quinta-feira, maio 28, 2009

Legal, é. Mas é correcto?

Há uns anos, quando Paulo Portas apareceu como Zorro na política, nunca lhe perguntaram o que deviam perguntar. Para aquele justiceiro de quem se sabia que tinha um Jaguar como parte do ordenado da Universidade Moderna (sobre o qual, assim, não pagava impostos) havia duas perguntas. A primeira: "O Jaguar?" A segunda, já que não responderia à primeira: "E o Jaguar?" Nestas eleições europeias, eu tenho uma pergunta para as candidatas socialistas, Ana Gomes e Elisa Ferreira. Para a primeira: "Sintra?" Para a segunda: "Porto?" E não saio daí. Tenho também uma pergunta para Paulo Rangel, o cabeça de lista do PSD. Foi notícia ele ter suspendido o mandato em 2007 e 2008, durante meses (tendo continuado a trabalhar como jurista), mas ter voltado sempre na véspera das férias, para receber o ordenado quando o Parlamento estava parado. Evidentemente, isto é legal. Como o Jaguar, Sintra e Porto. Como era legal aquele deputado inglês fazer-se reembolsar pelo combate às doninhas no seu quintal... Mas legal não é suficiente. A pergunta que tenho para Rangel: "É correcto?"

Ferreira Fernandes in DN, 28 V 09

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