sábado, março 07, 2009

cine limpo

Bem-vindos a “Cine Limpo”, a nova crónica semanal do CENA, onde a sétima arte será discutida de forma civilizada, asseada e sem fanatismos. Nesta semana de estreia, por razões pessoais (testemunha num processo de abuso de confiança), não pude ir ao cinema, de maneira que, ao invés de tecer um ensaio crítico a uma qualquer película actualmente em cartaz em pelo menos dez capitais de distrito nacionais, optei antes por abordar a cerimónia dos Oscar™ - que acompanhei pelo youtube passado uma semana em dezasseis bocados de cerca de nove minutos e 58 cada - e seus vencedores. Confesso que me fazem aflição os prémios que implicam a subida ao palco de mais que uma pessoa – sobretudo quando, apesar de subirem dezenas, só há um Oscar™ na mesma -, de maneira que vou comentar, antes de mais (mas também apenas), os prémios de representação.

 

Kate Winslet arrebatou o galardão para melhor actriz, vestindo a pele de uma alemã que, no pós-Segunda Guerra Mundial, era pica do eléctrico e se enrola com um garoto que, uns tempos antes, tinha vomitado no hall de entrada de seu prédio. De notar que depois o garoto cresceu e ficou o Ralph Fiennes, ao passo que a Kate Winslet ficou na mesma a Kate Winslet, mas mais velha, com lenços na cabeça e xailes. Já o galardão de melhor actor, apesar de ter ido para Sean Penn e a sua interpretação de Harvey Milk (um activista homossexual que chegou a usar, em simultâneo, rabo de cavalo, calça e casaco de ganga, arrasando por completo a noção de que os gays primariam pelo bom gosto), deveria ter ficado com Frank Langella (fez de Nixon – uma pessoa que já morreu – e usou o verbo “Fornicate” no gerúndio, ainda que apenas por uma vez em todo o filme) ou Mickey Rourke (que pagou sessenta dólares por uma lap dance da Marisa Tomei – achei algo carote -, além de ter cortado um dedo na máquina de fazer fatias de fiambre).

 

Angelina Jolie é que, apesar de ter dito “this is not my son” algumas sete mil vezes, foi para casa de mãos a abanar, tal como o seu marido Brad Pitt, que foi protagonista dum filme onde mais parecia que o argumentista tinha feito uma aposta de dinâmica igual ou semelhante a “vejam como eu consigo pegar nesta premissa genial e, mesmo assim, escrever um dos guiões mais chatos de sempre”. Se fez, ganhou. Finalmente, o Oscar™ de melhor actor secundário foi para o malogrado Heath Ledger (“Eia, só porque morreu”, dirão as más línguas, “Eia, ganhava na mesma, dirão os fãs, “Eia, agora era tudo mentira e ele aparecia”, terão dito os que sobram), mas tive pena pelo Philip Seymour Hoffman, porque seria a primeira pessoa com fato de gala e gorro da Lightning Bolt a ir receber o galardão máximo da Academia. Máximo, é como quem diz, que até era o de actor secundário.

 

De notar ainda que o de melhor actriz de suporte foi para Penélope Cruz, e que, entre as suas palavras aparentemente inglesas ditas num sotaque espanhol que parecia a gozar, me lembrei duma aposta que fiz em 1997 com um vizinho: teimei eu que, Mimi Rogers à parte, todas as actrizes que mantiverem relações sérias com Tom Cruise ganharão um Oscar™ eventualmente, mas só depois de já não terem nada com ele. Apostámos um murro com força nos rins, que na altura me parecia a melhor coisa do mundo. Portanto, e logo após o discurso de Penélope, fiz fotomontagens da Katie Holmes a comer outros gajos (usei a série “Dawson Creek” como base e meti uma data actual nas fotos). Resta-me esperar pelo divórcio e que a Katie Holmes faça de Anne Frank. Depois disso, é o Tom Cruise morrer e vai haver um rim a sentir o meu punho fechado.


Voltarei para a semana com uma crónica analítica a incidir sobre um filme, o qual, para aquelas pessoas que não gostam de ler e só vêem as estrelinhas, classificarei com estrelinhas.


in Cena


obs: Bruno Aleixo já era... até porque agora já teve alta do hospital... agora esta crónica semanal promete muito, muito mais...

Sem comentários: