quarta-feira, abril 15, 2009

obituário
















Morreu o autor daquela aldeia típica que todos visitamos quando éramos pequenos e íamos para a Ericeira. Podíamos não gostar muito ou talvez até gostássemos.. apesar de tudo era o Portugal dos Pequeninos alfacinha mas fez claramente parte da meninice de muitos de nós...


O oleiro, José Franco, 89 anos, criador da aldeia típica do Sobreiro em Mafra, faleceu ontem, pelas 02h00, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado na sequência de uma queda. O corpo está em câmara ardente na Capela de S. Sebastião, em Sobreiro, de onde o funeral sairá hoje, pelas 14h30, para o cemitério local.

Agraciado com o título de comendador pelo ex-Presidente da República, Ramalho Eanes, e abençoado pelo Papa João Paulo II, o ceramista vivia num lar de idosos (antigo hotel Morais), na Ericeira, e deixa dois sonhos por cumprir, segundo informou a sua secretária.

De acordo com Dulce Silva, "o mestre tinha um grande sonho que era criar uma escola de formação para crianças e jovens do Sobreiro. O outro desejo era criar uma fundação que preservasse o seu espólio". Nos últimos anos, assinalou Dulce Silva, "o mestre lutou sozinho, só com alguns amigos, como Duarte Pio de Bragança, para constituir uma fundação que preservasse o seu espólio. Mas a família era contra".

O espólio do oleiro permanece na aldeia miniatura que construiu no Sobreiro, da qual era sócio gerente e detinha uma quota de 40%.

Afastado de aldeia por motivos pessoais e familiares, José Franco realizou algumas das suas últimas peças no lar onde vivia. Quanto à obra que deixou, Ramalho Eanes classificou-a ontem como "uma referência nacional".

O futuro da aldeia típica está nas mãos da filha do oleiro, Suzete Franco, e do seu marido, Armando Dias Batalha. E assim irá continuar, segundo explicou ontem ao CM o seu genro, que rejeita a ideia de criar a fundação. A aldeia, de entrada gratuita, é visitada por milhares de pessoas , precisou Dias Batalha. O genro recordou que, por vontade da sua sogra, autora da ideia de criar a aldeia, a propriedade foi colocada em nome da filha aquando da sua morte em 1990.

in Correio da Manhã, 14 Abril 09

obs: foto de Diogo Ruas in Olhares

1 comentário:

andrade da silva disse...

Como é importante, muito,digno e nobre manterem-se vivos os sonhos sempre, mesmo até depois da morte.

caro amigo visite-nos no blogue: www.liberdadeecidadania.blogspot.com/

abraço
aailva