quinta-feira, junho 12, 2008

Ai as bolas paradas...

Portugal já está nos quartos-de-final como todos desejávamos e era esperado, tendo em conta a qualidade dos nossos jogadores e o forte espírito de grupo que Scolari conseguiu implantar no lote que levou ao Europeu. Ultrapassadas as dificuldades previsíveis num grupo acessível como era o nosso e obtida a qualificação para a fase seguinte, a selecção nacional pode ficar física e mentalmente ainda mais forte para enfrentar os próximos adversários. Fisicamente, porque será possível dar descanso a alguns dos jogadores mais utilizados e com mais minutos nas pernas; mentalmente, porque provavelmente ao dar a titularidade a outros, Scolari contribuirá para unir ainda mais o grupo. E, nesta área, o trabalho do seleccionador de Portugal tem sido notável.

Ontem, a República Checa "facilitou-nos" a vida ao deixar de fora Koller e ao optar por colocar Baros na frente do ataque. Na prática, os checos optaram pela mobilidade em vez de colocarem uma referência na área. O que foi bom para a equipa portuguesa. Anular Baros é mais fácil porque Ricardo Carvalho e Pepe são dois centrais muito rápidos, enquanto que, com Koller, a equipa checa teria maior posse e controlo de bola, maior profundidade central, o que seria bem mais complicado para a nossa defesa. Tendo em conta as características dos nossos jogadores, a mobilidade de Baros e as movimentações nas costas e nas alas são para nós muito mais fáceis de anular. Como, aliás, o foram enquanto o "enorme" checo não esteve em campo. Quando este entrou, as dificuldades logo aumentaram, apesar da entrada de Meira, com o claro intuito de ganhar altura na zona central do terreno.

Portugal chegou inclusivamente a passar por momentos de dificuldade inesperados, mesmo depois de chegar à vantagem com um belo golo de Ronaldo, e só respirou tranquilidade quando a agilidade mental de Deco (que cobrou o livre quando os checos ainda se recompunham) proporcionou o terceiro que acabava com todas as veleidades do adversário.

Com tudo isto, para mim, a vitória portuguesa não foi uma vitória fácil, sobretudo porque a equipa mostrou ser pouco rigorosa e pouco forte nos lances de bola parada, e terá sido até facilitada pela leitura menos correcta do técnico contrário pelas razões que apontei. Sofremos o empate na sequência de um pontapé de canto e quase sofríamos um segundo golo, que nos colocaria atrás no marcador, numa situação idêntica. Com Ricardo muito preso entre os postes e uma equipa constituída por elementos pouco altos (olhemos para Paulo Ferreira, Deco, Petit, Simão, por exemplo, sendo Pepe, Ricardo e Cristiano excepções, com a agravante de este último não estar bem defensivamente) somos frágeis nos lances em que a bola circula pelo ar. Por isso, e recordando até o que nos aconteceu diante da Grécia, na final do Europeu, e mais recentemente frente à Sérvia, julgo que talvez surtisse melhores resultados a opção por uma defesa à zona em vez da defesa homem-a-homem que temos vindo a utilizar. É que esta só deve ser utilizada quando existe um domínio na altura, o que não é o caso. Talvez com esta alteração se evitassem alguns sustos. De outra forma, se defrontarmos uma Itália (abro aqui um parêntesis para dizer que aqui em Itália, onde me encontro a trabalhar preparando a nova temporada do Inter, todos acreditam na passagem à fase seguinte) ou uma Alemanha, vamos certamente ter muitos problemas neste aspecto.

Mas até lá pode ser que nos quartos nos toque a Croácia e, se assim for, acredito numa meia-final com a Alemanha, para mim a equipa favorita para vencer o Europeu. E então, meus amigos, que grande meia-final vai ser....

José Mourinho in DN, 11 Junho 2008

obs: até José Mourinho se engana e parece que a Croácia também tem que entrar nas contas dos favoritos...

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