quarta-feira, dezembro 03, 2008

...do exercício 1

E um ecfonema depois daquele
ósculo que trocámos no metro,
no fluxo diário dum vai-vém próximo...

Eu era um áulico duma
carniçaria que faz
medrar a
Quaresma em cada um dos velhos da praceta.

Eu era um sifilítico duma duença de Amor que se propaga
nos sonhos duns e na morte doutros.

Eu era um homónimo do pintor, professor, calceteiro
e florista do bairro.

Eu era um malho,
daqueles,
dos duelos antigos.
Dos que ainda passam na tua TV a preto-e-branco.

E se pela bruma afora me dizes que o beijo foi lá atrás.

Que a cinética de hoje é outra.
Que o beijo flutuante daquela viagem ficou guardado no fechar das portas.
Então,
desculpa,
que passivo, não fico.
Que não deixo desta vez
o salva-vidas encostado à parede.
Que hoje tenho ganas de ser o teu único
convocado.

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