quinta-feira, março 19, 2009

intersecção de momentos

no verbo escrever,
os momentos guardados.
nas notas de glass,
os momentos recordados.
na aragem da maresia,
apagadas tuas pegadas.

no verbo escrever,
passadas a limpo as folhas. amontoadas.
nas notas de glass,
passadas as horas de reflexão. imundas.
na aragem da maresia,
sentidas as agruras de um pôr-do-sol. recorrente.

no verbo escrever,
passadas as notas que custam a sair. de uma e outra folha.
nas notas de glass,
escritos ritmos de azul e melancolias avermelhadas. dum sol que fere.
na aragem da maresia,
um fétido cheiro a lixo que se amontoou. pelas correntes e correntezas.

no verbo escrever,
nas notas de glass,
na aragem da maresia,
um sem número de momentos que não descrevo. não o faço. não o sei. não o quero. não o quero fingir.não vou fazer esse jogo. não hoje. não amanhã. não-sob-a-forma-de-um-poema-improvisado-não-improvisado.

porque não há intersecção de momentos,
quando nada se sente. apenas se escreve. com o verbo escrever.

nota: ao som de philip glass - solo piano - metamorphosis two

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