sábado, julho 12, 2008

Mais um ano

Ele tinha um lugar guardado
no seu canto,
mais intenso e puro,
para aquela pessoa,
que insistia em não fazer tocar o telefone.
Ele tinha ainda um amor,
imenso,
para quem o quisesse de peito aberto.
Porque ele tinha tanto querer,
e uma ausência difícil de viver
e de compreender para todos os outros
que lhe olhavam de soslaio, enquanto
pedia o seu café e se sentava, só, numa mesa
no fundo.
Agora,
o seu amor virara ódio
em cada desilusão, que não o tornara mais forte,
apenas mais igual aos outros.
Aqueles que o magoavam.
Agora,
ele já não contava os dias
que se acumulavam
num ano.
Agora,
ele sorria para muitos, outros,
mas o seu sorriso chorava, forte,
para quem o conhecia.
Agora,
ele estava rodeado de muitos outros, que de sangue,
tinham o vermelho de quem pega em armas
mas
não
tinham
o
vermelho de coração que bate por amor.
E ele sorria... simples e sincero como sempre. Mas só... como sempre.
Até que uma carta perdida na mesa desarrumada de contas, contratos e desenhos abandonos precoces lhe disse simplesmente:
"acredita no vermelho".
E ele sorriu. Sorria sempre. Porque percebeu que o amor existe em todo o lado. Só que às vezes esquecemo-nos.
E ele sorriu. Sorria sempre. Porque tinha amigos. Mesmo que eles por vezes se esquecessem como se escreve amizade.
E ele sorriu. Sorria sempre. Porque ódio nunca seria uma palavra escrita no seu dicionário. Ele não a merecia...

parabéns...
um grande abraço...
Paris, 06 VII 08

Sem comentários: