terça-feira, setembro 01, 2009

da entrevista

O homem é bom! Poucos políticos se podem gabar de ter um tão grande à vontade na televisão ou no parlamento como ele. A costela da Grécia Antiga nele é bem grande e injecta-lhe elevados níveis de eloquência. É verdade. Dá gosto ouvi-lo. E ainda por cima preparam-lhe bem os discursos ou intervenções.

Hoje não foi diferente (link ). Pareceu patinar na questão da Ana Gomes e Elisa Ferreira mas soube dar a volta por cima com umas pausas preenchidas... mas de resto esteve sempre no controlo. Brilhante na forma como se demarcou do PSD e de Ferreira Leite na questão dos valores. E não apenas na hipócrita questão da "verdade" laranja, sobretudo em assuntos importantes como economia e sociedade. Aí há diferenças entre esquerda e direita. Inegáveis. 

A verdade é que talvez nem fosse difícil brilhar nesta entrevista mais do que Ferreira Leite alguns dias antes. Sócrates tem o seu próprio trabalho para defender-se. E quanto ao que falhou sabe melhor que ninguém onde foi, logo pode precaver-se. Quanto à outra candidata tem o difícil trabalho de se apresentar sem ter nada para apresentar. Mais do que isso, não pode fazer referência à sua assustadora experiência governativa enquanto péssima ministra da educação (responsável pela progressão automática da carreira) e das finanças (responsável pela falsa diminuição do défice através da venda de património ao desbarato). Se a Sócrates apontavam que era muito duro e rude agora é demasiado simpático. O biltre.  O sacana. Coerência, por favor. É obvio que os políticos assumem diferentes posturas conforme os objectivos, e é assim com ele, com Ferreira Leite, Louçã e todos os outros. É assim com todos os hipócritas que apontam isto mas depois são cínicos com os seus patrões enquanto falam do jogo de domingo passado.

Sócrates esteva ainda bem a tirar o coelho da cartola do inov social, porque como ele dizia quase ninguém lê  os programas eleitorais. Mas, toda a gente sabe dizer mal  e repetir o que leram na coluna ou no editorial do jornal do comboio. No entanto, a pérola veio no final... a outra fala muito do conceito e papel da família mas é ele que fala da vaidade que são os seus filhos. Genial. Comunicação política ao mais alto nível e um exemplo do papel que ela tem na actualidade. Só não vê quem não quer.

Hoje era a entrevista que estava em causa. O seu desempenho nela e não ao longo de quatro anos. Nela ele foi um claro vencedor, nas próximas eleições logo se vê porque são contas de outro rosário... e nem vale a pena dizer mais nada...

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