sábado, agosto 02, 2008

O vento de Norte. Da praia agreste. De areia grossa.

Ela estava lá longe na praia.

Rodeando a areia em passos circulares

Não saindo nunca do mesmo lugar.

Que só podia ser o seu. Aliás.

Ela ficava lá longe na praia.

Longe das crianças que felizes irradiavam gritos e sorrisos estridentes.

Ela que não dava um passo sem contar os que restavam para percorrer toda a sua praia.

Ela que fitava o mar. As mesmas ondas que lhe levaram alguma família, algum amor e alguns dos seus últimos dias felizes. Naquela praia.

Ela restava lá longe na praia.

Como se por um momento pudesse ficar mesmo longe de todos os problemas que lhe

Desmontavam

O presente.

Vivido

Alguns quilómetros depois.

Ela já não sobrava. Lá longe na praia.

E o vento de Norte. Da praia agreste. De areia grossa.

Já não lhe batia nas pernas cansadas.

Ela encolhia-se. E descansava.

Só.

Com um cheiro àquele sorriso passado.


2 Agosto 2008

ps: Mais um ano entre as árvores e as brincadeiras de Santiago... Parabéns!

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