sexta-feira, julho 24, 2009

Poema

O solitário está na gruta
a gruta está no nariz
o nariz está na cara
e a cara abre-se penosamente

A cara está na tristeza
a tristeza está lá dentro
dentro, dentro; lá dentro o desespero
e o desespero no seu elemento

O desespero está no fundo
o fundo, o muito fundo, o grande fundo
desfazem-se, refazem-se, são áridos
e as rugas arrumam-se em grande número.

E a Morte! aliás ainda Morte!
e lá fora! Morte e Morte! Morte!

Henri Michaux
tradução de Herberto Hélder

Sem comentários: