quarta-feira, dezembro 24, 2008

Tristes rosas de vegetais gastos

No canal de Navigli
sinto as cores e cheiros de um outro Amsterdam...

Nele os berros roucos,
duma juventude que ignora os que distante,
lá longe,
se agarram às suas singularidades.

Rapariga loura e rapaz de olhos azuis.
Mas há também os morenos de olhos verdes.
E se restam a um canto,
de cerveja na mão,
os que de castanhos, encantos tamanhos, fazem a sua noite é porque...

Há uma Milão dos Sforza
e dos jardins penetrados pelas lojas dos aristocratas modernos.

Há uma cidade onde as ruas têm passadeiras
sob a forma de infindáveis desfiles

Há um espaço para já não haver mais espaço
para aquele pobre velho que esculpe.

Tristes rosas de vegetais gastos.

Já não há tempo
senão para armanis, guccis e zegnas
e...
Já não há mapa
que palmilhe todas as ruas
da forma que a minha critica o fez.

Fria e Dura.
Como aquelas tristes rosas de vegetais gastos
que choram das mãos do velho.

Sem comentários: