sábado, fevereiro 07, 2009

PSD anoréctico

"Os telejornais são a verdadeira angústia para o jantar com notícias da crise, cada uma delas pior que a anterior”

Os dias andam cinzento-chumbo, com frio e chuva, como determinam os invernos à séria. Os telejornais são a verdadeira angústia para o jantar com notícias da crise, cada uma delas pior que a anterior. Despedimentos em massa, fecho de fábricas, senhores importantes amputados de sorriso a debitar sobre as medidas para esta tormenta mundial que não poupou ninguém, nem as terras do Papalaguí. É neste microcosmos que os meninos do PSD resolveram fazer graça, experimentando em Setúbal a adesão a um cartaz de Sócrates com um nariz de metro e meio (à Pinóquio) sobre a falta de cumprimento de uma promessa, feita há três anos, de criação de 150 mil postos de trabalho. O ‘Pinócrates’ – chamam-lhe os rapazes bem-humorados do PSD.

Manuela Ferreira Leite, chamada a pronunciar-se sobre se concordava com o cartaz, disse, sem reticências, que era obra perfeita, bem ao estilo irreverente da JSD. Perfeito. Nesta noite, pensando no jeito hermaniano de "nós, os jovens… somos muito irreverentes", achei que a iniciativa tinha mérito e podia ser um meio eficaz de afastar os espíritos maus para tornar as campanhas eleitorais que aí vêm numa coisa menos tristonha. Acharia divertidíssimo, por exemplo, se a JS criasse um cartaz da líder do PSD vestida de bruxa, a bruxa da Branca de Neve, de chapéu cónico e uma enorme verruga preta no nariz.

Ao lado, com letras garrafais, "A BRUXA ENSANDUICHADA". Por cima, o PS a comer--lhe fatias grandes do seu eleitorado. Por baixo, o CDS a roer-lhe as migalhas do mesmo bolo. Outro exemplo, o Paulinho das Feiras, travestido de bardo, a personagem da lira do Astérix que num dia canta aos reformados, noutro aos contribuintes, noutro ainda aos deficientes das Forças Armadas. Em letras gordas, "CANTAS BEM MAS NÃO ME ALEGRAS", por entre muitas vaias de toda a aldeia que já não aguenta os "violinos" do bardo.

A Jerónimo de Sousa assentava-lhe como uma luva, nestas eleições carnavalescas, o traje do ‘Metralha’. Uns óculos de massa dura, grossa e preta, e o ‘Metralha’ a disparar contra todos os capitalistas. A legenda a preceito só podia ser "NEM MAIS UM EURO PARA OS BANCOS". E para o querido Louçã? Em verdade vos digo que o vejo bem no papel de seminarista. Mas a banda desenhada acaba sempre antes da sacristia. Como quer que seja, Louçã é um actor para muitos papéis. Já viram Louçã com as vestes do Zé do Telhado? "ROUBAR AOS RICOS PARA DAR AOS POBRES" podia bem ser o lema da homilia trotskista.

Emídio Rangel in Correio da Manhã

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