sexta-feira, março 13, 2009

A NOITE

a partir de Al Berto
e comencenação João Brites

João Brites encena A Noite, a partir do texto Apresentação da Noite, de Al Berto, uma montagem de excertos gravados entre 1981 e 1983, textos inéditos e outras obras como O Medo, Lunário ou À Procura do Vento num Jardim d'Agosto. Poeta surgido nos finais dos anos 70, Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares (1948-1997), distingue-se por uma lírica confessional e reflexiva, marcada pelos afectos.

Em mais de vinte anos de actividade literária, a expressão poética assumida pelo autor é marcada pela disforia que parece cercar o homem num ambiente que lhe é hostil e que contamina a sua escrita. A palavra ganha um poder exorcizante mostrando-se necessário tornar audível o silêncio onde, como disse Al Berto, “se perde todo e qualquer desejo de escrever”.
Um longo e demorado gesto de despedida. Uma série de jogos, ornamentos inúteis, tentativas de adiar a inevitável ausência que pauta todas as relações. Talvez a vida seja a distracção antes da morte, como um espaço que vai diminuindo, desaparecendo. Talvez, como duas faces de um mesmo espelho que se acompanham nos últimos momentos, o masculino e o feminino se invertam, se desloquem, se dissipem nesta condição humana de sermos breves.”

interpretação Ana Lúcia Palminha e Pedro Gil; dramaturgia e espaço cénico João Brites; oralidade Teresa Lima; corporalidade Vânia Rovisco; figurinos e adereços Clara Bento;
desenho e operação de luz João Cachulo

co-produção Teatro O Bando e Teatro Nacional D. Maria II

em cena até 5 de Abril

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