quinta-feira, julho 23, 2009

à beira

decidi passar pela praia.
ouvir o chapinhar de crianças despreocupadas.
felizes de não saberem como o tempo
passa veloz.
rodeadas de brincadeiras que duram eternidades.
e enquanto passo de passo-em-passo
por estes miudos
imagino mil traquinices que lhes pregaria
se invertesse por uma hora
a ampulheta do tempo.

lembro-me quando descia de rolamentos na herdade do pai.
eu e o meu irmão. rápidos como balas - até fogo fazia - dizia ele.
lembro-me que ele ria alto. sempre se riu assim.
mesmo quando a morte o encostou à parede, tal e qual como ele encostara a sua mulher ao sobreiro naquele verão chuvoso.
lembro-me que tal como ela lhe roubou um beijo inocente também a morte o fez. como um jogo de praia dum verão como este, em que a água fria se entranha nos meus pés. e arrepio-me.
do frio e das saudades dele. do riso dele. do fogo dele.

que inveja do mundo de sonho destes miúdos.
sinceramente, só quero que a morte os leve enrolados numa onda sem fim.
que a felicidade entre para férias e não abra mais a loja para eles. como fez comigo depois daquele verão. debaixo do sobreiro.
só quero os miúdos mortos de velhice!

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