quarta-feira, agosto 26, 2009

alguns apontamentos políticos

1. Como referi num post anterior (link) nada parece mudar nos diferentes partidos e a lógica das propostas vagas mantém-se. Assim, e tal como ontem António Costa Pinto referia num debate na SIC noticias é evidente que perante a crise mundial actual provavelmente será necessário um aumento de impostos aquando do próximo orçamento e, no entanto, ninguém o diz... bem pelo contrário.

2. Este cenário de prometer propostas vagas como melhorar a condição de vida dos pobrezinhos ou emprego para todos mas sem incentivos aos patrões que são uns ladrões já é antigo. E não vai mudar, só piorar... Do PCP ao PP. E porquê? Porque não é assim tão fácil escrever um decreto de lei, vê-lo aprovado pelo presidente da República, e depois aplicá-lo quando se fala de privados. Porque é muito bonito privatizar tudo para encher os cofres do estado para diminuir o défice mas depois perde-se o controlo das empresas. É uma consequência natural, Srs. do PSD.

3. O melhor exemplo dos malefícios de algumas privatizações e valorização excessiva dos privados é a liberalização dos combustíveis. A 31 de Dezembro de 2003, o governo de Barroso e Ferreira Leite liberaliza as variações dos preços neste sector (Portaria nº 1423-F/2003 de 31-12-2003) e o que se verificou foi a subida dos preços (algo que no entanto não podem ser acusados). Mas, é incorrecto que alguns anos depois acusem o governo de não controlar os preços dos combustíveis. O governo simplesmente tem que cumprir o que foi aprovado anteriormente...

4. Esta ideia de cumprimento é aliás de bastante difícil compreensão para o PSD. Veja-se o exemplo do TGV que foi provado por esse mesmo governo e que compreendia 3 diferentes trajectos, actualmente é acusado pelos mesmos de uma embirração socialista. Não. É antes uma obrigação internacional social-democrata. Mas, mais do que isso acho que é ridículo pensar em deixar Portugal fora do TGV. Portugal está num canto da Europa e tem que ter as melhores e as mais variadas formas de comunicação. A alta-velocidade é apenas mais uma delas.

5. A principal justificação para negar e rejeitar o investimento em grandes obras públicas que tem sido avançada por diferentes vozes do PSD é que em tempo de crise há que poupar. Erro. A história tem provado o contrário. Nunca o proteccionismo foi a solução mais viável. Sobretudo na época da mundialização total. Carlos Santos, no blog SIMplex, realça alguns desses erros nas políticas económicas do PSD. Aconselha-se a leitura atenta deste post (link) para compreender a dimensão do erro dos "laranjas" que mais parecem "verdes" por vezes.

6. Destaque ainda para o facto de assim que José Manuel Fernandes voltou das férias o Público decidiu novamente pegar novamente nos casos (link) que mais agitaram o governo e Sócrates nos últimos anos. Felizmente, é um direito de qualquer jornalista escrever o que quiser desde que não escreva mentiras, agora será lógico e coerente chamar a tema de capa uma notícia que acrescenta muito pouco às anteriores? Não será que estamos apenas perante uma necessidade de manter sempre a fogueira em lume brando? Só o tempo o dirá.

7. Para terminar destaco mais uma vez a posição de Marques Mendes sobre a ética dos políticos (link). No último mês foram várias as afirmações do antigo líder do PSD sobre este assunto e parece evidente que procura chamar a atenção para dentro do seu próprio partido sobre as consequências negativas que a falta de preocupação ética na elaboração das listas poderá ter nas próximas eleições...

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