo Presidente norte-americano Jimmy Carter disse hoje, durante uma conferência no festival literário de Hay, no País de Gales, que Israel tem, pelo menos, 150 armas nucleares. É a primeira vez que um ex-Presidente norte-americano fala concretamente sobre o arsenal nuclear israelita.

A declaração surgiu após Carter ter sido questionado, por um jornalista, em relação à sua opinião sobre o arsenal nuclear iraniano e como o futuro presidente norte-americano deverá lidar com isso. Segundo Carter esse é um assunto que tem de ser analisado globalmente.

“Os Estados Unidos têm mais de 12 mil armas nucleares, a Rússia, mais ou menos o mesmo, França e Grã-Bretanha têm largas centenas e Israel tem 150 ou mais. Temos uma enorme diversidade de armamento”, disse.

Apesar da existência de armas nucleares em Israel ser mundialmente admitida, As entidades israelitas nunca admitiram a sua existência e os EUA nunca comentaram esta questão publicamente.

Jimmy Carter, Nobel da Paz, admitiu que Washington devia falar directamente com Teerão para pressionar o governo iraniano a abandonar a sua ambição nuclear. Uma vez que a política seguida há décadas, incluindo as sanções aplicadas, nunca dissuadiu o Irão de produzir urânio enriquecido.

Carter, presidente entre 1977 e 1981, ajudou a negociar o tratado de paz entre Israel e o Egipto e a concluir o acordo estratégico de armamento com a União Soviética.

in Público, 26 Maio 2008

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