segunda-feira, outubro 06, 2008

crise 2008

...não pretendo, de forma alguma, ter aquele discurso de que "o mundo acabou como o conhecemos" ou de que estamos numa situação em tudo semelhante à crise de 29. Não vou servir nenhuma visão à Fukuyama nem à Delgado... o que acredito e queria deixar vincado é que infelizmente...

- o mundo ocidental vivia há muitos anos bem acima das suas possibilidades e recursos;
- o imaginário americano e europeu virado para o consumismo desenfreado não era saudável;
- o sistema financeiro baseado na especulação estava sobrevalorizado;
- o abuso dos créditos para individuais, empresas ou estados fragilizava o crescimento sustentado dos mesmos;
- o sector privado pode sempre correr riscos pois teve sempre uma "rede de segurança";
- as preocupações ambientais e climáticas foram sempre apenas e só uma operação de marketing político;
- o poderio económico de uma potência derivava do seu poderio/influência militar;
- o uso e abuso do petróleo e derivados foi a base e sustento do crescimento mundial;
- etc...

Não trago um único argumento novo... não é essa a ideia aliás... o objectivo é sobretudo mostrar que tudo o que aconteceu era previsível e natural pela forma como o mundo se desenvolveu desde a revolução industrial..

O que prevejo e isso sim me parece grave é que nada vai mudar! Ou seja, de uma maneira geral, após a crise:
- o mundo ocidental continuará a viver acima dos recursos;
- os créditos ao consumo e o endividamento não vão acabar;
- o sector privado prosseguirá com as suas trapalhadas e sem avaliação de riscos e de consequências;
- o petróleo continuará a "subjugar" as economias mais frágeis e dependentes;
- o poder militar continuará a ser o essencial suporte das principais potências económicas;
- a especulação bolsista vai continuar;
- a ecologia e ambiente continuarão a ser um belo tema de conversa para conferências e não para a prática governativa...

Em suma, esta crise dificilmente trará algo de novo... procuram-se respostas... que vão mais além da culpa ser deste partido ou daquele, deste país ou de outro... a responsabilidade é de todos! Temos mesmo que... Pensar global. Agir local.

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