quinta-feira, janeiro 29, 2009

decididamente o jornalismo em Portugal continua em crise...

Islândia deverá ter a primeira chefe de Governo lésbica do mundo (???)

A Islândia deverá ser o primeiro país a ter um político assumidamente homossexual como primeiro-ministro: Johanna Sigurdardottir, de 66 anos, da Aliança Social Democrática, que deverá formar governo com o Movimento Verde-Esquerda. A composição do novo Executivo era esperada para hoje, e a tomada de posse poderia acontecer já no sábado.

Sigurdardottir, que era ministra dos Assuntos Sociais no Governo de Geir Haarde, que se demitiu na segunda-feira, é a política mais popular do país. Num momento de grande impopularidade de políticos e financeiros, desde que a crise económica mundial levou ao afundamento das contas da Islândia em Outubro, ela conseguiu a proeza de ter a aprovação de 73 por cento dos islandeses.

O seu Governo, no entanto, vigorará apenas até às eleições legislativas antecipadas, cuja data falta marcar. A mais falada é 9 de Maio. O partido que as sondagens dizem reunir mais preferências dos eleitores é o Movimento Verde-Esquerda, que formará coligação com os sociais-democratas de Sigurdardottir.

Uma das primeiras acções esperadas do novo Governo deverá ser o afastamento do actual governador do banco central islandês, David Oddson. A medida foi até já preconizada pelo Presidente da República, Oláfur Ragnar Grímsson, em declarações à BBC.

in Público, 29 Jan 2009

O jornal Público continua cada vez mais a surpreender-me pela negativa... Agora decidiu puxar para título de uma notícia um dado estatístico de elevado interesse: a escolha sexual de um político.
Ah, esperem! Já no passado haviam garantido que Sócrates também "jogava no outro lado"?... Se calhar ele é um mau politico por causa das pessoas com quem se deita... e se calhar a nova primeira-ministra também não vai recuperar a Islândia porque faz noitadas a ver a letra L...
Assim se finge fazer jornalismo de referência em Portugal...

4 comentários:

Héliocoptero disse...

1. Uma orientação sexual não é uma escolha: é uma orientação.

2. A notícia tem o mesmo interesse que a raça do actual Presidente norte-americano ou o género da Ministra da Defesa espanhola. Ambos pertencem a grupos em tempos (e ainda) discriminados e a luta pela igualdade também se faz pela assunção ao poder dos grupos que no passado foram menosprezados ou rejeitados pela sociedade.

3. Logo, a notícia é de interesse. Só não o será num país que continua a preferir ter os homossexuais dentro do armário.

JJT disse...

Talvez o meu post tenha sido mal interpretado. Talvez não.
O meu objectivo não foi o de manter os "esqueletos" no armário mas antes reforçar a ideia que tive na leitura das entre-linhas do artigo do Público que a meu ver não era inocente e muito menos positiva esta chamada de atenção.

Como de certeza sabe a maior parte das pessoas que lêem e comentam estas noticias continuam a ter ideias bacocas e retrogradas em relação à orientação sexual, raça, credo e não sinto que são estes títulos "sugestivos" que fazem progredir as mentalidades. Sãp apenas fait-divers para parecer que são todos muito liberais... hipocritamente liberais...

Héliocoptero disse...

Eu recebo as actualizações desta caixa de comentários no meu email, por isso estás à vontade para escrever aqui ;)

Aos bacocos retrógados ofende tudo o que diga respeito à homossexualidade, dos títulos de jornal, passando pela manifestação de afectos em público e acabando no Orgulho LGBT. Não vai ser fazendo a vontade a quem diz ser "imposição sexual" um beijo na rua - como eu já li - que os homossexuais conseguem conquistar o seu espaço no espaço público. Até porque o seu corpo não o faz por eles, não se descobre que são homossexuais pela cor da pele ou pela fisionomia, como sucede aos negros ou às mulheres.

Se uma simples fotografia torna evidente a raça de Obama, o mesmo não se pode dizer de uma da senhora Sigurdardottir. Ou bem que ela ou outros dizem que ela é lésbica ou a coisa passa despercebida, à imagem e semelhança dos políticos portugueses dentro do armário, que se recusam, assim, a contribuir para o fim da discriminação.

JJT disse...

Concordo plenamente que referir a orientação sexual, credo, etc pode ajudar na conquista de direitos e liberdades das pessoas através da educação cívica que dai resulta.
Mas, o que procurei sobretudo realçar é que infelizmente nem sempre é assim... e senti que neste artigo não era essa a ideia. Senti que tal como noutros artigos do Público há noticias que não são tão neutras, imparciais e liberais como deveriam. O que até se compreende porque o Público já foi menos conservador.