sábado, julho 18, 2009

carta de despedida

Temos que deixar de nos ver, entre o trabalho e o ginásio, pouco antes do jantar de familia.
É bom. Confesso.
Sinto aquele sorriso de criança presenteada.
Mas há mais do que isso. Há outros, mais outros e outra.
O miudo entrou para a escola. Sabes disso. Eu contei-te enquanto nos enrolávamos alarvemente feito miudos nas traseiras do pavilhão azul ou feitos em carne picada de talho de suburbio. Sabes disso. Contei-te enquanto choravas por umas promessas de divórcio. Com lençois caidos a uma ponta da cama. Desfeita. Sabes disso. Pelas mensagens recebidas a conta gotas enquanto a minha mulher lava a loiça ou limpa o pó, lá dentro.
Sabes disso tudo. E insistes em ir-me ver ao trabalho, à escola do miudo ou quando alugas uma casa perto da minha de férias.
Sabes disso tudo. E não me deste espaço. Eu queria-te pelo espaço, pela liberdade feita relógio. E mesmo assim preferiste recuar o relógio feita namorada adolescente. E isso não. Desculpa. Só me deixaste uma solução. A morte passional dum amor liceal.
Desculpa, mas quando acabares esta carta será tarde demais. Já a faca rasgará as tuas costas encharcando o soalho novo que colocaras para os nossos futuros filhos brincarem. Desculpa. Mas a mão desta faca é apenas tua.


Do sempre teu,

X

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