segunda-feira, agosto 17, 2009

uma outra forma de fazer teatro

Pouco tempo passado da morte do Raul Solnado eis que outra personagem fundamental da história do teatro contemporâneo em Portugal desaparece. A morte de Isabel Alves Costa deixa um vazio significativo numa área do teatro onde há poucos homens e ainda menos mulheres a ousarem criar. 

Porque criar é inovar. E inovação é uma das características que no mundo artístico português mais inimigos gera. O trabalho que desenvolveu à frente do Rivoli não foi reconhecido por um poder político que apenas quer circo para o povo. La Féria e música pimba garantem muitos mais votos do que um trabalho invisível de ensinar o povo a ver teatro. 

Mas, nem de más noticias e injustiças gritantes se faz a história de Isabel Alves da Costa. Felizmente para o Minho e para um grande amigo meu foi possível criar algo novo. Criar numa lógica de dar. Sem receber. De ensinar. Numa lógica onde só há espaço para verbos e para acção. As Comédias do Minho têm desenvolvido um projecto onde o ensinar, o mostrar, o dar são verbos de conjugações múltiplas e variadas. São verbos compostos. São verbos sem fim...

No dia da sua morte fica garantida apenas uma certeza: só não há espaço para o verbo morrer neste projecto. Neste dia duro fica um abraço grande para ti, Luís.

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